Vamos falar a verdade? (por João Leonardo Medeiros)

Flu 4x0 SportCrônica de duas notas só

Passado o pior da crise (aparentemente), proponho uma dupla reflexão aos (escassos, mas, espero, fiéis) leitores.

1. Oscilações e crises

Receita para produzir uma crise: (1) deixe alguns dos principais jogadores plantarem na imprensa que demandam aumentos salariais vultosos; (2) seja omisso com relação à forma física dos “atletas”; (3) libere os craques para andar em campo e depois brigar com a torcida; (4) seja eliminado da Copa do Brasil em casa para um time fraco por 5×2; (5) perca um clássico para um rival em crise na sequência; (5) empate com outro time fraco em casa; (6) perca para um time sem qualquer expressão.

Receita para sair da crise: ganhe todos os jogos, dentro e fora de casa. Se o time estiver ganhando, os jogadores não precisarão chorar aumentos salariais na imprensa, todos estarão em forma (porque isso é um pressuposto para ganhar), não haverá briga do time com a torcida, nem da torcida entre si e não seremos sacaneados por todo mundo.

Em outras palavras: futebol não se ganha com microfone, nem necessariamente com dinheiro. Se ganha com jogo bem jogado dentro de campo. Ao contrário do que disse Peter, tivemos uma brutal crise. Mas seu foco foi dentro das quatro linhas. O resto é mentira alimentada pelos setores da grande imprensa que vivem em parte de charlatanismo sob a forma de jabá, em parte de factoides.

O que esperamos todos? Que a verdade da bola seja restabelecida. Ganhamos domingo por 4×0 do Sport no mesmo campo em que empatamos com o Coritiba e perdemos do Vitória. Agora temos pela frente Goiás, Corinthians e Cruzeiro. Minha verdade: para o Fluminense, sempre, a perspectiva para 3 jogos é de 3 vitórias.

2. Xerém

Vou ser dramático e mentiroso com o que realmente penso, apenas para chocar ao sentenciar, agora mesmo, que Xerém não serve mais para nada. Vamos ser sinceros. Os últimos jogadores que passaram por Xerém e nos ajudaram precisaram sair do Flu para render alguma coisa aqui (limito a questão ao futebol, não ao dinheiro ganho com vendas). Estou falando de Thiago Silva, Wellington Nem e mesmo, em nível muito inferior, claro, de Leandro Euzébio. Já faz muito tempo que, num intervalo de poucos anos, lançamos ao time de cima jogadores que, bem ou mal, atuaram bem no clube, como Roger, Diego, Arouca, Junior Cesar, Cesar, Carlos Alberto.

No demais, Xerém serviu para enriquecer empresários que venderam rapidamente os melhores talentos lá lapidados antes que eles rendessem alguma coisa para o futebol do clube (Fabinho, os gêmeos, Dedé e vamos lembrando uma fila grande até Marcelo, pelo menos). Serviu também para lançar ao time de cima garotos ruins de bola com grandes campanhas de imagem (Toró e Lenny, para ficarmos numa lista pequena) e/ou fracotes fisicamente (Igor Julião e Dieguinho, apenas para ilustrar).

Não estou falando de construir para ontem um celeiro de craques, embora ache que essa deveria ser a meta. Mas se não conseguirmos isso, que pelo menos não precisemos contratar jogadores medianos. Se Xerém não serve para fazer um Diguinho, um Bruno, um Gum, um Carlinhos ou um Wagner, para que serve? Vejam que não estou falando de Fabrícios, Chiquinhos e que-tais, que não deveriam estar no Flu.

Acabemos com a hipocrisia. Ou o clube muda radicalmente o gerenciamento de sua divisão de base ou que venda a área para o Zeca Pagodinho ampliar suas posses na região. Eu apoio a primeira opção, claro, e não vejo porque não possamos persegui-la aqui e agora. Mas não sou ingênuo, nem otário (acho, pelo menos), de modo que pergunto: será que o problema é que os melhores jogadores que saem de Xerém NÃO podem ser escalados no time profissional do Fluminense? Quem souber responder que o faça.

***

PS. Eu não tenho nada com isso: mas fui só eu quem achei patética a declaração do Rogerio Ceni dizendo que o Ganso é jogador de Real Madrid ou Barcelona? Essa é a definição de “Imperialismo cultural” no meu dicionário. E olha que o cara joga no campeoníssimo São Paulo, um tricolor com uma história muito rica. Eu, de minha parte, penso o contrário: Cristiano Ronaldo e Messi tinham vaga no atual Flu, o primeiro no lugar do Wagner, o segundo no do Sóbis. Ficaria interessante nosso ataque. Se jogariam em outros times (o de 1952, a máquina, o de 1984), depende da opção do professor. Será que barrariam o Didi e o Rivelino? O Tato acho que sim, né?

Panorama Tricolor

@PanoramaTri

Foto: Fluminense F.C.

O ESPÍRITO DA COPA BANNER NOVO

2 Comments

  1. Muito bom! Em simples e poucas palavras disse tudo e mais um pouco. Nossa arrogância, preponderância e até auto-confiança em muitos momentos torna-nos incapazes de termos opinião formada e nos vemos simplesmente persuadidos por ideias que não concordamos. Desrespeito desde o presidente, até o menino de 10 anos na arquibancada , passando pelos atletas e treinador. Acabamos todos se xingando e se batendo, gerando uma grande guerra política de interesses alheios e egoísmo. Gentileza gera Gentileza

  2. Grande Gabriel,

    sou adepto de uma teoria simples: dirigente deve dirigir bem, jogador jogar bem, cronista escrever bem e torcedor torcer bem. Cada um no seu lugar e papel. O problema é quando dirigente quer jogar, jogador quer escrever, torcedor quer dirigir e cronista torcer.

    ST,
    João Leonardo

Comments are closed.