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Os números tricolores no Brasileirão – 2008 a 2017 na 24ª rodada





Certamente o momento não é bom, mas o Fluminense já esteve em situações bem piores em outras temporadas.

A baixa performance até aqui nem se explica somente pelas derrotas, mas também pelo grande número de empates, 10, o maior das últimas dez edições do Brasileirão. Consequentemente, o Flu venceu pouco até agora: apenas sete partidas em 24 disputadas.

Da rodada 24 até a 38, os piores desempenhos do Flu foram em 2015 e 2013, temporadas onde ainda dispunha de jogadores mais caros e valorizados, bancados pela antiga patrocinadora Unimed, obtendo 13 pontos de 42 possíveis, aproveitamento de 31%.

No Brasileirão 2017 até aqui, o Fluminense tem aproveitamento de 43%; se mantiver esta média, só estará matematicamente livre do rebaixamento na 36ª rodada. Portanto, é preciso melhorá-la para evitar qualquer susto nas rodadas finais. Seis vitórias dentro dos 14 jogos a serem disputados dariam a tranquilidade total. No mínimo, cinco vitórias e um empate.

Curiosamente, em um dos Brasileiros onde mais sofreu derrotas (11, no ano de 2011), o Fluminense acabou classificado para a Libertadores, conseguindo o terceiro lugar na competição nacional. O time perdia muito, mas também vencia.

Panorama Tricolor

@PanoramaTri

Fluminense x Libertad, há 50 anos nas Laranjeiras (da Redação)



Em 05/07/1967, há exatos 50 anos, o Fluminense recebeu o Libertad do Paraguai para um amistoso nas Laranjeiras.

Numa partida marcada pela violência e pela aridez técnica, o Tricolor saiu vitorioso por 1 a 0, com um gol de Samarone.

Estiveram presentes 2.611 torcedores na partida arbitrada pelo então iniciante Arnaldo César Coelho.





Panorama Tricolor

@PanoramaTri

Imagem: jb

 

Dez anos depois, Copa do Brasil 2007



Era uma noite de incertezas. Na primeira partida da decisão, o Flu não perdera por um triz: levou um golaço no fim do jogo, conseguiu o empate e a torcida saiu silenciosa. Eu gritei muito, ao lado de meus amigos Raul, Gomes e Tiba: depois de uma reação como aquela - saída dos pés do desconhecido Thiago Neves -, o título estava assegurado.

Não pude ir ao Orlando Scarpelli. Fui para a churrascaria Estrela do Sul na praia de Botafogo, que já não existe mais, com o Tiba. Colocaram um telão, tricolores anônimos e famosos apareceram. O Flu fez tudo diferente: acostumado a ganhar campeonatos no último segundo, venceu daquela vez com um golaço no comecinho e depois aguentou firme. A jogada de Adriano Magrão para Roger é um clássico eterno da história tricolor.


Jogando em casa, o Figueirense fez de tudo para empatar, mas não conseguiria: o nosso time era um demônio na marcação e, quando a bola chegava ao nosso gol, o inacreditável Fernando Henrique defendia tudo, às vezes até com as mãos. Reconheço: ele foi um monstro.

Ainda na churrascaria, em certo momento da partida alguém deu um passe para o lado e gritei: “Lança essa, Deley! Vamos decidir o jogo!”. Encostado numa pilastra, vendo o jogo em pé e saboreando um drinque, o eterno craque retrucou: “Não dá pra mim, brother”. E rimos.

No fim do jogo, fizemos nossa caminhada da vitória até a casa sagrada. A Pinheiro Machado virou um mar de três cores. Lembro de muitos jovens cantando e pulando. Foi uma noite imortal. No dia seguinte o mar tricolor invadiu o Santos Dumont e Renato, sempre ele, fez sua tradicional pose de fanfarrão com grandes óculos escuros, sem sorrir, na frente do caminhão que trouxe os campeões – ele pode. A correria foi maravilhosa.

Dez anos depois, o que lembro é que aquela conquista foi absolutamente sensacional. Ela foi mergulhada em teatro. Depois daquele seis de junho, viveríamos infernos e céus, tragédias e alegrias. O Fluminense desde 2007 virou protagonista do futebol brasileiro, fosse conseguindo grandes conquistas, fosse vivendo grandes dramas, fosse fuzilado pela imprensa calhorda do país. Viveu, sorriu, chorou, ganhou cicatrizes e lembranças inesquecíveis. A saga permanece até hoje, quando novamente desacreditados, estamos revivendo a história do “timinho” que pode ir longe.

Há dez anos, o Fluminense que eu vivi inundou meu peito de alegria. Foi a primeira vez naquele 2007 que eu tive um dia de felicidade, desde a passagem da minha mãe, ocorrida meses antes. E também foi o último título visto por meu pai.

A Fernando Henrique, Roger, Adriano Magrão, Renato Gaúcho, Carlos Alberto, a turma toda, aquele velho Maracanã imortal e tudo mais, um abraço da mais sincera saudade.

Imagem: Fernando Maia - O Globo


@pauloandel

Edinho 62

A homenagem do PANORAMA a um dos maiores jogadores da história do Fluminense, que completa 62 anos neste 05 de junho.











Colaborou o escritor Valterson Botelho

Os dias difíceis do Fluminense de 1989

Em maio de 1989, a coisa não ia nada bem para o Fluminense. Todo o time tricampeão dos anos 1980 havia sido desfeito na gestão do presidente Fábio Egypto, e o Flu estava há quatro anos sem levantar uma taça.

A devastação tricolor da época não impediria que o Flu viesse a disputar títulos nos anos seguintes, casos de 1991, 1992, 1993 e 1994, mas a seca de conquistas só terminaria em 1995, com o imortal gol de barriga no Fla x Flu do Centenário.



Sobre a torcida única (por Paulo-Roberto Andel)



A decisão judicial em caráter liminar que impõe a torcida única nos clássicos disputados no Rio de Janeiro é, acima de tudo, um ato de eficácia mínima em relação ao problema dos confrontos criminosos vinculados ao nosso futebol.

O crescimento pelo interesse dos torcedores, que começa nos públicos de 20 mil pessoas nos anos 1910 e 1920, chegando aos mais de 100 mil entre as décadas de 1960 a 1990, foi semeado pelo grande apelo popular dos clubes cariocas e pela emoção dos jogos clássicos. São eles que, ainda hoje, alimentam de forma lúdica a paixão pelo futebol, sem desrespeito aos clubes de menor investimento.

A violência, crescente em toda a sociedade, passou a atingir o futebol corriqueiramente, ainda que seus promotores constituam cerca de 0,0000000001% dos torcedores, sendo alguns figurinhas carimbadas na seara policial. Um problema de segurança, de Estado e que sempre teve menos atenção do que deveria. Resultado: a contribuição para o afastamento gradual de torcedores dos campos de futebol, também motivados por outros fatores. Hoje em dia, um clássico no Rio mobiliza cinco ou seis vezes menos torcedores do que há duas décadas. Seria uma demonstração de crise e fracasso caso o problema interessasse de verdade aos meios de comunicação e, especialmente, à televisão, numa grande campanha de combate à violência, mas também com o resgate dos verdadeiros torcedores para as arquibancadas. Não é o que exatamente acontece.

Ao impor a torcida única, o poder público parece desconhecer completamente o modus operandi do minúsculo núcleo criminoso que habita o mundo futebol. Em inúmeros casos, os ataques do banditismo acontecem a muitos quilômetros dos estádios - e assim continuarão, pois a medida em nada os atinge. O único efeito prático é o afastamento ainda maior dos torcedores dos campos, cada vez mais utilizando bares e residências para acompanhar as partidas. A quem interessa um espetáculo sem público presente? Certamente não é aos clubes.

A violência é um problema de segurança e deveria ser tratada como tal, num todo. Esvaziar os clássicos em nome do combate a ela é como desestimular os consumidores a frequentarem um shopping center que teve uma loja assaltada, ou restringir o acesso geral a uma grande praia porque um turista sofreu uma violência. É tratar uma bursite com amputação. É ferir o princípio da razoabilidade, punindo 99,99999% dos torcedores, que possuem boa índole. É reconhecer o fracasso e a derrota do sistema de segurança pública.

Com ou sem torcida única, a violência continuará a prosperar caso a Polícia e a Justiça não façam o que parece óbvio: identificar, prender e punir os criminosos. Com torcida única, todos perdem, com exceção dos praticantes da violência. E o futebol do Rio fica cada vez mais parecido com seu símbolo maior, o Maracanã: abandonado, desperdiçado e pouco atraente.

A demagogia não tem força para solucionar este problema grave. É como enxugar gelo.

@pauloandel

Onde você estava naquele gol de barriga?

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O novo livro do PANORAMA sai em novembro, junto com "O Fluminense na estrada".

Os escritores André Viana e Paulo-Roberto Andel apresentam histórias inesquecíveis de torcedores anônimos, conhecidos e famosos naquele dia inesquecível que consagrou a conquista do Campeonato Carioca de 1995.

Com a direção de Zeh Augusto Catalano, da Vilarejo Metaeditora.

 

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@PanoramaTri

Panorama Especial: NetFlu, patrocínio e estádio

tv panorama verde

Paulo-Roberto Andel e Fagner Torres debatem com Leandro Dias sobre a anistia ao NetFlu, o patrocínio ao Flu e uma breve passada pela questão do estádio tricolor.

Direção de Silvio Almeida.

Nota: horas depois desta gravação, o Fluminense fechou seu patrocínio com a Caixa até o final de 2016.

Há 25 anos

Em 10 de agosto de 1991, o Fluminense estava disputando um torneio europeu. Dias depois, voltava ao Rio com o treinador Edinho preocupado com as arbitragens.


fluminense 10 08 1991

Didi, 1952

DIDI NO FLUMINENSE 1952

Um dos maiores jogadores da história do futebol mundial, Valdir Pereira - o Didi - nasceu em Campos, interior do Rio de Janeiro, em 08 de outubro de 1928.

Foi eleito o melhor jogador da Copa do Mundo de 1958, quando a imprensa europeia o chamou de "Mr. Football" ("Senhor Futebol").

No Fluminense, Didi jogou entre 1949 e 1956, clube pelo qual jogou mais tempo de forma ininterrupta, tendo realizado 298 partidas e feito 91 gols. Teve participação decisiva nas conquistas do Campeonato Carioca de 1951 e do Mundial de 1952.

Como treinador, Didi foi campeão carioca em 1975 comandando a inesquecível Máquina Tricolor.

Flu 3 x 2 Fla, mas…

Era tudo completamente diferente. Em 26 de junho de 1993, acontecia um Fla x Flu no estádio de Caio Martins, em Niterói, no meio de semana à tarde, pelo Torneio Rio-São Paulo. E deu Fluzão, 3 x 2 de virada.

No final, uma confusão envolvendo os rubro-negros Djalminha e... Renato Gaúcho, ele mesmo.

Dois anos depois, o mesmo Renato é que levaria os flamenguistas à loucura com seu eterno gol de barriga.



renato djalminha 1

renato djalminha 2

Modéstia

mosaico panorama geral


Colaboração de Leandro Flaeschen


Depois de ver a vitória do Chile sobre a máquina argentina, parei para pensar sobre o jogo, Como pode um time com jogadores brilhantes e com forte habilidade de criação ser derrotado pelo modesto Chile?

Oras, durante o jogo pude notar que, quando houve pressão contra os “hermanos”, o time perdeu sua força criativa e começou a colocar suas esperanças sobre seu camisa 10, seu "salvador", o rei Lionel Messi. Nem mesmo as jogadas mágicas dele conseguiram virar o jogo e mesmo quando o próprio teve a genialidade de fazer uma grande jogada, deixando seus companheiros em boa posição, os mesmos não conseguiram finalizar.

Bem, façamos agora uma comparação com o nosso time; algum tempo atrás, o time do Fluminense jogava todo em função de apenas um "Messias", nosso camisa 9, Fred. O time também perdia sua força de criação e ficava estagnado em campo. Essa análise me fez pensar: como um time tão modesto quanto o do Chile pôde conquistar a Copa América duas vezes seguidas, e nessas duas finais superando a mesma Argentina? O Chile tem um time mediano, mas que em seu conjunto joga uma bola redonda e chegou a vencer o Brasil nas eliminatórias.

Depois da saída do nosso artilheiro, o time passou a ser mediano, dependente das boas atuações de Scarpa, Magno Alves e, uma vez ou outra, do Cicero. Esse time modesto tem potencial para nos deixar numa boa posição na tabela. Que possamos aprender com a modéstia do Chile, que mesmo com um time sem estrelas e sem a credibilidade dos profundos conhecedores de futebol, nos mostrou que uma equipe que joga como um grupo pode vencer um adversário que, nos palpites, é melhor, ou que tenha a mídia a seu favor.

@PanoramaTri

Fluminense, campeão da Copa do Brasil em 2007

2007 copa do brasil roger

POR AGÊNCIA PLACAR / / / 06/06/2007 0:00 / atualizado 04/03/2012 2:04

RIO DE JANEIRO - Não falta mais a Copa do Brasil na galeria de troféus nas Laranjeiras. O Fluminense venceu o Figueirense por 1 x 0, nesta quarta-feira, no Orlando Scarpelli, e levantou a taça, inédita na história do clube carioca. O gol do título foi marcado por Roger, ainda na primeira etapa.

No primeiro confronto, realizado no Maracanã na última quarta, houve igualdade por 1 x 1, resultado que obrigou os cariocas a vencerem ou empatarem por mais de um gol para ficarem com o caneco. Com a conquista, o Fluminense se credenciou para disputar a Copa Libertadores de 2008.

A intenção do Fluminense era reverter a vantagem que inicialmente era da equipe local e, logo aos três minutos, conseguiu seu intento. O lance começou quando o zagueiro Felipe Santana, visivelmente nervoso, deu um lateral de graça para o Tricolor. Na seqüência, Ruy colocou para escanteio. Após a cobrança, Adriano Magrão recebeu pela direita e levantou para Roger, sozinho, matar no peito e emendar, sem chances para Wilson.

Depois do gol, o Figueira foi todo pra cima e quase igualou aos 10. A defesa do Tricolor parou imaginando que um cruzamento longo de André Santos saíra. Victor Simões recebeu de Anderson Luiz e tocou de bico no poste direito de Fernando Henrique.

Encolhido, o Flu tentava se segurar dos ataques adversários. Aos 16, Victor Simões retribuiu o passe e Anderson Luiz, diante do goleiro carioca, concluiu na rede pelo lado de fora.

Aos 28, Fernandes (que já entrara em lugar de Anderson Luiz) recebeu de Claiton Xavier belo passe calcanhar e furou, cara a cara com Fernando Henrique. O Fluminense respondeu no minuto seguinte, Com Arouca fazendo linda jogada individual e finalizando para linda defesa de Wilson que salvou o segundo gol.

Logo depois, o treinador Mário Sérgio resolveu fazer a segunda substituição ainda na primeira etapa, sacando Vinícius e colocando Edson.

E o Figueirense seguia pressionando. Aos 36, após cobrança de escanteio executada da direita, Chicão, quase na pequena área, concluiu por cima da meta tricolor.

Repetindo o que fizera os catarinenses no Maracanã, a equipe das Laranjeiras se postava bem na defesa e exercia forte marcação, dificultando as ações contrárias.

O panorama do segundo tempo seguiu com o Figueira pressionando. Aos sete minutos, Victor Simões recebeu de Ruy e disparou para Fernando Henrique defender em dois tempos. No minuto seguinte, Claiton Xavier escapou pela esquerda e finalizou cruzado, com perigo.

A resposta tricolor veio aos nove e quase foi mortal. Alex Dias invadiu a área, corou um contrário e chutou por cima, perdendo grande chance para ampliar a vantagem.

Contudo, o tempo foi passando, e o time local, necessitando virar o jogo, mais nervoso. Aos 31, o Flu criou outra grande chance com Alex dias, mas Wilson fez linda defesa e evitou o segundo gol carioca.

Aos 37, Carlinhos progrediu pela meia direita e chutou forte da entrada da área para nova boa defesa do goleiro do Figueira.

Nos minutos finais, os locais foram com tudo para cima. Aos 42, Claiton Xavier bateu forte, mas Fernando Henrique espalmou e garantiu o título da Copa do Brasil para o Fluminense.

"A maravilhosa e apaixonante torcida do Fluminense deixava o majestoso Maracanã com o gosto de féretro, após ter lotado o estádio para a primeira partida das finais da Copa do Brasil. Henrique, jogador do Figueirense, fez um golaço chutando de longe, acertando o ângulo do Perseguido (que, além das deficiências, tem o azar como sina). A mágoa daquele chute não foi desfeita pela raça de Adriano Magrão, que empatou o jogo a centímetros do fim. A família Fluminense desceu as rampas de concreto com tristeza e desesperança. Houve um engano: poucos ali se lembraram de que o Fluminense, totalmente descartado pela mídia, havia revertido três vantagens de mando de campo para chegar até a final - e que uma quarta seria possível. Segundo: o gol de Magrão era um prenúncio; um time que estivesse fadado ao fracasso não conseguiria empatar aquele jogo. E então passou uma semana, e então Roger recebeu o maravilhoso passe de Magrão, fez o gol histórico e o Fluminense nunca mais perdeu aquele título - foi o supremo campeão."

Paulo-Roberto Andel

FIGUEIRENSE 0 x 1 FLUMINENSE

Data: 06/06/2007 (quarta-feira)
Local: Orlando Scarpelli, em Florianópolis (SC)
Árbitro: Heber Roberto Lopes (Fifa-PR)
Assistentes: Roberto Braatz (Fifa-PR) e Altemir Hausmann (Fifa-RS)
Cartões amarelos: Édson (FIG); Junior César, Thiago Neves (FLU)
Gol: Roger, aos 3min, do primeiro tempo.

Figueirense: Wilson; Felipe Santana, Chicão e Vinícius (Edson); Ânderson Luiz (Fernandes), Henrique, Ruy, Claiton Xavier, Diogo (Ramon) e André Santos; Victor Simões. Técnico: Mário Sérgio

Fluminense: Fernando Henrique; Carlinhos, Thiago Silva, Roger e Junior Cesar; Fabinho, Arouca, Cícero e Carlos Alberto (Thiago Neves); Alex Dias e Adriano Magrão (David). Técnico: Renato Gaúcho

Ainda sobre Edinho

edinho verde

O eterno zagueiro e capitão do Fluminense completou neste domingo (05/06) 61 anos de idade. Relembre alguns de seus inesquecíveis gols, bem como uma entrevista concedida ao escritor Valterson Botelho no site Ídolos Tricolores.



Xodó da Vovó: Wilsinho, há 30 anos

Em 25 de maio de 1986, o Jornal do Brasil informava a volta do ponta-direita Wilsinho, o Xodó da Vovó, ao time do Fluminense, depois de quatro meses afastado por contusão.

Wilson Costa de Mendonça, nascido em 03 de outubro de 1956, vestiu a camisa do Fluminense em 70 ocasiões, 43 delas como titular, marcando sete gols. Campeão brasileiro em 1984, carioca em 1984 e 1985.

De tarde, jogando no estádio Luso Brasileiro, o Fluminense venceu por 2 a 0, numa partida marcada pelas faltas violentas do time da Ilha do Governador.

flu wilsinho 25 05 1986

 

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Há 40 anos

O Fluminense esperava o craque Afonsinho para celebrar sua contratação e reforçar a Máquina, mas acabou não concretizando a transação.

Curiosamente, o meia só veio a defender o clube no encerramento de sua carreira, por três meses em 1981.

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Conca 33

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Colaboraram Fabrício Barradas, Marlos Bittencourt e Futvideos

Imagem: Ralff Santos

@PanoramaTri

Edinho 1982

O criticado comentarista já foi um zagueiro dos grandes com a camisa do Fluminense.

Em 1982, a revista Placar era só elogios sobre as condições físicas e técnicas de Edinho nas Laranjeiras.

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Teixeira Heizer, “A Enciclopedia”

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Com seis décadas de carreira e o título de "Enciclopédia do futebol brasileiro", não é injusto dizer que Teixeira Heizer foi o equivalente a Nilton Santos no jornalismo esportivo brasileiro.

Uma máquina de informações, referência no setor, trabalhou nos grandes veículos de comunicação e foi uma inspiração para nomes como Juca Kfouri e Fernando Calazans, assim como Nelson Rodrigues e João Saldanha tinham sido para ele, Heizer.

Um ardoroso torcedor do Fluminense e um dos decanos das redações e estúdios, quando isso significava qualidade. Ainda criança, ouvi muitas vezes os jornalistas de minha admiração dizerem algo como "o Teixeira disse". Pude lê-lo na revista Placar. Definitivamente, eram outros tempos.

Dono de redação impecável, voz marcante e convicções firmes, Teixeira Heizer passou os últimos anos de sua carreira profissionalmente no futebol internacional. Pensando bem, fazia sentido: o Maracanã dele era outro.

Deixou três grandes livros, sendo o último lançado pouco antes de sua internação final. Muito antes de partir, já tinha deixado saudade.

Teixeira Heizer é um dos nomes que, de alguma forma, inspiram a construção diária deste PANORAMA. E assim continuará.

@pauloandel

Outros tempos, outras arquibancadas

Campeonato Carioca de 1980.

Não havia TV transmitindo jogos, nem internet e, consequentemente, smartphones.

Outros tempos, outras arquibancadas.

Às vésperas de se credenciar para a decisão do primeiro turno, o Fluminense enfrentava o time do Campo Grande no Maracanã, numa quarta-feira às 21 horas. A vitória por 2 a 0 teve mais de 30 mil tricolores presentes ao estádio.

No domingo seguinte, no clássico decisivo contra o Vasco em jogo extra, mais de 100 mil torcedores presentes. Com empate no tempo normal em 1 a 1 e na prorrogação por 0 a 0, veio a disputa por tiros livres da marca penal. Em grande tarde de Paulo Goulart no gol, o Fluzão venceu por 4 a 1, classificou-se para a final da competição e, nela, venceria novamente o Vasco: 1 a 0, gol de Edinho. Era o grande campeão de 1980 definitivamente consagrado.

fluminense 2 0 campo grande 1980

Em 1993, as promessas no Fluminense

Há 23 anos, publicava a revista Placar sobre as expectativas do Fluminense para o campeonato carioca e a temporada de futebol, num time formado em sua maioria por jogadores desconhecidos.

 

fluminense carioca 1993 placar 1

fluminense carioca 1993 placar 2

Dia do Goleiro – 26 de abril

O Dia do Goleiro é comemorado em homenagem a Aílton Corrêa Arruda, o goleiro Manga, nascido no dia 26 de abril de 1937.

Ainda hoje considerado um dos melhores goleiros da história, Manga começou no Sport Recife em 1957 e depois defendeu o Botafogo, o Nacional do Uruguai, o Internacional de Porto Alegre, o Coritiba, o Grêmio, o Operário do Mato Grosso do Sul e, por fim, o Barcelona do Equador, encerrando sua carreira em 1982. Na Copa de 1966, Manga jogou uma única partida, contra Portugal, ao substituir Gilmar dos Santos Neves, mas não teve sorte. Os portugueses levaram a melhor com o placar de 3 x 1 e o Brasil, eliminado, foi mais cedo para casa.

Essa data foi oficializada em 1976. Um ano antes, o primeiro dia do goleiro foi proposto para ser comemorado em 14 de abril, porque naquela data, uma grande festa reuniu goleiros e ex-goleiros no Rio de Janeiro. Foi uma idéia do tenente Raul Carlesso e do capitão Reginaldo Pontes Bielinski, professores da escola de Educação Física do Exército. Mas já em 1976 definiu-se como data oficial 26 de abril, dia do aniversário de Manga, na época campeão brasileiro pelo Internacional aos 38 anos. No final daquele mesmo ano, aos 39, Manga chegou ao bi brasileiro pelo Inter.

Em homenagem ao Dia do Goleiro, o PANORAMA celebra alguns dos heróis que vestiram a camisa do Fluminense e também da Seleção Brasileira: Marcos Carneiros de Mendonça, Batatais, Castilho, Veludo, Félix, Paulo Victor e Diego Cavalieri

MARCOS CARNEIRO DE MENDONÇA

BATATAIS

CASTILHO

VELUDO FLUMINENSE

FELIX FLUMINENSE

PAULO VICTOR FLUMINENSE

CAVALIERI FLUMINENSE RALFF SANTOS

Colaborações de Marcelo Duarte ("O guia dos curiosos"), Ralff Santos, Photocamera e Fluminense F.C.

@PanoramaTri

Skylab 1998 no Jô Soares Onze e Meia

SKYLAB 1998

Nosso colunista Rogerio Skylab no ano de 1998, em entrevista a Jô Soares em seu programa "Onze e Meia" no SBT (sempre bem depois da meia noite), seguida de performance ao vivo, com o clássico "Motoserra".

Manifesto contra os abusos praticados pela Polícia Militar do Estado de Minas Gerais (por Felipe Fleury)

felipe fleury green 2016

Ninguém me contou. Eu vi.

Como tantos outros milhares de tricolores, estive no Estádio Municipal de Juiz de Fora para assistir à final da Primeira Liga entre Fluminense e Atlético Paranaense.

Logo após o apito final, os jogadores se aproximaram do alambrado do setor vermelho para agradecer ao torcedor e fazê-lo sentir-se perto daquele grupo que o fez sonhar com dias melhores, a torcida que, em êxtase, soltava o grito de campeão após quase quatro anos!

Não podia ser diferente. O torcedor, entendendo o recado, desceu da arquibancada e se postou numa espécie de corredor que fica entre os asssentos e o alambrado. Muitos tentaram escalá-lo, alguns chegaram a pulá-lo.

Foi nesse momento que se iniciou o espetáculo de truculência e despreparo protagonizado pela Polícia Militar de Minas Gerais. A fim de conter a multidão que se aglomerava no alambrado, os policiais acionaram seus sprays de pimenta contra aquele grupo.

Ato contínuo, um dos brigadianos efetuou, desnecessariamente, um disparo com bala de borracha contra a torcida.

A senha para a confusão foi dada.

Torcedores indignados, não apenas torcedores organizados, passaram a alertar os policiais de que ali havia crianças, mulheres e idosos e alguns passaram a repelir a agressão gratuita atirando hastes de plástico das bandeirinhas recebidas na entrada do estádio, copos de água mineral vazios e outros objetos sem qualquer ofensividade.

Não foi uma atitude inteligente, muito menos correta, por certo, reagir contra policiais, mas contra esse “vasto arsenal”, de “elevado poder vulnerante”, mais balas de borracha e muitas bombas de gás lacrimogêneo.

Eu, no alto da arquibancada, senti os efeitos do gás intensamente. Muitas crianças, mulheres e idosos também. Um deles ajudei retirando do local, porque não havia como um senhor que aparentava cerca de 80 anos, subir os degraus sem ajuda. Crianças nos colos dos pais aos prantos, mulheres apavoradas. Cheguei a presenciar uma menina desmaiada sendo carregada para o posto médico.

A Polícia não agiu para conter uma invasão, porque se fosse esse o seu propósito, teria utilizado os cães que estavam ao seu dispor. O cachorro da PM é treinado para situações desse tipo, mas em momento algum foi acionado, até porque os que conseguiram alcançar o gramado não ofereceram qualquer resistência e foram facilmente dominados pelos policiais que faziam a segurança em campo.

Ninguém ali pretendeu agredir jogadores do time adversário ou policiais. Todos tinham apenas um único desejo: celebrar o título com a equipe.

Embora a comemoração pretendida não fosse permitida, a reação da polícia mineira foi absolutamente desproporcional e abusiva.

Os policiais preferiram disparar balas e bombas de gás contra o torcedor que estava do seu lado do alambrado, provocando pânico e confusão nas arquibancadas.

Foram várias e, em certo momento, pareceu um campo de batalha, quando todos estávamos ali somente para comemorar um título, nada além disso.

Por pouco, muito pouco não não houve vitimados mais graves.

Quando se trata de lidar com o público é preciso ter cuidado, cuidado que os policiais escalados para o evento não tiveram.

Milhares de torcedores não puderam ver o Fluminense levantar a taça. Preferiram tomar o rumo de casa a ter a si próprios ou a um ente querido ferido ou intoxicado gravemente, ou ainda vítima da multidão que, aturdida pela violência, promovesse um corre-corre para sair do estádio.

A torcida tricolor viajou para ver seu time campeão, só não contava que fosse tocada do estádio como gado, por uma despropositada, desproporcional e irrazoável atuação da Polícia Militar do Estado de Minas Gerais, despreparada para agir em eventos daquela natureza.

Este texto, portanto, é um desabafo e também um manifesto.

Um manifesto de torcedores inconformados para que agentes públicos, pagos para servir à população, tenham a exata noção de que lidar com vidas exige cuidado e treinamento e que é preciso pôr fim a uma cultura de que somente após a ocorrência providências sejam tomadas pelas autoridades públicas.

Fica o alerta.

@FFleury

Há 25 anos

Em 11 de abril de 1991, o Jornal do Brasil noticiava a possível nova camisa do Fluminense (cuja versão final ficou conhecida como a "das bolinhas"), mais a filosofia do treinador - e ex-jogador do clube - Gílson Nunes.

Curiosamente, a ilustração da matéria é uma camisa com o escudo do Vitória.

fluminense 11 04 1991 JB

@PanoramaTri

 

Gols e palavras de Magno Alves

imagem sérgio andrade o globo magno alves

Ele já desafiou definições e bateu recordes com a camisa do Fluminense. Relebre grandes momentos de Magno Alves com a camisa tricolor.









Colaboração de Henrique Breder e Valterson Botelho

Imagem: Sergio Andrade - O Globo

@PanoramaTri

Há 11 anos, os 4 a 1 no Fla-Flu da Taça Rio

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03/04/2005 - 18h03
Fluminense goleia e é campeão da Taça Rio

Do Pelé.Net
No Rio de Janeiro

Um dos cantos mais famosos da torcida do Fluminense há anos diz: "A benção, João de Deus, nosso povo te abraça." Um dia após o falecimento do papa, o abraço foi de agradecimento e homenagem. O Fluminense goleou o Flamengo no Maracanã por 4 a 1 e conquistou a Taça Rio, equivalente ao segundo turno do Campeonato Carioca.

Os gols foram marcados por Tuta, Leandro, Alex e Preto Casagrande, todos na etapa final, e Zinho descontou, em um domingo típico de praia e futebol no Rio de Janeiro. Os termômetros marcavam 40 graus nas imediações do estádio.

Os 65 mil ingressos estavam esgotados desde sexta-feira, e o público presente foi de 74.650 pessoas, no último clássico que contou com a presença dos geraldinos. O Maracanã entrará em obras e o setor com ingressos mais baratos ganhará cadeiras.

Na 100ª edição do campeonato, o Fluminense poderá conquistar seu 30° título e manterá o domínio de conquistas, que vem desde a primeira edição. O Flamengo continuou com 28.

O time de Abel Braga completou seu nono jogo invicto. Foram oito vitórias e um empate, contra o Vasco, na semifinal. Com excelente atuação de Juan, que sofreu penalti, iniciou a jogada do segundo gol e deu passe para o terceiro, o time ficou a um gol da maior goleada da história sobre o rival (5 a 1).

O Flamengo não contava com dois dos destaques do time na competição, Júnior Baiano e Renato, que estavam suspensos. Sem vencer um clássico no campeonato, empatando os três primeiros por 2 a 2, o time de Cuca foi apenas o oitavo colocado na classificação final dos dois turnos, com 13 pontos no total.

Do outro lado, o Fluminense não tinha Felipe - que atuou em apenas três jogos na Taça Rio -, Marquinho, Tiuí e Fabiano Eller. O time das Laranjeiras ficou em terceiro na soma dos dois turnos, com 20 pontos ganhos no somatório.

Agora, a equipe enfrenta o Volta Redonda, vencedor da Taça Guanabara, dias 10 e 17, no Maracanã, para definir quem leva o Campeonato Estadual de 2005. Em caso de empate nos dois jogos ou uma vitória para cada lado com a mesma diferença de gols, o título será definido nos pênaltis.

O JOGO

O Fla-Flu começou truncado, com jogadas ríspidas de ambos os lados. O meia Diego, do Fluminense, levou cartão amarelo logo no segundo minuto, após reclamar de falta no ataque.

Aos 4min, Gabriel chegou pela direita e cruzou para Juninho, dentro da área, no primeiro ataque do Fluminense. O árbitro, porém, considerou erradamente toque de mão no momento do domínio e parou o lance, quando o jogador ficaria na cara do goleiro Diego.

Os dois times pareciam nervosos e não conseguiam organizar uma boa jogada de ataque, apesar do maior domínio da posse de bola por parte do Fluminense. O primeiro chute a gol só aconteceu aos 23min, quando Juan tocou para Gabriel em cobrança de falta. O lateral chutou da meia-lua da grande área, de canhota, e mandou por cima do gol.

Aos 27min, o Flamengo cobrou escanteio pela direita e Dimba fez falta no goleiro Kleber. Irritado, o arqueiro reclamou com o árbitro, gerou uma confusão e acabou levando amarelo, junto com o atacante.

Na seqüência, Leandro recebeu sozinho pela direita do ataque, deu leve toque encobrindo Diego, que havia saído do gol desesperado, mas colocou pelo lado, assustando a imensa torcida flamenguista presente ao Maracanã.

O Fluminense era melhor em campo, mas a equipe da Gávea quase abriu o placar quando Marcos Denner recebeu passe de Júnior pela direita, entrou na área e cruzou. A bola passou por dois do Fluminense, mas Antônio Carlos afastou na pequena área, aos 37min.

O primeiro tempo terminava sem um chute a gol do Flamengo, em um jogo disputado muito mais na garra do que nas partes técnica e tática. As emoções pareciam estar guardadas para os 45min finais.

Logo aos 2min da etapa final, Ricardo Lopes tocou Juan com a perna direita, no bico da grande área, pela esquerda, e o árbitro Luiz Antonio Silva dos Santos apontou a marca do pênalti. Tuta cobrou rasteiro, no meio do gol, e abriu o placar no Maracanã.

Aos 6min, em um contra-ataque rapidíssimo, Juan passou para Diego, que lançou Tuta pela esquerda. O atacante avançou e cruzou para Leandro, dentro da área. Ele dominou e tocou de pé direito no canto oposto, na saída do goleiro Diego, marcando o segundo. Em 6min, mais emoção do que em todo o primeiro tempo.

Ao som de "A benção, João de Deus", a torcida tricolor, em êxtase, balançava o Maracanã, mas tomou um susto aos 9min, quando André Santos chegou na área, driblou dois zagueiros, mas chutou prensado, no bico esquerdo da pequena área. No escanteio, a zaga aliviou.

O técnico Cuca resolveu então apostar suas fichas em Zinho e Geninho nos lugares de Júnior e Marcos Denner, tentando dar novo ânimo ao clube da Gávea.

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Logo depois, Abel foi obrigado a tirar Leandro, que jogava no sacrifício por causa de uma lesão na clavícula esquerda, mas já havia feito seu papel na decisão. O artilheiro do Fluminense na competição, Alex, teria 30min para mostrar seu futebol.

Aos 19min, Diego aproveitou a defesa totalmente aberta do Flamengo e carregou da intermediária até a cara do goleiro homônimo. O arqueiro levou a melhor no chute colocado, evitando os primeiros traços de uma goleada.

Cuca resolveu então ir para o tudo ou nada e tirou André Santos, lateral, para a entrada de Adrianinho, meia-atacante. No primeiro contra-ataque da equipe das Laranjeiras, aos 25min, Juan desceu pela esquerda e tocou na medida para Alex, que dominou e deslocou o arqueiro adversário, tocando no canto direito. A goleada estava desenhada e o título assegurado.

Aos 29min, Preto Casagrande entrou pela direita e arriscou. A bola bateu na zaga e voltou para ele, que, com muita categoria, encobriu Diego. Era o quarto do Fluminense, para total delírio da torcida tricolor. Do lado oposto, cabeças baixas e torcedores deixando o estádio mais cedo.

O jogo se desenrolava em ritmo lento depois da goleada garantida e o time das Laranjeiras apenas esperava o apito final do árbitro, mas aos 45min, Zinho, no último lance de sua carreira, aproveitou sobra de uma bola na trave e colocou no canto esquerdo de Kleber. Não era o bastante para evitar a festa tricolor.

FLAMENGO

Diego; Ricardo Lopes, Rodrigo, Fabiano e André Santos (Adrianinho); Da Silva, Jônatas e Júnior (Zinho); Fellype Gabriel, Marcos Denner (Geninho) e Dimba
Técnico: Cuca

FLUMINENSE

Kléber; Gabriel, Antonio Carlos, Igor e Juan; Marcão, Arouca, Diego e Juninho (Preto Casagrande); Leandro (Alex) e Tuta
Técnico: Abel Braga

Local: Estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro (RJ)
Árbitro: Luiz Antonio Silva dos Santos
Assistentes: Ronaldo Cristino Kenupp e Paulo César dos Santos Vaucher
Cartões amarelos: Diego, Kleber, Juninho (Fluminense), Da Silva, Ricardo Lopes, Dimba (Flamengo)
Gols: Tuta, aos 4min; Leandro, aos 6min; Alex, aos 25min; Preto Casagrande, aos 29min; Zinho, aos 45min do segundo tempo

https://youtu.be/xuKvB_nW6Cs

@PanoramaTri

Parabéns Washington, Coração Valente!

washington coração valente

Você já viu muitas comemorações de arrepiar quando se trata de Fluminense. Pode pensar nos pulinhos de Assis e Washington, na solitária corrida heroica de Renato em 1995, na garra de Flávio em 1969 e até imaginar como deve ter sido para Barthô nos 3 a 2 sobre a Gávea em 1912.

Mas poucas imagens têm a força desta publicada acima.

Washington encerrou a carreira como campeão brasileiro pelo Fluminense. Antes disso, foi figura marcante no time que encantou a América em 2008. Num dos maiores jogos da história do clube, ele foi o protagonista e ali marcou sua passagem para sempre com as nossas cores, naquele 21 de maio de 2008.

Em casa, golpeado pela morte de meu pai uma hora antes daquele Fluminense x São Paulo decisivo pela Libertadores, eu não vi aquela partida. Não olhei para a televisão mas ela estava ligada. Quando saiu o gol tido como impossível, na cabeçada fantástica que tirou o tricampeão mundial daquela competição, Renato se jogou em campo feito uma criança, três milhões de tricolores explodiram no Maracanã e pelo mundo afora, enquanto no mais completo silêncio de dor eu senti um momento de paz. Washington fez a homenagem mais justa que Helio Andel merecia.

O Coração Valente nunca jogou uma partida sem garra, nunca comemorou um gol sequer sem a mais pura emoção, foi body and soul dentro dos gramados, inclusive superando o próprio risco de morte depois de uma intervenção cardiológica que poderia ter lhe custado a carreira – mas ele nunca se acovardou diante das intempéries.

Hoje, primeiro de abril, Washington Coração Valente faz 41 anos. Mas já tem dois mil de Fluminense: com aqueles gols, aquela vitória contra o São Paulo e aquele título de 2010, ele já fincou lugar na eternidade há muito tempo.

@pauloandel

Há 51 anos

No nefasto dia 31 de março de 1964, o Jornal do Brasil publicava o encaminhamento da proposta do Santos ao Flu para a contratação de Carlos Alberto Torres.

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@PanoramaTri

Denilson, o Rei Zulu – 73 anos

DENILSON REI ZULU

Denilson Custódio Machado é o sétimo jogador que mais vezes vestiu a camisa do Fluminense, com 433 jogos entre 1964 e 1973. Volante, para muitos é tido como o primeiro cabeça de área da história do futebol brasileiro. Um marcador nato, que posteriormente desenvolveu o talento para lançamentos.

Revelado por Zezé Moreira e lançado no time profissional por Tim, foi tricampeão estadual (1969, 1971 e 1973), ganhando também três Taças Guanabara (1966, 1969 e 1971), além de ser campeão brasileiro em 1970.

Disputou a Copa do Mundo de 1966.

Denílson é daqueles que honraram a camisa do Fluminense em cada centímetro das camisas molhadas de suor. Dele, muitos herdaram a combatividade no clube, tendo como principais exemplos Rubens Galaxe e Marcão.

Ao Rei Zulu, toda celebração é pouca.

@PanoramaTri

Colaboraram os escritores Lucio Bairral e Valterson Botelho

Diego Souza, a incógnita (por Thiago Muniz)

diego souza alexandre cassiano o globo

Meu caro (a) amigo (a) tricolor,

Vimos o filme se repetindo mais uma vez.

Por mais que o senhor Diego Souza tente se livrar do rubro-negro, o dito cujo não larga dele. Isso é uma constatação, um fato.

Um craque, maluco, mas um craque.

Que amadureceu muito tecnicamente nos últimos 10 anos, mas nada mentalmente.

Tinha bola até para ir a uma Copa do Mundo, mas o seu lado psicológico não permitiu que crescesse como jogador. Talvez até disputar a Champions League por um clube português ou francês pudesse ser uma realidade.

Não fui favorável à sua vinda por conta do que fez no passado, mas vinha jogando muito no Sport e o Fluminense precisava de um 10 experiente no meio.

Gostei do que vi dele em alguns jogos, principalmente quando destruiu o Cruzeiro, mas em outros, talvez por ter que jogar improvisado de centroavante - no lugar do Todo Poderoso Visconde de Teófilo Otoni, se desmotivou.

Mas isso são só suposições, nada além disso.

O ar de Recife lhe fez bem: vai nadar com os tubarões rubro-negros, porque é o lugar que procura.

Uma pena, pois poderia contribuir muito para a equipe do Fluminense, mas cada um possui as motivações e fardos que merece.

Acaba sendo uma incógnita porque é um jogador com mente fraca.

O que resta é o Fluminense correr atrás de um camisa 10 com atitude e coragem de assumir com responsabilidade. Quem sabe a Dryworld banca essa idéia?

E vamos tocar o barco. Primeira Liga vem logo amanhã e a vitória chegará.

Com ou sem Diego Souza.

@PanoramaTri

Imagem: Alexandre Cassiano/O Globo

Há 45 anos

Especulações sobre Gerson, Ademir da Guia, Dirceu Lopes e muito mais.

fluminense jb 18 03 1971

@PanoramaTri

Naná Vasconcelos e Assis

nana vasconcelos green

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Minha coluna já estava quase pronta há pouco, quando fui golpeado pela notícia da passagem de Naná Vasconcelos, um dos maiores músicos brasileiros de todos os tempos.

Então tudo mudou, por uma infeliz coincidência associada às minhas lembranças sobre o Fluminense. Explicarei.

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Em 30 de maio de 2014, o Fluminense promoveu em sua sede um encontro com algumas feras do time campeão brasileiro trinta anos antes. Foi uma noite concorridíssima e de forte emoção, tendo em vista que o artilheiro Washington havia falecido cinco dias antes.

Estavam presentes Duílio, Romerito, Wilsinho “Xodó da Vovó” e Assis.

Cerca de uma hora e meia de causos, lembranças e risos, estes disfarçando a dor ali sentida pela perda do estimado camisa 9. A plateia, mesmo comovida, cantava e gritava como se estivéssemos nas velhas arquibancadas daquele Maracanã que também faleceu, vitimado pela força da grana que ergue e destrói coisas belas.

À saída, os ídolos foram louvados como sempre. O único a sair imediatamente foi Assis, cercado por uma legião de fãs como era de se esperar. Percebi que sua caminhada era lenta e, na verdade, ele se apoiava no ombro de um rapaz que creio ser seu filho. O ícone de 1983 e 1984 mantinha sua passada elegante, calma, mas daquela vez parecia dolorida. Alguém ao lado, acho que o Mauricio Lima ou um outro camarada, disse “Cara, ele está muito emocionado, o amigo acabou de falecer, deve ter sido por isso que estava sendo amparado!”.

Não foi o que pensei, mas fiquei em silêncio de contemplação. Assis era um ex-atleta, esguio, imponente. Por mais que estivesse emocionado – e é claro que estava -, eu, que o vi tantas vezes em caminhadas nas Laranjeiras e no gramado do Maracanã, achei que alguma coisa estava errada. Um homem elegante caminhado com sua dor elegante, versos de Leminski à vista:

“Um homem com uma dor/ É muito mais elegante/ Caminha assim de lado/ Como se chegando atrasado/ Chegasse mais adiante/ Carrega o peso da dor/ Como se portasse medalhas/ Uma coroa, um milhão de dólares/ Ou coisa que os valha/ Ópios, édens, analgésicos/ Não me toquem nesse dor / Ela é tudo o que me sobra/ Sofrer vai ser a minha última obra”.

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Domingo de manhã, seis de julho de 2014, prestes a sair para tomar café, o inbox me convocou às sete da manhã. Meu amigo Matheus Frigols, também deste PANORAMA, comunicou a pior das notícias: Assis estava morto.

Desisti da programação inteira e vim para cá escrever. Era minha obrigação. Pouca gente sabia do ocorrido. E você precisa contar a perda do seu grande herói, do cavaleiro imortal daqueles Fla-Flus condenados à eternidade.

ASSIS VIVE!

Eu tinha visto a dor elegante de Assis. E chorei.

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Os que conhecem a minha trajetória de cronista sabem do meu apreço por música, tamanho a ponto de manter uma loja de discos por quatro anos sem lucro até que não foi mais possível. Moro numa casa que parece um depósito de CDs, uns três mil – já teve três vezes mais. Misturados aos livros, eles compõem a beleza e o caos de uma casa modesta.

Conheci Naná Vasconcelos desde criança, era uma presença na vitrola de meu pai. Músico refinado, dos maiores que este país já teve, percussionista cujo talento cativou vários dos maiores artistas do jazz: Miles Davis, Art Blakey, Tony Williams, Don Cherry, Pat Matheny e Oliver Nelson. Só.

Naturalmente, sou um tremendo fã. Naná, torcedor do Santa Cruz, frequentador do Mundão do Arruda.

5

Treze de agosto de 2015, um show espetacular do percussionista no teatro do BNDES. Por sorte, consegui o ingresso na primeira fila.

Temas e temas fantásticos, mais do que um show, uma experiência.

Uma coisa me chamou a atenção: ao término de cada faixa, debaixo de aplausos incontáveis, Naná respirava fundo demais e tocava as costas. Parecia sentir dor. Isso aconteceu várias vezes. Eu, que já tinha visto várias apresentações do artista, achei  estranho e, num súbito, a primeira coisa que me veio à cabeça foi aquela dor elegante do Assis. Segundos depois, um ateu disse “cruz credo” e a vida seguiu.

Show terminado, a plateia voando para comprar o CD novo, fantástico. Só me incomodou a capa vermelha e preta, mas de brincadeira.

No coração do centro da cidade, caminhei e pensei nos lindos versos malditos:

“Um homem com uma dor/ É muito mais elegante/ Caminha assim de lado/ Como se chegando atrasado/ Chegasse mais adiante/ Carrega o peso da dor/ Como se portasse medalhas/ Uma coroa, um milhão de dólares/ Ou coisa que os valha/ Ópios, édens, analgésicos/ Não me toquem nesse dor / Ela é tudo o que me sobra/ Sofrer vai ser a minha última obra”.

Naná e Assis, biótipos parecidos. Dois monstros nas suas áreas de atividade. Poetas da música e do futebol.

6

Poucos meses depois, o músico está internado. Leio as notícias e fico sabendo que ele descobriu um câncer no pulmão logo após ter feito a apresentação no BNDES. As dores nas costas e a respiração difícil eram o aviso daquela noite.

Naná começou o tratamento, voltou a se apresentar e ainda fez sua grande exibição no Carnaval do Recife. Não voltaria ao Rio de Janeiro para mostrar sua música mágica e inconfundível

7

Acabei de parar tudo e jogar a outra coluna fora. Naná Vasconcelos acabou de falecer. Seu legado musical é eterno. Penso nele e em Assis, dois distantes ídolos, dois elegantes exemplos de talento, dois homens negros que superaram a origem pobre e as dificuldades para alcançarem a consagração. Dois homens humildes, ao contrário de tudo que vemos hoje por aí afora, a começar pelos neandertais da internet.

Aquelas dores elegantes das Laranjeiras e do teatro do BNDES só existiram na minha pequena observação particular, mas é justo dizer que elas faziam todo sentido. O Assis é um escudo do Fluminense; o Naná bem poderia ter sido um. Quem dera. Tinha o coração no Santa Cruz, mas sua estirpe era, sem dúvidas, a cara das Laranjeiras.

Os craques vão passando, a história vai escorrendo e os homens dignos ficam mais tristes.

8

Nosso cronista – e músico - Marcus Vinicius Caldeira teve a oportunidade de passar uma tarde com Naná Vasconcelos, quando estava hospedado na casa de Edwin de Olinda – outro monstro da percussão, tendo integrado por muitos anos a banda de Alceu Valença.

Nas palavras de Caldeira, “Ele sentado no banco da praça em Olinda é uma das grandes lembranças pessoais que tenho. Uma perda irreparável. Um dos maiores percussionistas do mundo.”

Entende-se então o luto deste PANORAMA. Naná Vasconcelos e George Martin mortos no mesmo dia são um soco na cara.

9

Amanhã à noite tem o importante jogo contra o Criciúma, na estreia de Levir Culpi e, a julgar pelas palavras do treinador, as expectativas são as melhores.

Que tudo dê certo. Torçamos muito.

Rods e Crys já falaram muito bem sobre o tema nas colunas de hoje, o que ajuda a poupar meu desvio de foco nesta publicação.

É que o futebol e o Fluminense são fundamentais, mas a vida sem amor, respeito e consideração ao próximo não tem cabimento, exceto para os idiotas que jamais terão espaço aqui, sequer na lixeira.

Aqui é Naná Vasconcelos, não Milli Vanilli.



@PanoramaTri