O desafio do time reserva do Flu (por Felipe Fleury)

Não tenho a mesma convicção que muitos tricolores têm ao garantirem que Abel faz certo em poupar todo o time titular do Fluminense para a partida contra o Flamengo, que será realizada logo mais em Cariacica/ES.

O argumento de que na semana que vem teremos um jogo muito mais importante, contra o Liverpool do Uruguai pela Sulamericana, se justifica apenas em parte. É claro que, com a medida, evita-se o risco de alguma lesão mais séria, sem se falar em eventual desgaste dos jogadores, já sufocados pela massacrante sequência de jogos neste início de temporada.

Mas, a fim de relativizar esses argumentos, eu poderia dizer que enfrentar um Flamengo, que porá sua força máxima em campo, com um time de reservas é uma atitude no mínimo temerária. Trata-se de um clássico, trata-se de um Flamengo e uma eventual derrota, e pior se for acachapante, poderá interferir negativamente no moral da equipe para o jogo pela Sul-Americana.

Não creio que alguma perda por lesão de algum jogador possa ser mais comprometedora para o sucesso da equipe contra o Liverpool do que uma eventual humilhante derrota. É esse o risco que se corre quando se enfrenta uma qualificada equipe titular com jogadores reservas, jogo que já seria complicado se tivéssemos nossos principais jogadores em campo.

Além disso, em que pese a desproporção entre as competições, Flamengo é Flamengo e Liverpool é Liverpool, cuja equipe não tem tradição e grandeza para superar o Flu aqui no Rio, ainda que o Tricolor jogue com um e outro desfalque. O futebol é uma caixa de surpresas, mas em condições normais de temperatura e pressão, o Flu, como tem jogado, é favorito na partida contra a equipe uruguaia.

E ainda acrescento mais um argumento contrário à decisão de Abel: vencemos Vasco e conquistamos a Taça Guanabara sobre o mesmo Flamengo após desgastantes jogos no meio da semana, enquanto nossos adversários descansaram, prova de que tempo para descansar e treinar não significa necessariamente sucesso.

Evidentemente, se a partida fosse contra a Portuguesa eu não me arriscaria a criticar a postura de Abelão, mas, num clássico, penso eu, não se deve correr tamanho risco.

Abel tomou a decisão de acordo com a sua convicção. Está com o time nas mãos e confia nos seus comandados, mas deverá assumir as consequências se as coisas não saírem como planejadas. Em clássicos não se poupam jogadores, sobretudo todo o time titular, porquanto são jogos que valem como decisões e, se há sucesso, o fator motivacional para o próximo jogo será sempre maior, mas, em caso contrário, o psicológico poderá ser seriamente afetado.

Abelão deve saber o que faz, tem crédito com a torcida, mas não seria apropriado abrir mão disso justamente agora, numa partida que não vale nada para a competição, mas que tem na rivalidade o principal ingrediente para que as equipes entrem sempre com força máxima.

Espero, sinceramente, que eu esteja errado e que o planejamento de Abel funcione como previsto. Ele ganhará mais crédito e confiança da torcida e todos nós sairemos ganhando com os objetivos alcançados.

Panorama Tricolor

@PanoramaTri @FFleury

Imagem: F2

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