Para os que estão em casa (por Ise Cavalieri)

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A geração que desconhece a história

A parte mais bela do futebol sem dúvida reside nas lembranças. Não há nada mais belo que eu admire do que ver aqueles senhores de idade, nas bancas de jornal ou em qualquer esquina, relembrando os jogos históricos, anos, jogadores e até quem fez aquele gol de cabeça de mil novecentos e alguma coisa, que deu título ao clube. É a cena que representa a verdadeira aula de futebol.

Revelado nas categorias de base do Fluminense, peça fundamental (Seleção Brasileira) na conquista do tricampeonato mundial. Carlos Alberto Torres, considerado um dos maiores laterais-direitos do futebol, conquistou pelo Tricolor dois campeonatos cariocas (1964 e 1976); uma Taça Guanabara (1966); torneio de Paris (1976) e o torneio Viña del Mar (1976). Esteve na inesquecível Máquina Tricolor e fez não apenas história nas Laranjeiras, como no futebol mundial: comandou a maravilhosa seleção de 1970, ficando celebremente lembrado por ter marcado o último gol na decisão entre Brasil e Itália (4 a 1), sendo o último jogador a levantar a Jules Rimet. Um dos maiores jogadores de todos os tempos.

Cito Carlos Alberto Torres como exemplo não só por ter nos deixado essa semana – morre o homem e nasce o mito, mais um mito nos gramados do céu – mas cito-o principalmente pela necessidade de resgatar a riquíssima historia que temos, por sentir que a geração da qual faço parte (um pouco antes da Era Renato Gaúcho) pouco sabe da importância do mesmo na caminhada do Clube ou da sua história.

Muitos idolatram – com justiça – Thiago Silva, Thiago Neves, Conca e cia, mas não se pode esquecer nunca de que são 114 anos de existência, 114 anos de histórias, entre dificuldades e glórias (recheadas de pioneirismo e bravura).

A história do Fluminense vai muito além das quatro linhas: faz parte da história do Brasil. O clube que introduziu o futebol no Rio de Janeiro, através de Oscar Cox; que implantou bases de organização do basquete em 1920 e que até mesmo teve uma parcela de participação na Segunda Guerra Mundial, ao doar um monomotor a fim de colaborar com a missão brasileira. A primeira medalha Olímpica do Brasil nas Olimpíadas foi de um atleta do Fluminense. A Seleção Brasileira teve seu berço natal no Estádio das Laranjeiras. Somos o segundo time campeão do mundo na história.

História, história.

Nós somos a história dentro e fora dos gramados.

No entanto, em minha geração, talvez 90% da torcida não saiba a fundo o que representamos. Basicamente se importa em autoafirmar ser mais torcedor do que o coleguinha do que procurar ser um torcedor completo; de só saber a escalação do time ou o elenco atual, sem perceber que torcer vai muito além de ter produtos oficiais, ir jogos ou exigir resultado. É preciso mudar isso.

Não deixem que a nossa preciosa história fique guardada no fundo de um baú, enquanto o ego é exaltado. Guardem-no e exaltem o que temos de melhor: a nossa trajetória. O Flu não nasceu ontem, mas há 114 anos. É um tempo com histórias demais.

Panorama Tricolor

@PanoramaTri @isefinato

Imagem: ise

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