O Fluzão na área! (por Crys Bruno)

crys bruno green

Oi, pessoal.

Os amigos leitores do Panorama Tricolor que, gentilmente, também me acessam aqui sabem que historinhas de “elenco fraco”, “campo ruim”, “cansaço físico” não me enganam mais. Também sabem o quanto importam a atitude ofensiva e escalação com encaixe para não travar o time, que qualquer criança de 10 anos hoje sabe fazer.

Igualmente no caso do Levir Culpi: não creio na justificativa simplória, até ingênua, de que “o técnico é fraco.” Não. Levir não é fraco. Nem nunca foi retranqueiro. Drubscky é fraco. Enderson Moreira e Eduardo Batispta são retranqueiros, ou seja, treinadores que não assumem riscos, preferem fechar a casinha e jogar por um gol, montando seus times para não perder e, se ganharem, maravilha! Cristóvão é fraco (não sabe montar um time), mas não é retranqueiro.

Os quatro são treinadores, no máximo, de times médios, onde se você se mantiver na primeira divisão é festejado como notável resultado. Apesar da mentalidade mediana do atual presidente tricolor , a contratação de Levir Culpi foi uma mudança substancial de paradigma no perfil: Levir é técnico de ponta, com perfil e histórico de montar times ofensivos, rápidos e competitivos. Foi isso que ele fez no início, sem Fred, que culminou no título da Primeira Liga. Depois, com e sem Fred, desandou de vez.

Por ter acompanhado e ainda lembrar bem dos times de Levir no São Paulo (2000), no Atlético-PR (2004), no Atlético-MG (2014/2015), apostei na mudança de atitude, de postura e de estilo de jogo do Fluminense para melhor, muito melhor.

Viciado nas propostas de jogo defensivo de Muricy Ramalho e Abel Braga, que trouxeram títulos, o clube, incluindo a torcida, achou que só se ganha nesse estilo e aceitou os perfis e atuações de times pequenos para um clube grande que, por ser historicamente mais perseguido que outros, deve sempre buscar se impor e agredir o oponente para não sofrer.

Pois bem: 99% dos treinadores brasileiros jogam assim. Mas poucos percebem que esse estilo caduca. O Fluminense subiu de patamar assim, tornando-se time de ponta, que não pode atuar como azarão. Assim, o Flu caducou. Sofreu. Chegou a fechar a última rodada de 2013 no Z4, salvo do rebaixamento pelas ilegalidades cometidas por Flamengo, primeiro, que foi protegido pela Lusa depois.

O estilo de jogo de fechar os espaços defensivos posicionando oito jogadores entre seu gol e a intermediária caduca como proposta de jogo. Só é aconselhável em determinadas circunstâncias da partida, como por exemplo, final do jogo, perda de jogador expulso; enfim, um uso restrito para alguns minutos, no entanto, NUNCA como filosofia e estilo permanente. Levir era, portanto, o técnico que daria ao Fluminense esse patamar (que só vi com Dorival Jr, indevidamente demitido).

Por isso, a mesmice e o time com o perfil de time do Enderson Moreira me deixavam encucada nesses últimos meses. Cobrei, sim. Estranhei mais ainda porque conheço Levir Culpi. Entendo até o relaxamento deste treinador; afinal, dá mais trabalho montar o time para ser ofensivo porque exige que você encaixe bem a característica de jogador para jogador, e mero reflexo da ausência de ambição e cobrança de Peter.

Usar a proposta de jogo dos últimos meses culminou em atuações bisonhas, medíocres e indignas, – como diante do famigerado e hercúleo Botafogo – ainda servia para evitar algumas derrotas, manter o time longe do Z4 e ganhar sua graninha até dezembro quando a mudança de diretoria deve ocorrer. Era decepcionante para minhas boas expectativas sobre ele. Foi o que concluí tanto na derrota no Clássico Vovô quanto na vitória suada sobre o Figueirense. Até a vitória sobre o Atlético-MG…

Doeu muito jogar como time grande, que se impõe, que diz ao adversário de pronto: eu quero, eu posso e eu vou vencer esse jogo? Foi excesso de cobrança minha? E agora, o elenco é fraco? O técnico é fraco? Ou ficou claro que temos um elenco que não fica a dever a ninguém que disputa o título e a diferença era a proposta ofensiva, imponente de jogo?

Com o Fluminense jogando como Fluminense, gana, tesão pela vitória, e Levir sendo Levir, sem “centroavante-poste”, sem sequer um primeiro volante brucutu, que permite que o meio-campo avança e possibilite a marcação alta e com jogadores rápidos e leves, o time fez a sua melhor atuação no ano.

Ainda assim, nosso comandante errou na escalação quando abriu mão do jogador mais de área. O trio Marcos Jr, Danilinho e Wellington ficou sem esse homem à frente deles para o passe, lacuna consertada e resolvida no segundo tempo com Magno Alves (o homem de área que não é o “centroavante-poste”).

Só o gol do título da Primeira Liga me fez vibrar de euforia, orgulho e prazer como nessa vitória gigantesca, honrada, que nos orgulha porque vimos o Fluminense como Fluminense e como merecemos ver sempre, que nos faz não querer mais parar de falar, rever, comentar, escrever sobre, enfim.

E nesse divisor de águas que será a maratona de setembro, o Flu receberá a Chapecoense, a três pontos do G4, encerrando o mês nos dois próximos domingos como visitante contra Grêmio e Corinthians, adversários diretos pela vaga à Libertadores.

E agora?

Amigo, é tudo ou nada!

É repetir a fome ofensiva com a escalação que Levir deve ter percebido que é a ideal pelo segundo tempo do último jogo, não somente para vencer o time catarinense, mas também para não ser engolido por Grêmio nem Corinthians fora de casa.

Para isso, basta que o Fluminense seja o Fluminense e Levir seja Levir. Coragem, comandante! Coragem, rapazes! Avante, Fluzão!

::Toques rápidos::

– Que partida defensiva fez o William Matheus, sempre próximo e na linha da dupla de zaga. Pedir para ele apoiar bem seria pedir que ele fosse o Roberto Carlos;

– Que inútil o Wellington Silva quando não temos centroavante-poste na área, porque ele corre, ataca, deixa uma avenida nas costas, porque não recompõe e fica sem saber o que fazer no ataque porque só sabe cruzar (99% das vezes errado) para um pivozão. Cadê o Jonathan?

– Douglas sabe jogar futebol. Só precisa ser orientado e cobrado em duas coisas, já que é jovem: não se afobe em fazer a falta, parando o jogo, para mostrar que é pegador; muito menos se precipite com a bola no pé, em mostrar que tem a qualidade de passe do Modric ou Busquets.

– Magno Alves não pode ser mais reserva desse time;

– Escalaria Maranhão, Marquinho, Scarpa e Magno Alves (sim, sem Marcos Jr). Por que Maranhão? Porque ele é o único driblador nato, que o faz ter a mesma característica de Wellington, suspenso. Marquinho e Magnata vão dar calma e boa resolução, escolha de jogada. Mas alerto: um meio com Douglas, Cícero e Marquinho não pode jogar posicionado muito atrás: são lentos e não teremos o melhor deles se aumentarem o espaço para a ligação com o ataque;

– Pô, não aguentava mais ver só camisas de rivais nas ruas e a gente cabisbaixo. Pô! Que o divisor de águas de setembro tenha sido para o nosso Tricolor concretizado nessa atuação maravilhosa de segunda-feira passada, e agora que venham as alegrias;

– Vaiar ou aplaudir Fred? Escolho a indiferença. Nem é mais importante assim para merecer vaias, nem mais merecedor o é dos meus aplausos que, ao lado de milhões, ocorreram em anos;

– AO G4. VEM, LIBERTADORES 2017!

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Panorama Tricolor

@PanoramaTri @CrysBrunoFlu

Imagem: bruc

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