Marcos Felipe não calou ninguém, apenas mostrou o que sabe (por Paulo-Roberto Andel)

A excelente vitória sobre o Santa Fé teve vários aspectos de destaque: a superação logística para chegar ao jogo, os gols importantes que ratificam a consagração de Fred, a capacidade de resistência fora de casa na altitude e, por fim, a ausência de pavonice pós-jogo.

Claro, foram apenas duas rodadas e nada está garantido, mas o Fluminense dá sinais de que pretende passar à segunda fase como líder de seu grupo, contrariando as previsões exóticas como as da imprensa paulista série B.

É natural que os holofotes estejam todos para o camisa 9, em função do recorde alcançado e dos gols feitos. Porém, Fred é uma realidade há muito tempo, independentemente de agora e, por mais que a torcida tricolor conte com seus gols para acabar com a nossa seca de títulos, todos sabemos que há um prazo limite: o final de seu contrato ano que vem, quando tudo indica que encerrará sua carreira nos campos. Até lá, os sonhos permanecem a cada partida disputada.

E se Fred é o presente consolidado pelo passado de glórias, Marcos Felipe pode ser o futuro que já mostra suas garras no presente. Não há surpresas para quem acompanha o goleiro de longa data; surpresa mesmo era entender como o Fluminense levou tantos anos com tentativas empíricas no gol, tendo um atleta com longa rodagem nas seleções brasileiras de base.

Fred garantiu os gols da vitória, Marcos Felipe garantiu que os gols do artilheiro não fossem em vão. Fez uma partidaça na Colômbia e, se não calou seus críticos – o que é uma bobagem porque a crítica é livre, desde que respeitosa -, mostrou numa partida difícil que pode ser goleiro do Fluminense para longo prazo.

Não que não vá errar. Todos os goleiros erram. Porém, não podemos cometer os mesmos erros dos últimos 30 anos, que elenquei em minha coluna anterior neste PANORAMA.

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O gol é posição de segurança e confiança. Precisa de tempo e certa paciência. Marcos Felipe está há anos no clube, já com a bagagem suficiente que lhe dê o crédito da titularidade. Tem dado conta do recado. Em dois jogos da Libertadores, impediu uma derrota na estreia e garantiu a vitória no segundo jogo. Merece respeito. Ganha confiança a cada jogo. Não será surpresa que se destaque novamente no difícil confronto com a Portuguesa, e ainda no jogo contra o Junior Barranquilla: tem potencial para isso.

Ainda é cedo, mas pode ser que o Fluminense volte a ter um ídolo tricolor no gol. Vai depender dos resultados, da trajetória e regularidade, mas principalmente do tempo que o goleiro precisa para se estabelecer definitivamente. Um pouco de paciência ajuda muito. Eu confio.

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