Deco, o maestro (por Thiago Muniz)

maestro

Salve, amigo (a) tricolor.

O que é ser um maestro?

Maestro ou regente é alguém que rege uma orquestra ou coro.

O termo também e aplicado a um virtuose ou grande compositor.

Na linguagem do futebol, maestro é “o cara”, o melhor e principal jogador do time. O maestro, líder, a cabeça pensante da equipe.

Gênios, são capazes de antever um passe, um lançamento, um chute a gol, o bote do adversário.

São eles os principais responsáveis por adjetivar qualquer jogada de forma positiva e elogiosa. São responsáveis também por comandar a equipe, como se maestros fossem. Mas, ao contrário de uma ópera, os pés é que movimentam a batuta – a bola – para reger os outros músicos.

Com ele em campo, a esperança do torcedor é renovada a cada bola que passa pelos seus pés. Alguns são mais humildes, outros nem tanto, mas a qualidade no trato à bola é sempre a mesma, cheia de carinho, sutileza.

Dentre os últimos desperdícios que o futebol brasileiro proporcionou nos últimos anos, esse alguém foi o Deco. Saiu bem cedo do Brasil, fez uma sólida carreira em Portugal, donde se naturalizou a passou a defender as cores daquele país, com muita dignidade por sinal.

Não tenho dúvidas nenhuma, que o maior meio-campo que já passou pelos gramados do futebol brasileiro nas últimas duas décadas, pouco jogou no Flu e nos deu dois títulos brasileiros, um terceiro lugar e um campeonato carioca, atuando em metade das partidas.

Deco, o maestro! Esse jogava o fino da bola.

Tem gente que enxerga um jogador pelo o que ele corre dentro de campo ou se entrega aparentemente, às vezes esquecendo de que futebol se joga com a mente.

É saber se posicionar; posicionar os companheiros, preencher os espaços dentro de campo, se antecipar as jogadas, driblar na hora certa, cadenciar na hora certa, tocar na hora certa, lançar na hora certa e fazer a bola correr e não ficar correndo atrás dela, mas correr certo. Isso o Deco tinha como ninguém.  Talvez taticamente melhor que ele, só vi o Zidane.

Me desculpa o Ronaldinho (que Deus o tenha…), mas sempre falei que o Deco era mais bola, e que Ronaldinho era mais driblador, firula, jogadas de efeito e marketing. Agora entendedor tático e técnico dentro de campo? Deco é melhor.

Me chamavam de maluco. Uma pena que ele se contundiu muito, senão queimaria mais lenha em sua passagem pelo Flu. Talvez por não ter muito o estilo do futebol brasileiro de jogar para torcida e mais o europeu tático que joga para o time.

Ter encerrado a carreira no Fluminense, não num queridinho da mídia? Ser um cara mais discreto? Ou ter se naturalizado português, jogando pela seleção portuguesa!? Sei lá.

Como era bom ir aos jogos do Flu, sabendo que esse cara ia estar em campo.

Para mim, em termos técnicos e não de carisma, ele é o maior jogador que passou pelo Flu depois do Rivellino.

Nós torcedores, devemos agradecer e reverenciar o Deco. Não apenas pelo grande jogador que foi, mas também pela amizade e companheirismo nesses três anos em que convivemos aqui no Fluminense. Foi um prazer e uma honra assistir às suas partidas com a camisa tricolor.

Saudades do toque de bola refinado e autêntico. Que saudade, maestro!

Leia também aqui e aqui também sobre Deco. 

Panorama Tricolor

@PanoramaTri @pauloandel

Imagem: tm

CAPA O FLUMINENSE QUE EU VIVI AUTÓGRAFOS

 

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