Flu em compasso de espera (por Crys Bruno)

Oi, pessoal.

Semana passada comentei com vocês sobre minha boa expectativa de rever finalmente em campo juntos, Sornoza, Wellington e Scarpa, jogadores responsáveis pela função mais difícil num time de futebol: a união da criação, com dribles frontais, passes verticais e boa finalização.

Somente Sornoza possui os três recursos. Welington tem o drible; Scarpa, não. Scarpa tem boa finalização; Wellington, não. Mas se completam. Sornoza é mais imprevisível para o adversário marcar por isso. E faz uma falta tremenda.

Não entendi ele não ter entrado contra o Vasco e confesso que, aos 43 minutos do segundo tempo, larguei o jogo e não quis ouvir ninguém, muito menos o Abel. Ser derrotado por esse Vasco duas vezes esse ano, é caso para multar jogadores e treinador. Mas como multar se deve salário?

O Fluminense, através dos seus dirigentes, e em especial, sua torcida, ainda sofre carência e trauma dos anos 1990. Nem sem Abad, sem Peter, nem com Unimed e os medalhões, sanguessugas, na maioria, nos fez nos impor como o tamanho que temos e somos. “Os outros clubes são grandes, o Fluminense é enorme.”

Nesse século, o rendimento de 38% em clássicos é tão surreal que somente uma depressão crônica, herança de Fabio Egyto e Valquir Pimentel na gestão embrionária que resultou naqueles rebaixamentos, pode explicar.

Somos, senão o mais detestado, injustamente, clube do país, sem ajuda de nada, tendo que vencer e se sobrepor a arbitragens tendenciosas, sempre contrárias na dúvida de um lance. Ainda assim, aos trancos e barrancos, nos últimos dez anos, conquistamos uma Copa do Brasil e dois brasileiros, somos tetracampeões brasileiros e nos comportamos como torcida e time em campo, como se fôssemos pequenos…

Não me irrita perder. Mas exijo se comportar conforme um Fluminense Football Club e isso está além da tal da “alma” que Abel proclama. Isso está na fome e coragem de vencer cada maldito jogo, encurralando o adversário, ofensivo, audacioso, e não com alma posicionada da intermediária do ataque para trás contra um time, no mínimo, igualmente, medíocre, como a maioria que disputa o Brasileirão.

Essa “alma” não é suficiente nem representa o que se espera e que o saudoso Paulo Júlio Clement, jornalista tricolor que, ano passado, antes de partir naquele trágico acidente de avião, reclamou que faltava ao Fluminense, conforme Abel mencionou.

Quem acompanhou o jornalista e sabia sua visão e leitura sobre o futebol bem jogado, sabe que ele pediu “alma” no sentido de ter mais ofensividade, coragem, sem medo de ser derrotado, como o Fluminense que conquistou seu coração por ser a essência do clube.

Entre minha irritação, a espera por Sornoza e até por Robinho, recém-contratado, que hoje contra o Londrina se conquiste a vaga na semifinal e, caso seja no domingo, a vaga na final, para devolver ao Tricolor um ânimo para os quinze decisivos jogos que restam no Brasileiro e a Sul-Americana. Um ânimo e uma esperança que foram covardemente feridos pelos jogadores e Abel na derrota do último sábado.

E parafraseando num lindo canto de nossa torcida: “quero gritar campeão, vamos pra cima, Fluzão.” Garra e raça, todos têm, o adversário, também.

Quero ofensividade, com os príncipes equatorianos, Welington, Scarpa e Robinho. Para ceifar o adversário, não o tamanho do Fluminense nem o coração do seu torcedor.

Panorama Tricolor

@PanoramaTri @CrysBrunoFlu

Imagem: bic

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