Ainda sobre Flu x Avaí e a tática (por Paulo Tibúrcio)

Infelizmente, não pude acompanhar meu Fluminense ao vivo na última quinta-feira. Confesso que pensei no pior, embora não tenha sido este o motivo da minha ausência. A vida anda uma correria que só. Sofri à distância. Mas o Fluminense tem destas coisas: quando achamos que vai embalar, acaba por nos decepcionar.

Há quem queira queimar o Abel por suas peculiaridades. Não chegaria a tanto. É um grande técnico, consagrado e com importantes campeonatos no currículo. Mas tem uma característica que não é privilégio exclusivo dele, mas também da grande maioria dos técnicos brasileiros: a invencionice. Cismou com este 3-5-2 e parece que pretende levà-lo até as últimas consequências.

Não sou especialista em esquemas táticos. Das minhas andanças pela arquibancada, conversas de botequim e, mais recentemente, pesquisas pela rede mundial de computadores, aprendi pouca coisa da matéria. Deste pouco, ouso falar sobre uma única tese.

Há duas formas de se montar um time: as estratégias top-down e bottom-up (criação minha, não procurem isto em nenhum lugar).

A estratégia top-down consiste no seguinte: o técnico escolhe o esquema e, a partir dele, contrata os jogadores para materializar aquilo que ele quer. Este tipo de estratégia é utilizada pelas principais seleções, tais como a brasileira, argentina, alemã e demais países quando a safra é boa. Além disto, pode ser usada pelos times milionários: um Real Madrid, Manchester ou PSG.

Na estratégia bottom-up, o técnico olha o elenco que tem e, a partir dele, busca o esquema que melhor se adapte à matéria-prima oferecida. Este é o modelo que deveria ser utilizado pelos times de menor poder aquisitivo, que é o caso dos brasileiros, salvo raras exceções.

Abel tem que entender que ele se enquadra no segundo modelo. O Fluminense tem um elenco limitado; portanto, primeiro se verifica as peças que se tem à disposição e só então pensa no esquema a ser utilizado. Às vezes, a tática mais simples é a que funciona. Não podemos nos dar ao luxo de ser laboratório. Acho válido um trabalho de longo prazo, envolvendo as divisões de base, mas isto ainda está muito distante de nossa realidade. Nossas preocupações são mais urgentes.

Não vejo, por exemplo, como deixar o Robinho no banco por causa de um esquema tático. Esta insistência nos levará a muito sofrimento.

O caminho a seguir ainda será tortuoso.

A paciência é uma forma de fé.

Panorama Tricolor

@PanoramaTri @paulotiburcio

#JuntosPeloFlu

Imagem: bit

2 Comments

  1. Boa noite, Paulo. Do muito que já vi, as vitórias recentes foram muito boas, independente dos adversários. Confiança é o que importa. Derrotas virão. Este ano será a base para o próximo mais estruturado. O problema, como sempre penso, é dar voz aos “conspiradores” que estão sempre de plantão. Este é o nosso “calcanhar”. Não conseguimos trabalhar em paz. E não saímos desse círculo maléfico. É isso que me incomoda. Mas não me deixo abater. Vou confiando. Preciso. Abraços.

  2. Discordo
    Nem tanto por achar que o esquema com 3 zagueiros seja essa cocada toda. Mas nesse jogo, especificamente, o primeiro tempo foi muito bom, qd mudou o esquema, no segundo tempo, a vaca foi para o brejo, e poderia até ter ficado lá, sem esperanças de sair…
    Saudações Tricolores

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