A hora do treinador (por Crys Bruno)

Abelão “abelou” na semifinal do Carioca. O time que fazia marcação alta e pressionava o adversário, entrou em campo com o meio atrás da linha da bola.

A postura foi escolha de Abel, lógico. Um erro que espero não se repetir no Fla x Flu mas prevejo que assim o será; afinal, se foi contra o… Madureira!

No entanto, quem sabe ao rever a partida, Abel e Leomir não percebam que essa postura fez perdermos o meio de campo mais talentoso para o meio de campo do… Madureira, imagine para o do Flamengo?

Seremos engolidos. Ainda mais se Sornoza virar volante de vez. Excessivamente recuado, quando deveria jogar SEMPRE próximo da área, não raro ele volta para cobrir as subidas do Douglas e, pasmada, vi que até do inócuo Marquinho.

Um desperdício que resulta em poucas criações de ataque já que ele e Welington são os jogadores de drible frontal que fura retranca e acha o espaço.

Sornoza não é volante. Afastá-lo sistematicamente da área é despencar o rendimento criativo do time, que passa depender de um chute do Scarpa ou chuveiro na área.

Outro erro foi a saída de Wellington. Aviso e explico porque se ele for barrado e entrarmos com Richarlison de ponta não verei nem o jogo (apenas gravarei pelo compromisso de comentar depois aqui).

Assim como Sornoza, Wellington é o único que tem drible frontal, no mano a mano, algo que Richarlison não tem, e é fundamental para se jogar no lado do campo.

Welington completa Sornoza e Scarpa e, por ser mais ágil (Rich é mais explosão), tabela mais com os meias e laterais, flutua entre a esquerda e direita com mais desenvoltura.

Aliás, das mais bonitas jogadas e gols do time, dificilmente Welington não participou. Não finaliza bem, mas é insubstituível como Sornoza na criação da jogada.

Mas… sabemos que há interesse na venda do Richarlison e ele “precisa” atuar. E sobrará para Wellington em vez do Henrique Dourado porque é o gol que consagra, embora a criação seja o mais difícil e importante num time.

Richarlison é centroavante que cai pelos lados. Não é um ponta que fecha e faz o facão. Foi assim que fez três gols (um anulado) no retorno ao time.

Barrar Wellington e recuar, afastando Sornoza da área serão tiros no pé que renderão atuações bem abaixo e comuns como não vinham sendo, mas que vimos contra o Madureira. Não tema, Abelão.

Esqueça o Abel do passado… Não tema, Abelão. É hora de se impor, não de retroceder. Marcação alta, posse de bola e gol: esse é o perfil dos jogadores do seu time. Não o deforme pelo medo. Avante, Abel. Sem “abelar”.

Toques rápidos:

– Muitos falaram mal do Renato Chaves, com razão, porque ele não ganhou uma bola aérea. Quando se perde o meio campo e se é encurralado, a zaga é mais pressionada e os erros individuais vêm mesmo. Não tema, Abel.

– Pierre deverá ser o escolhido, embora eu escolhesse Wendel para a vaga do Douglas, inclusive para fazer a marcação alta, o que, lento, Pierre poderia ter mais dificuldades. Mas quem sabe se com Pierre, Abel não invente de recuar o Sornoza?

– E venha o Flamengo! Vamos, ceifar, Fluzão!

Panorama Tricolor

@PanoramaTri @pauloandel

Imagem: bruc

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