Vem pra Caixa você também? (por Thiago Muniz)

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Meu caro (a) amigo (a) tricolor,

Sou bastante temeroso com relação ao patrocínio de clubes de futebol com verba pública, principalmente nestes últimos tempos da nossa querida estatal Caixa Econômica Federal, um banco provido de 100% capital público.

O motivo de minha preocupação é o de que são cifras altas depositadas nos clubes brasileiros, e o Fluminense é um deles recentemente, primeiro em termos pontuais e, mais à frente, provavelmente consolidado. E também porque a administração da maioria dos clubes brasileiros contemplados deste “paitrocínio” não possuem gestões transparentes.

AÍ fico com uma dúvida no ar: vale a pena depositar essa grana para todos esses clubes?

Em auditoria realizada em março deste ano, a Controladoria Geral da União (CGU) concluiu que o investimento da Caixa Econômica Federal no futebol foi realizado sem a devida clareza e transparência de objetivos, aliada à ausência de mecanismos para medir o retorno financeiro com o seu patrocínio a clubes. O órgão ainda ressaltou que o banco se expôs a potenciais danos de imagem nos acordos.

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Na análise feita sobre os contratos, foi verificado que a instituição não havia exigido até o momento da investigação, no segundo semestre do ano passado, o cumprimento dos preceitos da Lei do Desporto.

Entre as irregularidades, constava a ausência de publicação de demonstrações financeiras de parte dos times em seus respectivos sites.

Implementação de ações de marketing esportivo sem a devida clareza e transparência de objetivos no Planejamento Estratégico/Plano Executivo aliada à ausência de mecanismos que permitam mensurar e avaliar os retornos obtidos.“, descreve trecho do documento da CGU.

“De forma que não foi possível avaliar o efetivo retorno financeiro obtido pela Caixa Econômica Federal com esses contratos de patrocínio, não tendo sido obtidas evidências objetivas e mensuráveis de que tais ações de marketing tenham contribuído para a realização de novos negócios e o incremento do lucro do Banco“, prossegue mais adiante.

A Caixa é hoje a maior patrocinadora do futebol brasileiro.

Sabemos que, com a crise econômica assolando o Brasil, muitos clubes estão com dificuldade em fechar contratos de patrocínio, muitas empresas com injeção alta nos últimos anos se retiraram do cenário.

A marca de guaraná que chegou a colocar mais de R$ 100 milhões no futebol carioca nos últimos cinco anos se vira para fazer acordos e parcelar suas dívidas.

A marca de planos de saúde, que já havia deixado o Fluminense no início de 2015, saiu das camisas de Avaí e Figueirense.

A Caixa Econômica Federal negocia expansão ainda maior no futebol brasileiro. Com novos contratos sendo costurados, o banco público deve atingir mais de 40% do total da verba publicitária nas camisas dos clubes da Série A. No total, de R$ 436,7 milhões das receitas estimadas com venda de espaço na camisa dos clubes, mais de R$ 180 milhões devem sair da Caixa.

A minha opinião é que uma instituição pública não deveria patrocinar diretamente os clubes. Esse dinheiro poderia ser investido em esportes olímpicos, por exemplo. Infraestrutura, formação de atletas e logística são fatores fundamentais para um planejamento a longo prazo.

O dinheiro público deve ser investido com retorno para a sociedade.

Panorama Tricolor

@PanoramaTri

Imagem: thi

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