VAR: o novo ladrilheiro (por Sergio Trigo)

O VAR é o novo ladrilheiro no futebol. É o ladrilheiro refundado. O ladrilheiro da era moderna.

Para quem não se lembra ou não tem a menor ideia do que estou falando, refiro ao célebre “Jogo do Ladrilheiro”, em que o time da Globo lançou mão deste artifício.

Era a decisão do Carioca de 1981, ocasião em que o Vasco precisou vencer os caras duas vezes para forçar um terceiro jogo, desta vez com as equipes em condições de igualdade. Depois de estar perdendo por 2×0, o Vasco partiu para a pressão e conseguiu diminuir.

Foi aí que a diretoria da Gávea lançou mão de um artifício para esfriar o jogo e mandou a campo o ladrilheiro, que saltou das gerais e invadiu o campo de jogo.

Correndo de um lado para o outro do gramado, o torcedor causou a paralisação da partida por cerca de cinco minutos, tempo suficiente para esfriar a reação vascaína e permitir que seu time recolocasse os nervos no lugar. O invasor era o ladrilheiro Roberto Passos Pereira, acusado pelos vascaínos de agir a mando da diretoria do Flamengo. Como recompensa pela ótima “atuação” na decisão, o ladrilheiro foi recompensado pela diretoria rubro-negra com a camisa de Zico e um nababesco jantar em comemoração ao título.

O VAR é o novo ladrilheiro. Sete, oito minutos para se validar um gol é tempo suficiente para acalmar os nervos de quem sofreu e diminuir o ímpeto de quem busca uma reação. Só não entende isso quem nunca jogou um contra.

Aconteceu ontem com o Inter, hoje com o Fluminense, e tantas outras vezes em jogos que não assisti.

Aos que acreditam que o VAR pode resolver alguma coisa no futebol, vos digo: melhor os chips na bola e nas chuteiras. Mas isso é assunto para outro dia.

Hoje é dia de pensar em como refundar o Fluminense. Nos perdemos em algum lugar. O clube está destruído financeitamente. Nossas instalações estão caindo aos pedaços e a sede social vive às moscas. O time não tem alma. A camisa, parece não pesar tanto quanto pesou um dia. Falta força dentro e fora de campo.

As arquibancadas se dissolveram. Somos 10, 12 mil por jogo. Hoje, fomos quase 60 mil, mas não fomos uma torcida. Assistência, no máximo, tamanha a passividade dos tais 60 mil.

O talco, pelo qual tanto brigamos, é desperdiçado. Ninguém sabe mais como criar aquela bela cortina de pó de arroz de outras épocas. Bandeiras e instrumentos sumiram (banidos em alguns casos). Até os cânticos estão desalinhados. Ninguém grita ‘Nense’.

Lembrei-me do cantor, que, recentemente, fazendo um show nas Laranjeiras puxou o coro “Flu, Flu, Flu”, como se alguém cantasse assim nas arquibancadas… é rima rica, bicho. Melhor evitar.

A derrota no empate incomoda, mas a pior dor me vem quando penso no que virá. Restou o Brasileiro e precisamos de cerca de 50% dos pontos em disputa para não nos afundarmos de vez.

Como não ganhamos hoje, no próximo jogo seremos os 10 mil de sempre, ou menos, para tentar empurrar um time que parece não se importar. É fraco, é verdade, mas não a ponto de estar na situação em que se encontra. É certo que não funciona. Ou não funcionou até aqui.

A nova diretoria parece se esforçar para acertar, mas precisa urgentemente cuidar da defesa institucional do clube e, principalmente, das arbitragens que andam nos tungando quarta e domingo. Hoje, foi complicado, para dizer o mínimo. O Corinthians fez o que quis em campo, com a conivência do apitador de turno.

Mas e aí? O que vem pela frente? O próximo jogo já ocorrerá em setembro, quando restarão apenas 3 meses para o fim da temporada.

Ou acordamos todos, diretoria, time e torcida, ou a refundação a que me refiro se dará de outra forma. As cotas da Série B não são mais mantidas e uma queda agora, para um clube financeiramente arrasado como o nosso, pode ser mais do que uma simples queda.

É preciso que abracemos o clube agora. A arrancada de 2009 dificilmente se repetirá no futebol brasileiro. Melhor antecipar o seu início. É preciso refundar a nossa arquibancada. É preciso que todos se unam para tirar o Fluminense dessa situação.

Quem aí vai ao jogo contra o Avaí?

Saudações Tricolores

Panorama Tricolor

@PanoramaTri @S_Trigo

#credibilidade

2 Comments

  1. Sérgio, concordo com tudo que você escreveu. O VAR não vai acabar, basta ver o tempo que dedica a ele nos programas esportivos. É uma nova polêmica no futebol e os programas de esportes vivem de polêmicas.
    Você tem razão, a nossa torcida minguou. Isso começou no final da década de 80, quando os órgãos de imprensa que tanto incensam os mulambos, perceberam que, apenas uma abordagem mais direta, seria a única alternativa para colocá-los no patamar mais alto do futebol carioca e brasileiro. CBF,…

  2. Sérgio Trigo, meus parabéns, você sempre oportuno e criterioso em suas crônicas
    Abcs

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