UTI (por Paulo Roberto Andel)

A gente torce, a gente espera sempre o melhor, mesmo quando está na cara que não vai ter melhoria. Vamos lá.

Em horas como esta que o Fluminense vive, o melhor é fugir do óbvio e tentar esfriar a cabeça à meia noite. Já se sabe que o nosso time, o nosso clube, é um paciente na UTI.

Não há dúvidas de que a gestão do Presidente Abad é um desastre completo de cama e mesa. O resultado aí está. Mas é bom que se diga: seus antecessores não ficaram atrás em termos de desastres, às vezes acobertados pelos jogadores da Unimed – o que deu muito certo em anos como 2010 e 2012, mas também muito errado em 2003, 2006, parte de 2008, quase todo 2009 e o ano de 2013.

Sem Unimed, desastres em 2015, 2017 e o novíssimo 2018.

Não fosse o Brasileiro com 38 rodadas nos últimos anos, provavelmente o Fluminense já teria sofrido novos rebaixamentos. Pouca gente sabe que, nos anos de chumbo da década de 1990, jogava-se pouco mais de 20 partidas. A devastadora queda para a série C aconteceu numa espelunca de dez partidas.

Independentemente de escapar da tragédia no domingo que vem ou não, o Fluminense já nasce derrotado em 2019. Cair poderá ser apenas piorar muito o que já é bem grave.

É certo que ficar como está é inviável. Mas também é certo que, do lado de fora, ninguém tem a solução para os problemas tricolores, sem contar o fato de que 99% da oposição do clube já foi parte direta desta situação. De todo esse pessoal, você pega uns 30 se muito com a mão nas decisões – o resto ė militância espontânea ou, digamos em alguns casos, “espontânea” (ainda que o Brasil tenha fartura no ramo, ninguém é idiota o bastante para acreditar que gente da facção A, B ou C passe o dia despejando ódio na internet de graça ou por “amor ao clube”). O cacete: amor a cargos, empregos, autopromoção, promessas e, de alguma forma, grana.

A esculhambação de todo o Fluminense está na mão de trinta pessoas e quatro ou cinco protagonistas. Todos são tricolores pra cacete, todos dariam a vida pelo clube, mas todos sem exceção já fizeram muita merda na condução do Flu. Não adianta tratar o torcedor como otário: todos viram o que fizeram nos quinze verões passados.

Um tremendo abacaxi.

Dentro, fora, no entorno, o Fluminense é um mar de cólera. Cansada de times medíocres e rusgas entre tricolores, a torcida se divorciou das arquibancadas.

Um clube caindo aos pedaços. Funcionários humilhados sem salário. Uma dívida de meio bilhão de reais, enquanto extraterrestres querem fazer estádio no cafundó do Judas.

A autoestima tricolor no meio fio.

Eis o roteiro de uma semana tenebrosa, temperada por um fato inusitado: a semifinal da segunda divisão continental, que queremos muito ganhar para irmos à Libertadores, é claro. Mas se acontecer, como a gente faz? Joga na altitude em 2019 com que time? Esse daí?

Pés no chão: o jogo contra o América Mineiro vai ser uma barra pesada. Antes, tem a noite de ilusão na Sula. O futuro pertence ao Deus de cada um, o resumo é de cada um. Somos todos crianças solitárias em busca dos melhores anos de nossas vidas.

Estamos na UTI, ainda estão rolando os dados. Foda-se a lógica: eu acredito, sei lá por qual motivo romântico. Deve ser a camisa que persigo há quarenta anos.


Panorama Tricolor

@PanoramaTri @pauloandel

9 Comments

  1. Boa noite, Andel.

    E olha que, antes tudo isso, o Abad disse, durante o processo eleitoral (debates), que as dívidas do clube estavam devidamente equacionadas, afirmando, inclusive, que era possível finalizar as obras do CT, e até iniciar o projeto de construção do próprio estádio, lembra-se? Na oportunidade, acredito que a torcida tenha ficado mais tranquila, em relação à situação financeira do clube. Eu, pelo menos, ingenuamente ou não, fiquei. E a cereja do bolo do atual mandatário veio…

    1. Andel: O prezado debochado votou em quem? No ex-situação Mário ou no ex-situação Celso?

  2. STs Andel,

    Infelizmente, parece ter sido um projeto do grupo político que assumiu atualmente o clube de promover um anestesiamento de grande parcela do torcedor, praticando autossabotagem em diversos momentos da campanha nos anos anteriores e nesse ano, como por exemplo, o jogo da volta contra o Cuenca, em que eu, ingenuamente, acreditava que poderia ser a reconciliação do clube com seu torcedor.

    Um clube que desde 2013 vive um drama do ponto de vista financeiro em todo segundo semestre,…

  3. Rapaz, esquece gestões anteriores! Esse é o pior fluminense de todos os tempos (Fluminense com letra minúscula mesmo). Nem os times dos rebaixamentos de 97 e 98 passaram a vergonha de ficar 7 jogos sem saber o que é fazer um golzinho só que fosse!
    Abad é o pior presidente da História do Fluminense!
    Aceita que dói menos!

  4. Andel, alem de tudo a gente vê como tem tricolor babaca, pqp. Você está certo, étudo farinha do mesmo saco, depois é só fingir que é oposição. Essa política é o câncer do. Clube

  5. De novo: infelizmente, é tudo a mesma merda. Se se trocar os nomes próprios do seu texto por seus similares vascaínos (ou botafoguenses ou mesmo do império do mal) o texto se aplicará ao outro clube. O pior é que todas essas desgraças são pilotadas por gente que jura amar o clube…
    Nossa velha conversa. inveja, sede de poder, ganância, holofotes…

Comments are closed.