Uma vitória do caralho! (por Paulo-Roberto Andel)

Há jogos e jogos, vitórias e vitórias.

Todas importantes. Muitas são fundamentais, outras são sofridas, outras marcam títulos, outras não.

E há aquelas que vão ficar na memória dos garotos para sempre, tenham eles oito, doze ou setenta anos de idade, sem importar a campanha ou o restante da jornada.

Meu amigo Arthur, filho do grande Paulo Rocha, é o meu grande personagem desta tarde-noite. Com ele, fiquei emocionado ao ver troca de figurinhas no Maracanã – sem piadas presidenciais, pois -, bem como ver a expectativa dele em relação à partida, sem saber direito que seu pai é um dos ministros do jornalismo esportivo e da literatura de futebol – sem piadas de comparação de escritor com “bloguêro”.

O Flu perdeu o Gilberto, o jogo continuou equilibrado e descemos para o intervalo. Lá estava o Arthur com os olhos da aflição – é o Fluminense! – é o Fluminense? Brinquei e errei: “Até os dez do segundo tempo, tá 2 a 0 pro Flu”. Não chegou a tanto, mas bastou: Pedro, dos melhores, decidiu.

A partida começou a se tornar inesquecível a quinze minutos do fim: o Cruzeiro veio para o abafa, o Flu se defendeu como podia, todo mundo foi monstro, Julio Cesar foi monstruoso e o Fluminense superou uma das maiores pressões que sofreu em sua história, em qualquer época. A bola ameaçou o gol umas cem vezes, a defesa parecia de centopeias e, em certo momento, o time celeste percebeu que não ia dar em nada. O lutador tomando porrada nas cordas, firme, sem envergar de jeito nenhum até o árbitro levantar seu braço da vitória. O árbitro, um picareta de marca maior. Oito minutos de acréscimo que valeram uma hora inteira.

Foi a segunda rodada, pode não significar nada. Mas o grito incessante da torcida, o coro depois da partida, os abraços sem ter fim, os amigos – Márcio, Lenyr (nosso Mike Rutherford), o Tiba (que deu uma de Tim Maia), o Nelsinho e o Gonzalez – que estavam na outra -, o Caldeira – que veio de algum jeito -, o meu amigo Arthur, tudo isso me fez voltar no tempo desde que eu era um garoto que passou a perseguir o Fluminense para sempre. Hoje, pela primeira vez, eu me senti em casa – e vi o futuro repetir o passado. Eu fui o Arthur um dia, orgulhoso ao lado do meu pai e vendo a torcida gritar até não poder mais.

Às favas com pedantismo, tecnocracia oca e falso academicismo. Foi uma vitória do caralho! O Fluminense foi foda!

Agora é comemorar com Tom Zé. Bom feriado. Pena que o aniversariante do dia, Brasil, virou outra coisa.

@pauloandel

1 Comments

  1. Aqui são 3h30 da manhã e não sei que horas vou dormir (amanhã é segunda), estou lendo tudo e revendo tudo.
    Amanhã na hora de preparar a janta vou ouvir a tupi no YouTube !
    Rumo ao Penta!
    Mais feliz que pinto no lixo !
    Um sentimento verde, branco e grená.
    Grande abraço ao Panorama !

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