Tuta (por Paulo-Roberto Andel)

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Ontem, na bela festa dos Tricolores pela Democracia celebrando os 114 anos do Fluminense, experimentei ótimas recordações do nosso time, vividas há mais de dez anos e que continuam com toda força pelos caminhos da vitória.

Durante o evento, num telão se via grandes e gloriosos gols tricolores. Pesos pesados como a Máquina e o timaço 1983-1988, passando pelo Super Ézio, o gol de barriga do Super Renato e alguns hi-lites da primeira década deste nosso século (eu venho do anterior mas isso é mero detalhe).

Títulos, triunfos, ídolos e artilheiros o nosso Flu tem aos montes. E os mais badalados são sempre louvados, celebrados, revividos. Faz todo sentido: cronicar o grande passado abre as estradas para os caminhos à frente.

Em certo momento do telão, apareceu o Tuta com seus gols contra o Flamengo (seu ex-clube). Um grande artilheiro. Em 2005, ao lado de Leandro Guerreiro (que merece uma coluna exclusiva), o camisa 9 foi peça fundamental na conquista do Carioca daquele ano e da excelente campanha no Brasileiro, cujo desfecho infeliz só não nos levou à Libertadores devido a uma horcadada.

Simpático, discreto, simples, Tuta cativou a torcida do Flu em sua primeira temporada. Na segunda, em 2006, já não foi tão bem em termos de boa fase, mas justamente ali é que ele prestou serviços mais do que inestimáveis ao clube, que merecem reconhecimento à altura.

Sabedor de que não passava um bom momento técnico, numa equipe que perdera força e lutava contra um rebaixamento, Tuta não se fez de rogado: mostrou-se como um grande jogador de grupo, voltando o tempo todo como um louco para marcar laterais adversários, meias e até atacantes. Nas partidas finais do Brasileiro 2006 era praticamente um zagueiro em todos os escanteios contra o Fluminense, mesmo os do final do segundo tempo, quando os jogadores estão geralmente extenuados. E venceu: com uma vitória dramática sobre o Santa Cruz no Mundão do Arruda, o Flu mandou a segunda divisão para a cucuia. Logo depois, o artilheiro foi embora para o Grêmio e, a seguir, circulou em diversos times do futebol brasileiro até hoje ou ontem.

Tuta é um dos nomes que merece a devida valorização do Fluminense no futuro. Ele entendeu como poucos o espírito das Laranjeiras, lutando com todas as forças, fosse com a valentia dos gols ou a combatividade frente ao risco de destruição. Poucos perceberam que sua atitude pode ter contagiado os mais jovens daqueles tempos, que seis meses depois ganhariam a Copa do Brasil e escreveriam os primeiros capítulos de um livro riquíssimo que foi até 2012, com perdas, danos e conquistas inesquecíveis.

Discreto, sorridente e sempre mascando chicletes em campo, o artilheiro lutador abriu as trilhas para um Fluminense que desafiaria muitas definições. Uma figura quintessencial para se entender o Tricolor na primeira década do século XXI. Foram apenas duas temporadas, mas que valeram por dez.

Panorama Tricolor

@PanoramaTri @pauloandel

Imagem: globo

4 Comments

  1. Sempre que assistia a um jogo do Flu ao lado de meu saudoso pai e alguém perdia um gol, desses que a gente chama de feito, meu pai dizia que se fosse o Tuta era barbante….rsrs

    ST

  2. Aquele chiclete me irritava! Não consigo lembrar dele como você descreveu. Faço minhas as palavras do amigo acima.

  3. Até Tuta vira poesia com a genialidade de Paulo Roberto Andel.
    Passei a ter simpatia por ele agora.
    Muito bom texto!

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