Tropeço (por Gustavo Reguffe)

Dessa vez não dá pra botar a culpa exclusivamente na defesa. O time teve todas as chances de liquidar o jogo, sobretudo no primeiro tempo, mas não o fez. Ironicamente, acabamos fazendo o gol em erro deles e num vacilo acabamos cedendo o empate ao limitado time chileno. O resultado não chega a ser uma tragédia, mas empatar em casa certamente não facilita nossa vida.

O Flu começou a todo vapor; com o time ligado no jogo, rapidamente sucederam-se várias oportunidades de gol. Algumas bolas não entraram por falta de sorte, outras paravam no bom goleiro deles mas a maioria foi por falta de pontaria mesmo.

Thiago Neves, por exemplo, foi um que tentou bastante. Aliás, fez sua melhor partida em muito tempo. Wellington Nem também apareceu bem; sobre este último, é preciso que se diga, trata-se de jogador perigoso, rápido, forte, driblador, mas que definitivamente não sabe finalizar. Além disso, nem sempre escolhe as melhores opções de jogada quando tem a bola. Mas isso se resolve com o tempo e muito treinamento.

O time diminuiu o ritmo na segunda etapa e acabou pagando caro pela displicência; em mais uma falha de Edinho, que deu um bote arriscado e permitiu-se assim ser driblado facilmente dentro da área, teve início a jogada que resultou no empate.

A partir daí, o Fluminense tentou ir pra cima de forma desorganizada. Abel ainda tentou colocar o Rhayner no lugar do Bruno, mas a mudança não surtiu efeito. Aliás, não entendo porque Abel vem insistindo neste jogador em vez de dar mais chances ao Marco Júnior, que vinha tendo boas atuações e, até por sua velocidade, na minha opinião, seria o reserva imediato de Nem.

No mais, o resto do time teve esteve bem. Bruno e Carlinhos foram mais insinuantes, Digão e Gum jogaram com seriedade, assim como Jean e Cavalieri recuperaram-se das últimas atuações abaixo da crítica. Deco exibiu a categoria de sempre mas ainda não encaixou seu jogo; o time ainda fica um pouco mais lento quando ele está em campo.

Agora haverá um intervalo de Libertadores, o que pode nos ser muito útil. Teremos mais tranquilidade para nos dedicarmos a uma competição apenas e podemos aproveitar a oportunidade para ajustar o foco e encontrar um padrão de jogo. Do fatídico jogo contra o Grêmio pra cá, o time tem sido bastante instável e a hora de engrenar é agora. Senão pode ser tarde demais.

Gustavo Reguffe

Panorama Tricolor

@PanoramaTri

Imagem: André Luiz Mello – O Dia

6 Comments

  1. Minha paciência se esgotou ontem. Chega, não dá mais para aceitar justificativas para o mau desempenho permanente do time usando fatores extra campo. Os motivos da nossa campanha nada empolgante na Libertadores se deve a forma como o time é treinado, motivado e preparado. Não é possível entender como jogos contra adversários reconhecidamente mais fracos no papel se transformam em pesadelos. Ontem, mais uma vez, o time fez um golzinho safado, de pênalti, que se deveu mais a falha do adversário e do que ao mérito dos nossos atletas e, novamente, novamente, novamente, novamente recuou, dando espaços a um time medíocre e sem criatividade pressionar até fazer um golzinho salvador. Depois tenta sair no desespero a espera de um milagre. Porque não joga com a faca nos dentes o tempo inteiro? Provavelmente porque o Abel, em sua sana defensivista, sem a ousadia dos vencedores, insista em garantir placares magros, apertados. O time é reflexo do seu técnico. Não consigo aceitar a desculpa de que ele não manda o time recuar. Isso não cola, o time faz o que o técnico incute na sua cabeça.
    Não sou do tipo que aceita desculpas esfarrapadas. Nosso time joga de acordo com a filosofia do Abel. Ontem dava pra ver que o Flu poderia ser castigado com um gol do adversário, mas se acomodou e mereceu as vaias da torcida. Também não entendo como os jogadores titulares se cansam com facilidade e dão lugar a reservas que nem sempre correspondem. Ou não estão bem preparados fisicamente ou as substituições são apenas para justificar que o técnico tentou mudar o panorama do jogo. Infelizmente as coisas não estão dando certo e estamos insistindo que o time é o melhor do mundo, que tem um plantel excepcional, blá, lá, blá, enquanto os resultados não indicam nada disso. Ok, se quiserem continuar com sonhos de quimera, tudo bem, eu sou um pouco mais realista e estou de saco cheio.

    1. Jorge,

      Acho que te entendo quando fala da “sana defensivista, sem a ousadia dos vencedores” de nosso treinador. Fico muito à vontade pra falar disso pois não foram poucas as vezes em que critiquei aqui o estilo excessivamente cauteloso, às vezes covarde, do Abel. Acho que o time tem que aproveitar um jogo fácil para liquidar logo a fatura e não se contentar com um placar apertado. Como fez, por exemplo, o Grêmio, dentro de nossa casa. Eu só acho que ontem o time foi um pouco mais à frente do que de costume. Enfim, acho válido o desabafo, temos que manter os pés no chão.

      Abraço

  2. Rods comenta:

    sem chance de você ser tricoleba ou corneteiro, Jorge. Sua paciência durou bastante.

    Quem extrapolou foi parte da torcida ontem gritando “vergonha”. Não acredito que ainda seja o caso.

    1. Também não. Amo o flu e quero sempre o melhor para o time e a torcida. A minha frustração é saber que o time pode jogar muito mais que tem feito, mas parece estar mentalmente acorrentado por grilhões impostos pelo próprio treinador. Por que o Atlético, o Grêmio e Corinthians não jogam como o Flu, acovardado em momentos cruciais das partidas? Será que eles têm times tão melhores assim ou será a forma como os seus técnicos pensam o jogo e treinam seus times?
      Obrigado Abel pelo ano passado, mas definitivamente se na vitória eu já não gostava do seu estilo de comandar o time, agora com as derrotas eu não consigo mais me calar. Mas, continuarei acreditando que podemos reverter esse triste e desnecessário quadro.

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