Por que não os titulares, Abel? (por Aloísio Senra)

Tricolores de sangue grená, confesso que, ao entender como normal, aqui nesta coluna mesmo, que o Fluminense tratasse a Primeira Liga como secundária, eu ainda desconhecia algumas informações como, por exemplo, o prêmio para o campeão. Se o Fluminense vencer o Londrina, depois bater Grêmio ou Cruzeiro e, por fim, derrotar Flamengo, Inter, Galo ou Paraná, não apenas se manterá como único campeão da Primeira Liga, mas embolsará cerca de R$ 3 milhões. Para alguns, pode ser mixaria. Será?

Quantos meses de salário do Henrique Dourado ou do Scarpa essa quantia paga? São três jogos para o título. Não vale a pena? O Brasileirão está difícil, o Flu ainda mantém a gangorra mencionada outrora nestas linhas, e não decola nem quando aparentemente tem condições para tal. A Sul-Americana terá seu próximo jogo apenas daqui a uns 15 dias, e será no Rio de Janeiro. Qual o motivo, então, para mandar os reservas a campo contra o Londrina? Birra do Abel? Ou seja, porque o Abel não gosta da competição, não podemos jogá-la pra valer?

Gostaria sinceramente que a postura adotada fosse outra. Tivemos um tempo de descanso sem jogos de mais de uma semana recentemente, não há nenhuma razão – nenhuminha mesmo – para poupar o time titular. Imaginem o prejuízo não apenas financeiro, mas esportivo, num eventual revés para o Londrina que, com o devido respeito, não possui qualquer expressão nacional. Onde está a defesa dos interesses do Fluminense nessa história? Não podemos e não devemos abdicar da manutenção do respeito por nossas cores.

Se ainda estivéssemos disputando a Copa do Brasil, se estivéssemos em uma maratona de jogos, num período sem pausas, ou se fôssemos encarar uma viagem a Quito na sequência, eu juro que entenderia. Mas o momento atual é propício. Dane-se que os demais times provavelmente farão o mesmo. Tenho certeza que o Londrina não o fará. Nosso adversário é o 13º colocado na Série B, mas tem a mesma pontuação nossa, 30 pontos. Venceram mais jogos (oito), mas perderam mais também (os mesmos oito). Perder deles, com o time que for, será, sim, um baita vexame.

Confio plenamente na capacidade técnica do Abel, mas não dá para concordar e aplaudir uma decisão completamente incoerente como esta, tampouco achar normal que a diretoria dê sustento à vontade do treinador. Existe uma hierarquia, e ela precisa ser cumprida. É função do vice de futebol conversar com nosso querido Abel e convencê-lo a escalar força máxima contra o time paranaense. São alguns milhões de reais na conta e mais uma taça para Álvaro Chaves, talvez a única que conquistaremos este ano. Não podemos simplesmente ignorá-la. Força máxima, vitória na conta, classificação para as semis. É o mínimo.

Curtas:

– Não entendi, sinceramente, as substituições do Abel no sábado passado. Ele encheu o time de atacantes no segundo tempo, em vez de tentar ganhar o meio, que era onde o Vasco fazia seu jogo. Nos jogos em que falta mais competência do que sorte, não dá pra absolver o técnico.

– Ao contrário do jogo contra o Galo, pegamos um Vasco arrastado, que tornava nosso jogo lento e impedia nossas ações. O Bacalhau jogou como pequeno e ganhou o jogo, muito similar à maneira que o Botafogo joga contra nós. É preciso aprender a vencer esse tipo de partida.

– Sornoza era praticamente uma necessidade, mas foi preterido. Se ninguém me ouvir, que entre contra o Londrina pelo menos para ganhar ritmo. O time titular precisa muito de sua presença.

– Diretoria do Fluminense, comissão técnica, torcida, João de Deus, Gravatinha, autoridades competentes, por obséquio, impeçam o lateral Léo de cobrar os arremessos manuais para a área. Obrigado, de nada.

– E por falar em laterais, os nossos atravessam uma má fase de doer, juntamente com o Scarpa. Falta treinamento de passe, o aproveitamento tem sido baixíssimo. Orejuela também está mal há muito tempo.

– Wendel vendido por 10 milhões de euros. Bom negócio? Com a palavra, os especialistas.

Panorama Tricolor

@PanoramaTri

Imagem: alo

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