Terra de gigantes (por João Henrique Castro)


O reconhecimento da grandeza tricolor que vem de quem é grande em Minas Gerais.

Nesta terça-feira tive a honra de participar do lançamento do livro “Duas Vezes no Céu”, de autoria do amigo Paulo Roberto Andel, colunista aqui do PANORAMA. Coisa fina, digna das tradições tricolores, meninas bonitas (não à toa, pois certamente a torcida feminina tricolor é das mais bonitas do Brasil), gente inteligente, bom papo e uma festa bacana, honrando aquilo que o Fluminense fez em campo na última temporada.

Reconhecer o belo 2012 do Fluminense, aliás, é demonstrar grandeza de espírito. O legítimo campeão nacional e dono do Rio fez, em campo, por merecer os canecos. Um time com garra e talentos como Cavalieri, Deco e Fred, para ficar apenas nos símbolos maiores desta campanha, não conquista um campeonato por acaso. O que dizer, então, de dois?

Com muita tristeza, no entanto, vi que boa parte da imprensa do meu estado natal, minha Minas Gerais que carrego no sangue e orgulho no peito, tentou desmerecer esta conquista. Não estranhem, meus amigos tricolores. Infelizmente, há muita gente (não são mais tantos, é verdade) em meu estado assim.

Um lamentável mosaico CBFlu mascarou uma vergonhosa queda de ritmo no segundo turno. Isto, certamente, os enervou, amigos tricolores. Não se importem! Chorar, para o lado alvinegro das alterosas, é natural. Alguém tem que ser culpado pelos 42 anos na fila, afinal.

Enquanto times grandes como o de vocês, e o meu Cruzeiro, único clube grande das Gerais, se acostumam com títulos e se espelham nos campeões da vez para buscar novas glórias, alguns só sabem lamentar e não reconhecer seus erros.

A cada vez que o título não vai para empoeira sala de troféus do clube em questão (podia ser uma mesa, ostentando apenas a taça de 1971), o choro é o mesmo. “Quem vive de título é simpatizante. Se não fossem os juízes, ganharíamos todo ano, etc)”. Mas o lamentável barulho que veio da minha terra em 2012, infelizmente, incomodou.

Não levem para o pessoal, amigos tricolores. Este texto é para dizer que existe vida inteligente em Minas. Mais ainda, para dizer que somos maioria. 2013 começa com o Fluminense dono do Brasil e almejando a América. E quem é grande, como o meu Cruzeiro é, sabe reconhecer que este momento é justo.

No entanto, não se acomodem, afinal de contas, nós e tantos outros gigantes não estamos chorando, mas sim correndo atrás. A temporada promete e grandes clubes desafiarão o Fluminense. Ah, e o time preto-e-branco de Minas Gerais pode aparecer para chorar mais uma vez também.


João Henrique Castro

Cronista gentilmente cedido por www.guerreirodosgramados.com.br

@jhfcastro.

Contato: Vitor Franklin

5 Comments

  1. Belo Texto… Grande q é grande reconhece o momento do adversario, Hj o Fluminense é o melhor time do Brasil e os outros tem que correr atras como o fluminense já fez, agora mascarar uma queda de desempenho, culpar arbitragem é coisa de time pequeno, time PATETICO

  2. Nós, tricolores, saudamos os torcedores do único grande das Gerais, o Cruzeiro!

  3. Texto bacana, João!
    Gosto do cruzeiro, sem fazer média alguma!
    Aquele time do cruzeiro de 2003, da tríplice coroa, foi sensacional!
    Á copa do Brasil, que vocês ganharam em cima dos molambos, foi inesquecível!
    ST4!

  4. Isso me faz lembrar da F1. Quantas vezes assisti corridas em que um piloto habituado a vencer GP, mas que por uma circunstancia qualquer estava na condição de retardatário, saía da frente dos que disputavam as primeiras posições entendendo a disputa pelos primeiros lugares por já ter estado ali. Em contrapartida, aqueles que sempre estiveram na rabeira relutam em sair da frente pois não entendem a liderança. Assim são Cruzeiro e Atlético. O primeiro é grande, acostumado com vitórias e não fica enchendo o saco e desmerecendo o sucesso alheio, como faz o segundo. A torcida do galo se mostrou mesquinha, pequena e invejosa. Não merece, enquanto não se redimir da vergonha de 2012, estar entre os grandes vencedores de títulos do Brasil, infelizmente. E é por isso que na natureza a raposa come o galo (ou seria galinha?)

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