Terceirizar é preciso? (por Rods)

sócio torcedorNo começo da semana surgiu a notícia que o marketing do Fluminense está pensando na possibilidade de terceirizar a gestão – ou ao menos parte dela – do programa de sócio-torcedor. Essa decisão não é nada fácil, pois envolve a soberania do clube e a qualidade dos serviços aos associados. Seja qual for a opção escolhida, só um resultado extremamente positivo pode conseguir agradar a todos. E com isso, quero dizer, no mínimo, independência financeira das cotas de TV.

Os programas de sócio-torcedor hoje estão vinculados ao “Movimento Por um Futebol Melhor” da Ambev. Ele funciona como uma grande central, que padroniza alguns benefícios e reúne dados, como o número alcançado por cada Clube. Segundo seus números, o grande líder no ranking é o Internacional, com 125.781 torcedores. É graças a esse número que foi anunciada meses atrás a tal independência citada acima. Ou seja, o colorado gaúcho não precisa da Rede Globo. Pense e reflita no que isso significa.

Nós, com mais de cem mil a menos, aparecemos humildemente em 12º, atrás de Sport e Bahia. Nada contra os dois maiores do Nordeste, mas nós, entre os de grande projeção nacional, estamos à frente apenas de Vasco e Botafogo. No meu entender, isso prova que somos deficitários em algum ponto. Se a divulgação é ruim, se o plano não é atrativo o suficiente, se o problema é o Consórcio Maracanã ou mesmo se o torcedor tricolor é preguiçoso, não posso me dar a liberdade de dizer sem um estudo aprofundado.

Quando surgiram os planos diferenciados de associação ao Fluminense, eu optei por ser sócio-contribuinte – segundo nosso Vice-Presidente de Marketing, Marcello Gonçalves, a ideia é ter um total de cinco categorias diferentes de sócios. Mas o foco é a modalidade sócio-torcedor. Ela deveria ser a grande estrela dessa história. O que ela dá hoje?  Por R$29,90 mensais, dá direito a 50% no ingresso, compra antecipada, aos benefícios do Movimento e a voto nas eleições para Presidente do Fluminense. Parece ótimo, não parece? Mas com números bem aquém do esperado, a coisa não foi lá muito bem.

E agora, o que fazer?

Aí entra a possibilidade da terceirização. Afinal, se você não sabe fazer, procure quem sabe. Será? A empresa com a qual o Fluminense conversa é a CSM, integrante de um grupo internacional especializado em marketing esportivo. Ela assumiria toda essa integração entre os responsáveis por serviços específicos, como ingressos, benefícios e atendimento ao associado. Assumiria e faria, em tese, um trabalho profissional. Coisa que o Fluminense não pareceu conseguir.

Além de possibilitar a melhoria com uma prestação de serviço decente, o Clube se livraria desse peso para se concentrar em outras frentes.

Falando de forma superficial, optar pela terceirização pode soar como uma confissão de incompetência ou de preguiça. Alguns podem até entender como uma espécie de política neoliberal, com as tais privatizações. Obviamente, o ideal seria que o marketing e a administração tricolor encontrassem os erros, planejassem tudo com muita calma e vontade para arregaçar as mangas, botar a mão na massa e fazer algo que funcione. Que enalteça nossa tradição de vanguarda.

Porém, assumir a falta de condição, mesmo que temporária, de se fazer algo não é exatamente uma coisa ruim. Afinal, o que busca o torcedor? Busca ser bem atendido, ser respeitado, receber um serviço bem feito e ficar satisfeito.

Para o Clube, com a terceirização, há uma boa possibilidade de alcançar uma renda bem superior que a de hoje, mesmo com a fatia destinada à prestadora do serviço.

Eu confesso que recebi a notícia com muita estranheza. Achei que entregar um serviço importante assim do Fluminense a “estranhos” poderia ser uma afronta e até beirar o grotesco. Mas por que não abrir essa porta e aprender? Por que não colocar uma rodinha na bicicleta, já que mal sabemos pedalar?

Como eu disse, essa decisão é bem complicada e a minha intenção aqui é levar à reflexão. A única certeza que tenho é que do jeito que está hoje, não temos como ir longe. Se a opção for seguir sem a terceirização, que as mudanças sejam feitas. A lista é grande e eu precisaria de outra coluna apenas para pontuá-la.

ST!

Fontes:

Coluna Dinheiro em Jogo

Movimento Por Um Futebol Melhor

Panorama Tricolor

@PanoramaTri @Rods_C

Imagem: reprodução do site oficial do Fluminense

rádio5

4 Comments

  1. Torçamos para que nossa independência financeira esteje próxima para que em um futuro próximo estejamos consolidados sempre entre os melhores times do país como uma administração idem. “…Quem espera semre alcança…”

    st

    1. Rods comenta:

      Renard, isso seria de extrema importância pra gente. Uma das formas de “dominação” que a Globo exerce sobre os times é a cota de TV. Alguns não apenas contam com ela, como tb pedem adiantamento para poder saldar dívidas.

      Com um número mais representativo de sócios, ganhamos ainda uma força extra para negociar patrocínios e parcerias. Para isso, um sistema que funcione e que traga um bom retorno é de suma importância. Terceirizado ou não.

      ST!

  2. Andel: sem fazer carnaval com a própria casa, achei a reflexão excelente e nem é preciso concordar com todos os pontos dela para a devida apreciação. Minha opinião é a de que a terceirização pode ser um completo desastre; aliás, mais um em se tratando de um produto que já foi mexido diversas vezes e que, se fosse bem trabalhado, poderia gerar aos cofres do clube no mínimo uns R$ 18.000.000,00/ano. Braxxx

  3. Quando eu li na internet q o inter conseguiu a independencia da globo, vi que n foi por acaso, o inter investiu eem CT, deu qualidade de trabalho aos jogadores, gerou socio torcedor de diferentes modelos, torcedores de fora do estado, para criancas e ate idosos, ou seja o torcedor é respeitado, o inter aumentou os socios depois do titulo da libertadores e mundial e agora principalente com o estadio reconstruido, o flu tem que seguir o mesmo exemplo, ganhar titulos

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