Sobre Fred (por Fagner Torres)

fagner tricolor 2016

Em primeiro lugar, devo desculpas aos amigos do Panorama, sobretudo a Paulo-Roberto Andel, a quem devo este espaço, e que, há semanas, insiste para que eu voltasse a ocupá-lo. Pessoalmente não foi fácil. Em tempos de ódio, ofensa e hipocrisia, me inseri no contexto e gastei todas as minhas energias em outras frentes de modo que a ausência fosse inevitável.

Mas estou aqui.

Sou um ator político desde que nasci. Nunca me conformei com o que nos ensinam ser natural. Nesta vida, já li muita coisa boa, conversei com muita gente interessante, tive viagens que mudaram a minha existência. E tudo isso me ensinou que o natural simplesmente não existe. Aos 33 anos de idade, dez como jornalista, sinto-me maduro, calejado e estudado o suficiente para saber que somos frutos de uma cultura. E que esta, de acordo com o rumo da História, às vezes se mostra perversa.

São tempos estranhos. Nos quais precisamos refletir e gritar o óbvio. O país está em ebulição. Pessoas que se amavam em silêncio agora se odeiam por qualquer bocejo. O Brasil, que durante mais de cinco séculos viveu uma paz velada, atualmente parece uma arena com duas torcidas organizadas rivais.

São tempos estranhos. No Fluminense, o certo virou errado. Encontro é chamado de usurpação. Homens se tornaram maiores que o clube. O capitão, o exemplo, virou as costas aos demais. E o chefe, atento a tudo, apenas lava as mãos. Ontem vi jogadores dizendo que não sabem muito bem o que pensar.

E olha que o time estava se ajeitando. 11 jogos sem perder. Uma final longe de casa a disputar. Torcida voltando a sorrir. Dois títulos possíveis. Que coisa! Era para estar tudo bem. Afinal, já estamos há quatro anos numa mediocridade enojante.

Infelizmente nem tudo é o que parece.

Vou me ater ao Fred. O ídolo com pés de barro.

Sempre amei os craques, os gênios, os artilheiros. Fred se encaixa aí.

Fui entusiasta da sua contratação. Saí mais cedo do trabalho em 2009 para assistir sua estreia. Vibrei com os gols.

No mesmo ano, o defendi quando achei que ele estava sendo alvo de uma perseguição, mesmo com o time caindo pelas tabelas. Ri da cara daqueles que o acusavam, quando ele – e o Fluminense – deu a volta por cima.

Compadeci-me de sua contusão que não o permitiu ser protagonista em 2010. Chamei-o de melhor centroavante do mundo em 2012. E virei um balão de orgulho em junho de 2013. Não torço pra Seleção da CBF, mas foi bonito ver rubro-negros, vascaínos e botafoguenses gritando “o Fred vai te pegar”.

Chorei com ele na Bahia no final daquele ano.

Fui seu advogado público na Copa do Mundo. A culpa não foi dele. O esquema não ajudou. O técnico era ultrapassado. Está tudo registrado lá na ESPN.

Porém, agora está encerrada a vibração. Morreu o compadecimento. Enterrou-se o orgulho. As lágrimas secaram. A defesa é impossível. Fred NÃO TEM DEFESA.

Não tem defesa porque ele não está conosco desde ontem. Aqui fez história. Viveu. Foi reconhecido no sucesso e acalentado quando virou vidraça do país inteiro. Sabe de nossas carências.

Fred não é mais um garoto rebelde. E divergências de pensamento à parte, também não é só mais um jogador idiota metido a cidadão, como a maioria.

O que Fred está fazendo com o Fluminense é mostrar sua face oportunista fora da pequena área. Aquela que a maioria da nossa torcida não conhecia. E que agora assiste, surpresa, estupefata.

Ainda há tempo de corrigir? Claro, mas sinceramente não creio.

Fica o recado para o que resta da sua carreira: a soberba reside na antessala do fracasso.

As taças que ele conquistou em grupo, ficarão. O Fluminense passará.

O que não passará é a falha de caráter. Quem apanha, meus amigos, nunca esquece.

Desde que tenha vergonha.

Panorama Tricolor

@PanoramaTri @TorresFagner

Imagem: fag

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