Sobre Cavalieri (por Eric Costa)

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Certa música nos diria que amanhã talvez este vendaval saia do caminho e esse temporal faça algum sentido. Entre um Sol que não sai e uma pesada nuvem que não se vai, nosso arqueiro inicia o ano de 2015 sob questionamentos e críticas, por vezes meramente destrutivas.

Há um pouco de mais do mesmo neste cenário: desde que chegou ao Fluminense em 2011,  quando cambaleou em seus primeiros jogos, Cavalieri apenas não foi colocado em debate em 2012, quando foi incontestavelmente personagem essencial na boa campanha na Libertadores e nos dois títulos conquistados.

O abatimento geral de 2013 em certos momentos o envolveu e a incógnita de 2014 o tornou tão incerto quanto todo o clube no ano passado. O pênalti desperdiçado no último sábado taxa, na distorcida opinião de tantos, simbolicamente nosso goleiro como até mesmo “de ciclo encerrado”.

Ora, caro leitor, caso fosse você alguém que pouco ou quase nunca leu algo sobre nosso clube, provavelmente estaria atirando pedras contra o autor. “O pênalti desperdiçado faz gente criticar um goleiro?”. No Fluminense e em sua, em grande parte, precipitada torcida, sim.

Após lances capitais, como o do último sábado, as redes sociais parecem um infinito muro das lamentações, com um quê de contradição bem interessante. A rapidez com a qual uma boa informação se dissipa infelizmente é a mesma com a qual uma distorção visível da realidade o faz. Os autores das montagens, memes e textos ridicularizantes aparentemente esquecem aquela que talvez seja uma das falhas mais comuns em nosso cotidiano: a transferência de responsabilidades e atribuições.

Apenas se chega à situação de um goleiro precisar cobrar nos pênaltis alternados em uma situação extrema, fruto de falhas inexplicáveis durante os noventa minutos de uma defesa questionável, além do incontável desperdício de oportunidades no ataque.

Cavalieri, em sua competência de impedir gols, hesitou em um dos lances capitais, mas salvou em outros tão importantes quanto. A defesa à queima-roupa no chute de Jobson foi inacreditável.

Criticar Cavalieri por alguns erros recentes na sua atribuição de impedir gols tem fundamento coerente. Questionar a inabilidade do arqueiro ao sair jogando com os pés também é válida: há algum tempo,  Diego tem falhado nas reposições e se atrapalhado em bolas recuadas. Os tempos modernos exigem este incremento de habilidades à função do goleiro. Cavalieri, assim, precisa evoluir neste aspecto pelo benefício tático de uma boa saída de bola – mas não por pênaltis.

Criticar Cavalieri, porém, pelo erro na cobrança é imergir em um oceano de incoerência, no qual navega mais gravemente ainda o rótulo de displicência que se tenta lançar neste atleta. Tentar atribuir um estereótipo tal qual a este profissional é atitude mais do que inapropriada de um torcedor tricolor: é irresponsável.  O extenso, repetitivo e exaustivo treinamento aos quais os goleiros são submetidos faz, como rotina, Diego ser o primeiro a entrar pelos portões de Laranjeiras e um dos últimos a sair, com toda licença do clichê.

Cavalieri, FERJ, Drubscky: além de muro das lamentações, as redes sociais se tornam grandes cenários de caça ao fim dos grandes embates. Fácil falar e fazer previsões depois que aconteceu. Fácil sonhar condições ideais que pouco são compatíveis com nossa realidade. Difícil constatar que a caça às bruxas pode ser uma mortal venda em nossos olhos: temos carências internas e estas hoje pouco passam por federações, técnico e pelo grande goleiro que temos nos protegendo.

As carências estão a meio metro de nossos olhos. Queiramos, por favor, vê-las. Ao se planejar a grande jornada do Brasileirão, é necessário afastar de lado os tampões. De todas as incoerências e autocríticas infundadas, devemos escapar e fazê-lo com importante intuito de que a pauta maior deste ano não seja fugir de fantasmas de outrora.

Se somos ainda mais fortes este ano? Eu não sei. Mas com um Cavalieri acolhido, bem treinado e com a seriedade de sempre, somos privilegiados: poucos clubes têm um profissional deste sob sua meta.

Contigo, Cava!

Saudações tricolores.

Panorama Tricolor

@PanoramaTri

Imagem: google

#SejasóciodoFlu

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