Sobre Alberto Lazzaroni (por Paulo Roberto Andel)

Eu o conheci há alguns anos. Ele conseguiu meu contato com alguém, foi ao sebo e passamos uma tarde conversando. Logo ficamos amigos e logo ele integrou nossa equipe. Depois nos desentendemos e nos reconciliamos por motivo justo, o que foi ótimo.

É uma pena que Alberto tenha sido abatido em pleno voo, ainda jovem e com muito a ser feito. Num Fluminense hoje movido a atores canastrões que supostamente influenciam pessoas com tolices no Twitter, ele representava exatamente o contrário: o saber, a intelectualidade e o conhecimento típicos de um professor preparado, culto e com pleno domínio sobre a história do clube. Não tenho dúvidas: com seus projetos de livros executados, Alberto estaria entre os maiores escritores da história do Fluminense, pois reunia talento para a escrita e domínio sobre o tema. Afirmo com tranquilidade do local de fala que me cabe na questão.

Poucos vão saber disso, mas a derrota que significa sua morte é dolorosa para sua família, amigos e colegas, mas também o Fluminense, que deixou de ter produções de audiovisual maravilhosas. Era um apaixonado pela Máquina Tricolor, o que só comprova seu apreço pela arte.

Outro dia, mesmo, nos encontramos no Bellini, talvez há dois meses. Era um jogo de sábado à tarde, acho, menos cheio e que, como raramente faço, cheguei em cima da hora. Alberto tinha um ingresso sobressalente do irmão e me perguntou se eu não conhecia alguém que quisesse. Disse a ele que subiria para consultar via Whatsapp algum interessado, embora fosse difícil por ser em cima da hora. Então nos abraçamos, agradeci a ele, entrei no curral da Leste Superior e me emocionei ao lembrar de um pedacinho de chão da entrada do Maracanã, onde estive sentado com meu pai em 1978 – e nunca mais esqueci. Não consegui ingresso, mas a última imagem que guardo de Alberto é a de alguém preocupado com uma boa ação, interessado em ver um torcedor sem ingresso ter vez no Maracanã. Isso dá o tamanho exato de sua personalidade.

Precisamos nos abraçar mais, pelo menos entre os que nutrem bons sentimentos para com o próximo – não me refiro aos falsos, arrogantes e medíocres de alma. Foi o que fizemos naquela entrada, sem a menor ideia de que seria a última vez. Em casa, com dores no pé, acabei de acordar e soube da terrível notícia. Alberto Lazzaroni deixa um trabalho enorme na Educação e sua ausência deixa um imenso espaço silencioso. Ele foi a grande promessa não cumprida da literatura tricolor, mas foi um escritor de verdade e, para quem vive esse movimento, essa é uma constatação insuportável.

Agora, o mais importante de tudo: Alberto não era apenas uma boa pessoa mas fazia o bem. Isso é o que fará mais falta. A cordialidade, a gentileza, em oposição a tanta gente hostil. Que descanse em paz, enquanto a Terra física parece cada vez mais obcecada pela guerra.

2 Comments

  1. Paulo, muito obrigada pela homenagem e pelo carinho! Era sim, apaixonado pelo Fluminense ❤️, e como sabia da sua história… e como entendia de futebol…

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