Simpatizantes & torcedores (por Felipe Fleury)

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Há alguns dias me deparei com uma polêmica postagem numa rede social. Alguém escreveu que o Fluminense, por ser um clube originário do Rio de Janeiro, somente teria torcedores aqui – cidade e estado; os demais fãs, espalhados por todos os cantos do país, não seriam torcedores, mas apenas simpatizantes.

Trata-se, evidentemente, de uma visão distorcida e até mesmo discriminatória, mas que nos leva a uma reflexão mais profunda sobre o que sejam, realmente, simpatizantes e torcedores no mundo do futebol, mais especificamente no que diz respeito ao Fluminense Football Club.

Desconsiderar essa parcela extra-Rio de Janeiro da torcida tricolor é ser, no mínimo, injusto com torcedores que aprenderam a amar o Fluminense apenas imaginando, ao ouvir as transmissões radiofônicas de outrora, os grandiosos times que nossos antepassados cariocas tiveram a oportunidade de assistir ao vivo. Muitos daqueles, que só tinham o rádio como fonte de informações, morreram sem ter visto o clube que aprenderam a amar uma única vez; porém, mesmo assim, transmitiram a sua paixão para filhos e netos nos mais diversos rincões do Brasil. Como não reconhecer a eles, então, o status de verdadeiros torcedores?

São esses tricolores do Distrito Federal, de Santa Catarina, do Espírito Santo, de Mato Grosso, de Rondônia, do Amazonas, por exemplo, que dão ao Fluminense a natureza de um clube nacional. E muitos desses, não se olvide, participam mais ativamente da vida tricolor do que muitos cariocas que residem próximos às Laranjeiras ou aos estádios onde o Flu costuma se apresentar.

Essa distinção não pode se dar, portanto, apenas pelo critério geográfico.

O que distinguiria, assim, simpatizantes de torcedores? A resposta a essa indagação é importante não somente para que se tenha uma noção mais exata do tamanho da torcida, mas para que esta seja explorada como fonte de receitas para o clube através de um marketing eficiente.

O torcedor, segundo penso, é quem acompanha, se interessa pelos assuntos e produtos do Fluminense, aqui no Rio, em Manaus ou em Worcester. A sua pouca ou nenhuma frequência aos jogos, assim como o local em que nasceu, não podem ser fatores determinantes para o seu “rebaixamento” ao patamar de simpatizante. Por vezes a distância, as condições financeiras e outras circunstâncias o impedem de acompanhar presencialmente seu time, mas não o impedem de tê-lo permanentemente em seu coração.

O simpatizante é, mas não é. Para ele tanto faz uma derrota ou vitória, porque nenhum sentimento nutre pelo clube, senão o da mera simpatia. Pelas cores, pelas origens, pela gratidão a algum parente, seja pelo que for, o simpatizante não torce, apenas simpatiza.

Se um instituto de pesquisas fizesse uma enquete sobre o time para o qual torce o entrevistado, o torcedor responderia taxativamente: “Fluminense”; o simpatizante, por sua vez, diria: “Não sou muito fã de futebol, mas pode por aí Fluminense”. O traço distintivo necessariamente envolve o sentimento.

Eu mesmo conheço torcedores que, com o passar do tempo, se transformaram em simpatizantes e simpatizantes que se tornaram torcedores, o que significa que é sempre importante ao marketing estar atento a essas correntes migratórias que vez por outra mudam a cara de parte da torcida, esta entendida em sentido amplo – aqui se incluem os simpatizantes -, porque o principal destinatário dos produtos do clube é o torcedor, não o simpatizante. E é pelo número de torcedores, em sentido estrito, que se mede o potencial econômico da torcida.

É o torcedor, em sentido estrito – aqui se exclui o simpatizante -, quem, cumulativamente ou não, exterioriza a sua paixão através da aquisição de produtos oficiais do clube, da associação, da compra ingressos e pacotes de pay-per-view, mas é sobretudo quem ama o Fluminense independentemente do que a sua capacidade financeira seja capaz de comprar. O sentimento de amor ao clube parece ser, assim, um eficiente diferencial entre quem torce e simpatiza. É ele quem move o torcedor aos estádios longínquos, manipula o seu humor nas vitórias e nas derrotas e lhe dá o direito de transmitir aos filhos a sua paixão.

Simpatizantes e torcedores constituem uma torcida em sentido amplo, mas somente estes últimos estarão ao lado do clube, porque o amam, nos bons e nos maus momentos.

De toda a sorte, caso não tenha parecido clara ao leitor a distinção que propus fazer entre simpatizante e torcedor, talvez esta seja bastante simples e definitiva: se alguém, por acaso, disser que você é um simpatizante e isso lhe soar como uma ofensa, certamente você é um torcedor.

Panorama Tricolor

@PanoramaTri

Imagem: google

#SejasóciodoFlu

6 Comments

  1. Parabéns Felipe você sintetiza um assunto relevante para quem realmente ama o Flu.Com relação a ser simpatizante é o mesmo que perguntar qual seria seu segundo time no Rio,com certeza o América ,ou melhor o Mequinha cai na simpatia de muitos Cariocas.
    Eu sou Torcedor compro produtos oficiais, me desloco de MG pra ver o Time,seja em Volta Redonda ou no RJ,e acho mais identificador para o Torcedor é o fato de perder amizades,mulher e até chorar pelo Time, coisa que o simpatizante jamais faria.

    1. Obrigado, Ricardo. Como você, felizmente, há muitos torcedores que vivem fora do Rio de Janeiro e participam intensamente da vida do clube. Abraço e ST

  2. ST**** Felipe

    Nem precisava citar Worcester (West Midlands, UK) para eu concordar contigo, caríssimo Felipe. Bastaria o exemplo de meu pai, tricolor capixaba, acompanhando no rádio nosso Fluzão com meu tio desde que se conseguem lembrar.

    Esse amor ao Tricolor levou-o a fundar torcida na década de 70 quando já morava no Rio de Janeiro.

    Simpatizantes x Torcedores, quid pro quod?
    Interessa fundamentalmente ao pessoal do dinheiro…

    Na arquiba ou jogando botão, nós somos o Fluminense!

  3. Excelente texto. O torcedor do Fluminense é um dos mais apaixonados que conheço. Fico emocionada por ter amigos, tricolores de coração, em todas as partes do Brasil e vários lugares espalhados nesse planeta. Parabéns pelas palavras!

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