Se não for difícil… (por Gustavo Reguffe)

“Se não for difícil, não é Fluminense!”. A máxima já está ficando tão batida quanto aquela do “imagina na Copa…”. Mas nenhum ditado se populariza por acaso; além da superação que o Flu tradicionalmente acostumou-se a demonstrar sempre que necessário, a maneira com que o time vem avançando no campeonato ajuda a corroborar a expressão, assim como a crescente reação de público e imprensa.

Parece que o time estabeleceu para si um padrão de jogo “chato e arriscado”, só para usar as palavras retiradas do comentário de um leitor em coluna passada. Ou seja, o time leva os três pontos, mas o faz jogando nos erros dos adversários, explorando os contra-ataques e, muitas vezes, recuando excessiva e desnecessariamente.

O desempenho no clássico do último domingo foi parecido com a descrição acima; a diferença é que, principalmente pela presença de nosso destacado trio ofensivo – Deco, Fred e Nem -, fomos mais insinuantes do que nos últimos jogos. Tivemos chances de fazer o segundo gol e matar o jogo em pelo menos três jogadas, antes do sufoco a que fomos submetidos quando, pra variar, nosso treinador decidiu recuar o time para “garantir o resultado” e, paradoxalmente, escolheu nosso surfista e dublê de cabeça de área para ajudar em tal tarefa.

(Vale um parêntese, aliás, para o Diguinho; ele tem sido nosso jogador mais perigoso… Só que para nós mesmos! É como comentou um amigo logo após a última partida: “- Parece que, quando o jogo está bom pra nós, o Abel coloca o Diguinho, só pra dar uma complicada”.)

Além das dificuldades descritas em nossas atuações em si, fatores extra campo começam a justificar o título desta coluna. Já há algum tempo, venho notando uma crescente má vontade quando se fala de Fluminense. Esse tipo de comportamento já vinha se repetindo, rodada após rodada, em vários setores da chamada “mídia esportiva”, ou “FlaPress”, ou sabe-se lá como podemos denominá-los.

O curioso é que tenho identificado, seja através de conversas de botequim ou de registros nas redes sociais, uma certa raiva das outras torcidas quando se fala do Tricolor. Talvez isso se deva ao fato de que, hoje, todas as estatísticas no campeonato nos sejam favoráveis e, consequentemente, nos coloquem na expectativa de mais um título brasileiro, o segundo em três anos.

Após o Fla X Flu, por exemplo, tanto torcida quanto imprensa adversárias resolveram dar mais importância aos quinze minutos finais do que ao resto da partida. A foto da capa do caderno de esportes do Globo, por exemplo, deu mais ênfase à defesa do pênalti por Cavalieri do que ao golaço do Fred. Mas não há de ser nada que nos tire de nosso caminho.

Não podia concluir, aliás, sem comentar os lances capitais do Fla X Flu: após passe magistral de Deco, Fred confirmou a condição de melhor atacante do Brasil com gol de extrema categoria. Impressionante como parece fácil pra ele! E o que falar de Cavalieri? Teve mais uma excelente atuação coroada com a importantíssima defesa do pênalti. Seleção? Quero mais é que Mano e a imprensa nos esqueçam!

Gustavo Reguffe

Panorama Tricolor/ FluNews

@PanoramaTri

Imagem: uol.com.br

Contato: Vitor Franklin

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