Se fosse sempre assim (por Mauro Jácome)

Quem não se sente mais leve depois de domingo? O futebol tem a capacidade de mexer no nosso humor, para o bem, para o mal. Pode ser vitamina, pode ser estricnina. O torcedor-torcedor não fica imune, alheio. Mergulha no dia a dia carregado das emoções absorvidas na hora e meia, duas, da última batalha.

Mesmo entrincheirado, acuado, pressionado – menos um – aqueles caras suaram sangue. O torcedor se sente representado. Cada um na sua função, o torcedor na arquibancada, no rádio, na TV, na internet, sua seu próprio sangue. Talvez, o torcedor estivesse dentro da área suando, rangendo, chorando junto.

Ele se imagina e se projeta em cada um dos onze em campo. Ou em dez, em nove, quantos sejam. Se o cara lá dentro sintoniza na onda, o torcedor o abraça, corre junto, empresta um pouco de energia. Se ganha, o torcedor se sente artilheiro, goleiro, craque, os onze, os dez, um que seja. Se ganha com heroísmo, é o êxtase. Cumpriu sua função de torcedor-torcedor, de torcedor-jogador, de jogador-torcedor.

Valeu a pena torcer, gastar sua energia. Esquece as irritações com a diretoria, com as limitações técnicas, as escalações e substituições que faria diferente, o trabalho da semana, a condução atrasada, cheia, suja, cada pedaço de chão violento, a falta de grana para as contas, as mazelas, as ladainhas do cotidiano. A semana é gostosa, faça sol, chuva, com fome, dor, com os bate-bocas inúteis, estéreis.

Mas a semana corre ao encontro da próxima luta. E ninguém imagina diferente. Vai ser igual. Vamos ganhar. Vamos ser heróis mais uma vez!

Panorama Tricolor

@PanoramaTri @MauroJacome

#JuntosPeloFlu

Imagem: jam

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