Santos 3 x 1 Fluminense (por Aloisio Senra)

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Tricolores de sangue grená, no pré-jogo de uma dessas rádios cariocas que nos adoram, só o tricolor entre os comentaristas apostou em vitória do Fluminense. Não os julgo, contudo, desta vez. Com alguns desfalques importantes (e muitos desfalques no total), sem Fred, sem Cícero, sem Scarpa e sem Léo, e ainda contando com uma escalação discutível, um Fluminense completamente modificado foi a campo na Vila Belmiro.

O Santos, além de contar com o mando de campo e o favoritismo por estar com melhor campanha, ainda tinha entre as quatro linhas o selecionável e artilheiro da competição Ricardo Oliveira; por último, a arbitragem da partida coube a Sandro Meira Ricci, conhecido desafeto nosso, responsável por nos prejudicar inúmeras vezes. Dessa maneira, o certame seria dureza, e um empate já poderia ser comemorado debaixo de tanta chuva.

O mandante começou em cima, como já era esperado. E a pressão surtiu efeito muito rapidamente. Aos 4 minutos, Marlon recuou uma bola para Cavalieri, que em vez de chutar para frente de primeira, foi ajeitar e permitiu que Lucas Lima chegasse e tocasse, dividindo com o arqueiro e mandando a bola para a rede. Após esse lance estapafúrdio, 1 a 0 Santos.

Aos 10, novo gol do Santos. Marquinhos Gabriel tocou pro gol após cruzamento rasteiro que bateu em Marlon e, por isso mesmo, não configurou impedimento. Visivelmente abalado pelo gol, o Fluminense não se encontrava defensivamente. Com a chuva, a marcação de outrora não encaixava, tornando o Flu presa fácil para o time paulista.

A impressão que se tinha era que estava barato. Com 15 minutos, o Santos já havia criado mais chances de gol e dominava o jogo. Eu torcia para o primeiro tempo acabar logo. Por sorte, o Santos tirou um pouco o pé do acelerador, apesar de continuar tendo chances. As investidas do Flu se resumiam à bola parada, muito mal executada por sinal, e algumas finalizações fora do gol.

Baptista sentiu a necessidade de mudar o panorama e mexeu cedo. Aos 28, Robert entrou no lugar de Victor Oliveira, que estava mesmo muito mal na lateral-esquerda. Com isso, Higor Leite foi para a lateral-esquerda e Jean passou a ocupar a lateral-direita. Assim, o Flu passou a ter apenas 1 volante em campo, e avisou que iria atacar – e também se expor.

O restante da primeira etapa foi mais equilibrado, mas o Santos sempre foi mais perigoso, obrigando Cavallieri a fazer algumas defesas. Faltava ao Fluminense encaixar a marcação e os passes, mas os jogadores não pareciam conseguir executar o que desejavam.

Magno Alves entrou no lugar de Osvaldo após o intervalo, numa clara tentativa de fazer o ataque funcionar, já que Osvaldo errava tudo o que tentava. Marquinhos Gabriel, machucado, deu lugar a Neto Berola. O Santos passou a se defender, chamando o Fluminense para espetar contra-ataques mortais. Nos primeiros 10 minutos, o jogo ficou lá e cá. Um impedimento evitou o terceiro gol santista.

Cavalieri e o travessão nos salvaram algumas vezes, e nosso ataque era cardíaco. As chances de gol do Santos eram cristalinas; as nossas, ridículas. Dorival tocou Gustavo Henrique por Werley. E o jogo esfriou um pouco, sem muitos lances de interesse. Aos 25, Lucas Gomes substituiu Marcos Jr, já sem fôlego. No lance seguinte, uma falta de ataque tirou o terceiro gol do Santos, após bola levantada para a área.

Gol este que acabou vindo, com cabeçada certeira de Neto Berola, livre, aos 38. O restante do jogo foi praticamente igual: futebol de péssimo nível técnico do nosso lado, perdendo as poucas chances criadas, e vendo a defesa ser envolvida facilmente em todos os lances, evitando o quarto gol com os olhos na maioria das vezes. Robert fez o nosso gol de honra aos 46 em belo lance. Muito pouco, contudo.

Eduardo Baptista infelizmente escalou mal. Higor Leite deveria ir para o meio, substituindo Scarpa, e Jean para a lateral-direita. Wellington Paulista não merece a titularidade (se bobear, nem a reserva), eu iria de Michael. Deixaria Pierre e Douglas (ou até o Edson) como volantes. E outro claro erro foi não ter escalado Ayrton na esquerda. Ao improvisar o Victor Oliveira, chamamos o Santos para o nosso campo. As alterações não foram inteligentes o bastante, e não corrigiram o problema inicial.

A verdade é que os jogadores hoje não fizeram jus à nossa tradição. Mais da metade do time não era o titular, vários jogadores atuaram improvisados ou foram mal escalados. Acabamos pagando a conta com mais uma derrota; aliás, mais um vexame. 3 a 1. E foi pouco.

Panorama Tricolor

@PanoramaTri

Imagem: artflu

CAPA O FLUMINENSE QUE EU VIVI AUTÓGRAFOS

2 Comments

  1. Afinal de contas, o que houve com o Edson?

    Eu estou desatualizado, mas me lembro de ter lido algo sobre uma noitada com o jogador Vinicius e sobre reclamações em redes sociais, posteriormente apagadas. Isso fora um suposto entreveiro com o Mário Bittencourt, segundo o jornal O Globo. Do jeito que você escreve “…ou até o Edson”, para ocupar a posição de volante, originária do atleta, que ele sempre ocupou bem, na minha opinião, parece-me simplesmente uma crítica à sua capacidade técnica.

    1. The Flu, obrigado por seu comentário. Esclarecendo, não foi uma crítica. A situação do Vinícius não foi colocada às claras, e muito se falou em boatos sobre o afastamento dele, nada de concreto. O Edson sempre ocupou bem, é verdade, mas as informações que vieram à tona é que ele foi afastado por uma questão técnica (não vinha bem em alguns jogos), mas no meu entender poderia merecer nova chance. Como o Douglas estava entrando com mais frequência, pus o Edson como segunda opção, mas gosto dele.

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