Quem não sabe brincar, não desce para o play… Às vezes, é preciso morrer para ressuscitar! (por Antonio Gonzalez)

“Se nossa torcida está recebendo méritos estando toda dividida… rachada… imagina se estivesse unida!” (por Renan Diamante – Sobranada 1902)

Quero falar de sentimentos, de movimentos, de fotografias, de encontros e desencontros. Falemos do Fluminense!

No domingo, enquanto me dirigia para o Maracanã, um filme passava pela minha cabeça… a razão de eu ser Tricolor, que começou pelos braços do meu Pai, aquele Fla-Flu de 1969 onde veio o primeiro título aos sete anos de idade… aquilo de “1, 2, 3… campeão mais uma vez!”…

Do nada aquele guri se vê adolescente e, sem perceber, cruzou a juventude e hoje, estreando a maturidade, construiu uma estrada de companhia, lealdade, respeito. SER FLUMINENSE é uma dádiva de Deus!

Da mesma forma que não existe Páscoa sem Domingo de Ramos, às vezes se tem que morrer para ressuscitar. E vai ser essa a direção em que vou caminhar nestas linhas.

Tô com zero de vontade para falar do jogo em si. Se alguém mereceu a vitória, domingo no Maracanã, foi o Fluminense. Pelo menos tentou propor o jogo. Faltou transformar a ousadia e a voluntariedade em oportunidade de sucesso. Como diria o Maestro Di Stefano, “gols não se merecem… gols se marcam!”. Para qualquer um que tenha um pouco de cuca fria, tava na cara que desde o primeiro jogo o Fluminense teve um baque na parte física. E não é nenhuma critica, nem velada, nem covarde ao Departamento Médico. Pelo contrário, faltou elenco, sobrou sacrifício. Contusões exigem mínimos que, às vezes, não podem ser cumpridos por ausências de respostas que possam surgir com autoridade desde o banco de reservas. Nesse sentido o Wendel foi o único que transformou oportunidade em realidade.

Sim, faltou elenco!

Não faltou vontade, nem disposição, mas é nítido que tanto o Richarlison como o Wellington estavam mermados nas suas condições plenas de jogo. Que ninguém se esqueça: o jovem que foi contratado ao América Mineir, praticamente não teve férias, ao ser convocado e disputar pela Seleção Brasileira, o campeonato Sul-Americano Sub-20, no início do ano, praticamente emendando com a disputa do Campeonato Carioca. Era prognosticável que em algum momento a curva física passasse a descendente.

Não faltou entrega, nem tática, mais percebeu-se um decréscimo na prestação dos equatorianos. Sem essa plenitude que nos fazia beirar a excelência, a qualidade total deixa de existir. E sem esse requisito, elencos como o do Flamengo, quando por nós enfrentados, acabam crescendo. Para vencer esses rivais tem que ser 100% com sangue nos olhos e faca na boca. Qualquer desvio, por menor que seja, pode trazer proporções desagradáveis.

Não faltou brio, nem raça, mas quando a situação mais nos exigiu não bastava apenas ser Guerreiro, não era imponderável antever que a arbitragem certamente seria intransigente em direção contrária a nossa. Totalmente previsível. Ninguém nasce malicioso, a malícia em si se molda com o tempo.

Por primeira vez em muitos anos o Fluminense teve a frente do seu Departamento de Futebol pessoas equilibradas, que trabalharam em cima de um PLANEJAMENTO. Não podemos omitir que fechamos 2016 sem ganhar nenhuma das 10 últimas partidas. Entretanto, enquanto alguns fantasiados de blogs e blogueiros de aluguel previam o caos, com a direção do Vice-Presidente Marcelo Veiga o futebol Tricolor traçou uma estratégia, o seu caminho.

E dentro dessa coerência, recebendo muita terra arrasada depois de nefastos 2013, 2014, 2015 e 2016, com um clube sem alma e sem cara, era preciso ter muita coragem para resolver encarar a bagunça estabelecida. E por menor custo!

O plantel do Fluminense estava inchado, com jogadores inenarráveis nos cérebros de quaisquer torcedores do clube, com salários de inconseqüência para a saúde financeira do Tricolor.

E mesmo com esse cenário negativo, planejou-se, começando por um treinador com magnitude, vontade, excelência de conhecimentos, daqueles que tem o vestiário nas mãos, conhecedor da casa, que de saída quis dar resgate à alma e a cara dos times do Fluminense. E conseguiu!

Ora senhores… Falando sério, quem no começo deste ano estaria pensando que estaríamos com esse tipo de discussão por aqui? Quantos de verdade acreditavam que estaríamos neste momento futebolístico?

É óbvio que ainda falta muito, é perceptível aos olhos que temos posições carentes, inclusive no time titular. Eu podia sair gritando “eu quero um goleiro”, “eu quero um camisa 9”… só que não é o caso.

É impossível falar de futebol, sem comentar o momento financeiro do clube. Com os parcos recursos que vem entrando, tem-se enfrentado uma tempestade. É preciso ser calmo nessas horas, EM NENHUM CASO SE ABRIR MÃO da implementação de um definitivo PLANO DE GESTÃO, que permita ao Fluminense fazer as transformações que urgem.

Hoje podemos dizer que temos um projeto de time, temos uma linha de jogo que leva no DNA o estilo Fluminense de jogar bola. Mas não podemos ser cegos; por momentos, ainda somos uma equipe jovem demais, até por vezes cabaço (o árbitro deveria ter sido comido pelos jogadores Tricolores exigindo a televisão e o escambau, para que ficasse provada a falta cometida pelo Rever que originou o gol dos caras). Fora do campo, urge que não se repitam equívocos e silêncios passados. A mudança de rumo é preeminente, mas por vezes, dentro da minha humilde visão, também necessita ser ruidosa e visceral.

Não se faz política com o fígado, mas também não se pode ser apenas anjo no puteiro. Muitas vezes um ‘puta que pariu’ pode ter o poder de cura. As relações com a FERJ, assim como com a CBF, devem passar por aprimoramentos, seja em desenho, seja em atitude.

Realmente estamos num patamar inimaginável há seis meses, ficando claro que ainda precisamos melhorar muito. É preciso pensar grande, não abrindo mão da disputa de nenhum campeonato. O Fluminense necessitará estar unido e manter a sua coalizão política caminhando junto, na certeza de que os próximos meses se revestirão de dificuldades… Resultado de umas finanças podres.

Sim, só através da unidade encontraremos o caminho a seguir. É vital, temos esse dever com relação às gerações mais jovens, que Fluminense queremos desenhar para que elas herdem e continuem, enquanto adultos, a lutar.

Portanto, recomendo que todos façamos o dever de casa, o ‘ver, julgar e agir’, que em seu dia foi proposto pela própria Teologia da Libertação. Fica a dica. Mas que seja com honestidade, sem almejar retornos financeiros futuros, mas levando tatuado no coração as cores herdadas… o verde, o branco e o grená.

Repito, o convite para escrever no Panorama Tricolor foi o melhor presente que recebi em muitos anos. E o Paulo-Roberto Andel me deixa livre, para nada me incomoda ou sugere pauta. Por essa razão, procurarei ser sempre honesto na minha forma de escrever, sei do meu compromisso para com a verdade e assim será.

A partir do regresso do Gustavo Scarpa, voltaremos a ter um meio de campo com mais chegada a gol, com mais excelência na parte de proposta, mais refinado na técnica. Pode ser que apareça a opção de se jogar com um falso 9, possível fato que eu não descartaria principalmente para os jogos como visitante no campeonato brasileiro que se aproxima;

A manutenção do PLANEJAMENTO do Departamento de Futebol. Escolheu-se um pensamento, uma linha a seguir. Considero que os resultados até o dia de hoje se mostram satisfatórios porque apresentam proposta e sinal de autenticidade. Uma equipe de futebol não se monta em um ano, mas é cristalino que temos um padrão a seguir;

Em 1979, no 2º turno do estadual:

26/agosto/79

FLUMINENSE 1 X AMERICA 1
Local: Maracanã;
Juiz: Luis Carlos Felix;
Renda: Cr$ 997.630,00;
Público: 18.671;
Gols: Zezé 24 e Silvinho 28 do 2.°;
Cartão amarelo: Jurandir
Fluminense: Paulo Goulart, Edevaldo, Tadeu, Miranda, Carlinhos, Pintinho, Cleber, Mario, Gilcimar, Fumanchú e Zezé
America: Jurandir, Uchoa, Alex, Eraldo, Álvaro, João Luis, Nélson Borges, (Toninho), Celso, Cesar, Rui Rei e Silvinho.

Em realidade haviam 20 mil pessoas presentes, o Fluminense já não tinha a mínima chance de nada. O América sim. Como muito, havia uns dois mil Tricolores. Passados 37 anos, onde estão aqueles 18 mil torcedores do América?;

Por que só haviam 15 mil Tricolores no Maracanã?;

Realmente a torcida do Fluminense deu um show, isso é inquestionável, merece os parabéns. Recuperar o talco como dogma foi o grande gol deste campeonato;

Em compensação está claro que os bastidores da nossa torcida não fluem da melhor maneira. Cheguei a participar em três reuniões este ano (contando com a que a Bravo 52 fez no início de janeiro). Pelo visto, como as coisas têm se desenvolvido, está claro que o pessoal não se interessa muito pela minha companhia. RUGAS DE PREOCUPAÇÃO. Não é a primeira vez: quando regressei em 2012, senti o boicote ao que então eu apresentava como proposta, a criação da “República Independente Frente Fluminense”, movimento cujo maior objetivo seria a ocupação do espaço no Maracanã de corner a corner, bem ao estilo do que faz o Frente Atlético, movimento de torcedores do Atlético de Madri. Na época, recém chegado da Espanha, eu senti claramente o boicote. Hoje, chego à conclusão que não me querem ouvir, pelo menos de momento, os mesmos de antes. ZERO PROBLEMAS. Não vou deixar de seguir a minha equipe pelas Moças Bonitas da vida. Saio de cena, não falo por ninguém, ninguém fala por mim. Fica assim, o combinado não sai caro. Só não pensem que sou burro ou idiota. A partir de hoje, assumo que não reconheço conteúdo para certas pessoas sentarem à mesa. Então, vida que segue. Certo será que, da forma que está sendo IMPOSTA, daqui a cinco anos estaremos no mesmo lugar. Uma torcida, fazer torcida, vai muito além de ter uma boa bateria, de se cantar o jogo inteiro e de realizar festas. Isso é intrínseco. Aquele que ache que o conceito se resuma a isso realmente é diametral ao meu pensar. ‘Ser Torcida’ é muito mais do que isso. É preeminente pensar o clube como um todo, começando pelos seus torcedores. Fórmulas exatas não existem, mas sobram sentimentos e voluntariosos. Liderança é outra coisa. Não se pode promover qualquer movimentação que não nasça das bases, isso de chegar com comida digerida de cima para baixo não combina comigo. Portanto, sem ressentimentos, vida que segue;

O campeonato acabou e os agressores do Pedro Scudieri ainda não foram sequer identificados… ou será que não querem que sejam identificados? Continuo sem entender por qual razão os responsáveis pela nossa torcida não colocaram explicitamente o Ministério Público na parada. Assim também se faz torcida!;

A Polícia Militar e a Guarda Municipal utilizaram de extrema violência na saída do jogo para com torcedores do Fluminense. Era sabido aonde seria a concentração de torcedores, na frente do Bar dos Esportes. Bastava planejamento, era só ter colocado a polícia montada naquela esquina. Foi uma clara situação de risco, provocar a crise para resolvê-la. Fora o contexto de simplesmente esvaziarem a rua, transformando aquele deserto criado em via livre para que flamenguistas cometessem covardias com torcedores do Fluminense, inclusive para com o nosso povão. Há tempos eu venho cobrando a criação de um debate com a Polícia Militar, principalmente na figura do GEPE;

Falando em organizadas, o ponto alto deste campeonato foi a recuperação da Força Flu, que está voltando a pisar forte, se reestruturando, com materiais. O ponto triste foi a punição imposta à Young Flu, absurdo julgar conseqüências de forma ARBITRÁRIA. Repito: é preciso criar um canal de assistência jurídica para com os nossos torcedores. Não falo em defender brigão, nem violento, nem assassino… para esses, as sanções mais duras que a lei possa permitir. Mas sim para impedir que arbitrariedades sejam cometidas sem o mínimo de diálogo. Resume-se a pouco reunir o GEPE com as organizadas. A questão é maior;

Devido à confusão instalada pela Polícia Militar e pela Guarda Municipal, fiquei no meio de um fogo cruzado… conclusão: encontrei com a galera do Sobranada 1902 e fui de carona no ônibus. Reencontro com emoções 22 anos depois de 1995. Tiro o meu chapéu para esses caras. Pelo menos a proposta é real e diferente;

O diagnóstico administrativo e de gestão que está sendo feito atualmente no Fluminense, é igual ao passo dado há três anos pelo Flamengo. O resultado aí está. Somente com as finanças equilibradas é que se pode sonhar com um time forte e competitivo. De outra forma, nosso clube se verá obrigado a vender jovens valores todos os anos, como deverá ser o caso neste ano também;

Torcedores do Fluminense que vieram do Espírito Santo, nem todos sócios, foram tratados com frieza na porta do clube no domingo pela manhã. Cobrar R$ 20,00 de um torcedor que viajou oito horas pagando a sua passagem, além do seu ingresso, para que entre no clube é um ato covarde. Encontrei com esse grupo de uns 30 Tricolores na estação Largo do Machado, do Metrô, e todos se queixaram comentando da empáfia do supervisor tatuado. No mínimo, faltou discernimento;

Quero deixar o meu abraço, o meu carinho, a minha admiração e carinho para a galera que veio de Juiz de Fora. Um beijão especial para a Mônica Dominato Cury, jornalista Tricolor, com especialização em Marketing Esportivo (tem o meu aval para ser profissional do clube) pelo amor que ela não cansa de professar.

“Tá bem seu guarda, eu me rendo… Eu reconheço que sou marginal… Eu colo nas provas da escola… Eu gosto de ver nu frontal…”…

“Polícia é fogo, meu chapa… Combate o crime de verdade… Prende os garotos de moto… Pra moralizar a cidade…”…

Faz-se necessário muito mais para ser campeão, sabendo que a formação de um time vencedor, na melhor das hipóteses demora apenas um ano. No mínimo isso. Sem dinheiro e/ou na ausência dele, através da coesão política conseguiremos caminhar com coragem em direção ao futuro. Qualquer mudança de rumo jogará por terra qualquer processo de busca pela perenidade.

Quero terminar, agradecendo ao advogado Carlos Portinho que reconheceu o trabalho que aqui foi realizado por ocasião da última coluna. Fiz apenas o que me exigia a minha cidadania Tricolor.

Este é o pensamento:

“Se nossa torcida está recebendo méritos estando toda dividida.. rachada.. imagina se tivesse unida!” (por Renan Diamante – Sobranada 1902)

No meu caso, continuarei freqüentando as mesmas ruas, falando o que penso e vestindo a camisa do Sobranada 1902. Apenas não quero perder mais tempo na conjugação do blá-blá-blá.

Com sorte devo viver mais uns 15 anos, ou seja, um pouco mais de ¼ do que já vivi até agora. Serei feliz da minha maneira. Na minha estrada eu mijo em todos os postes! Isso é lei de vida, quem quiser me encontrar já sabe onde eu fico… seja no Maracanã, seja no clube!

Panorama Tricolor

@PanoramaTri

Imagem: ag

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