Ressurreição (por Mauro Jácome)

Sempre gostei de jogar no gol. Dos 8, 10 anos de idade até os 35, 38, invariavelmente, disputava minhas peladinhas debaixo das traves. Apesar da estatura média, não ideal para a posição, sempre tive boa impulsão e coragem. Isso me fez um razoável goleiro para um “atleta” de fim de semana. Além disso, sempre gostei de observar muito os “Camisa 1” profissionais, que via pela TV, para tentar fazer algo parecido.

Vi goleiros excepcionais. O primeiro que me chamou a atenção foi o Waldyr Peres. Elástico, dono de um reflexo fabuloso, fazia misérias no gol do São Paulo. Um dos poucos goleiros que vi defender faltas do Nelinho, quando a bola ia em direção ao ângulo de sua meta. Infelizmente, foi vítima de uma perseguição injusta e direcionada que o crucificou por uma falha terrível, naquele jogo contra a URSS, na Copa 82. O Brasil ganhou, mas Waldyr ficou marcado. Tanto é que, quando digo que o achava excelente, muitos discordam e o chamam de frangueiro. Tremenda injustiça.

Outro goleiro que chamou muito a minha atenção foi o Paulo Sérgio. Formado no futebol de salão (naquela época não existia o futsal) do Fluminense, foi para o interior do Rio de Janeiro e depois para o Botafogo. Era um goleiro com as qualidades muito parecidas com as do Waldyr Peres: elasticidade e reflexo. Teve uma fase tão boa que foi reserva do Waldyr na Copa.

Teve ainda o Roberto que, junto com Assis e Washington, levou o Atlético-PR à semifinal do Brasileiro de 83. Depois foi para o Vasco e estava em campo na decisão do Brasileiro de 84. Da mesma forma dos outros dois citados, também tinha no reflexo e na elasticidade seus pontos fortes.

Vários outros goleiros passaram e se destacaram de 70 para cá. Mas aquelas duas características sempre foram as que mais me chamavam a atenção. Teve Taffarel, Dida, Leão, Carlos, que tinham outras qualidades que os tornaram imortais, mas eu não os admirava. Félix e Manga também marcaram época, mas ouvi mais do que vi.

No Fluminense, o grande goleiro que vi, e tornou-se um dos meus ídolos, foi o Paulo Victor. Mais uma vez, reflexo e elasticidade. Também chegou a uma Copa e jogou na fase de ouro dos anos 80. Depois da “Era Félix”, é unanimidade entre a torcida tricolor que o Paulo Victor foi, disparado, o melhor de todos que vestiram a camisa 1 do Fluminense.

Ah! Nesse baú da saudade não poderia deixar de citar o Rodolfo Rodrigues. Aquela sequência de quatro defesas contra o Noroeste, na Vila Belmiro, ficou na minha cabeça para o resto da vida, tanto que, na véspera de qualquer “jogo importante” que eu fosse disputar como peladeiro, sonhava em fazer algo parecido.

Há um gap no tempo em relação à minha simpatia por goleiros. Não imaginava que fosse ter, novamente, outro goleiro que chamasse a minha atenção. Talvez, porque os de hoje mudaram. Não sei bem definir o que mudou, mas são diferentes. É raro acabar um jogo e atribuírem ao goleiro a responsabilidade pelo resultado. Geralmente, ajudam, mas dificilmente se vê um sendo o protagonista. Uma, duas grandes defesas, mas só. Se estiver sendo injusto, caro leitor, por favor, pronuncie-se.

Pois é, mas o Cavalieri vem despertando o meu interesse pela posição. Aquela cena de ontem, ao final do jogo, quando todos foram abraçá-lo, recuperou na minha memória os bons tempos em que assistia a alguns jogos de outros times, óbvio, só para ver a atuação de determinados goleiros.

Aliás, acho que a torcida tricolor está criando outra unanimidade no gol tricolor: Cavalieri é, disparado, o melhor goleiro depois da “Era Paulo Victor”. Ontem, salvou o gol por três oportunidades. Foi preciso na saída aos pés de Ibson. Depois, pegou uma bola aérea que cairia por trás de si. Por fim, no pênalti, fez algo raro: esperou o batedor decidir para, então, se atirar na bola.

Depois do clássico, o que mais tem sido comentado é a injustiça do Mano por não convocá-lo. Melhor assim. Seleção atualmente, não é uma boa. Imaginem o nosso goleiro chegando lá, fechando o gol! Pronto. Mano não o largaria mais. O Neymar, por exemplo, disputou pouquíssimos jogos pelo Santos. Tal qual o Santos, o Fluminense não pode abrir mão de um jogador fundamental por tanto tempo.

Detalhe final: será que o Cavalieri usa a camisa 12 porque vale por dois?

Mauro Jácome

Panorama Tricolor/ FluNews

@PanoramaTri

Imagem: gazetaesportiva.net

Contato: Vitor Franklin

Revisão: Rosa Jácome

 

9 Comments

  1. CAVALIERI PAREDÃO TRICOLOR

    TENHO 30 ANOS NÃO VI PAULO VÍTOR NEM FÉLIX JOGAR MAIS SEI QUE FORAM OS MELHORES DA HISTÓRIA DO NOSSO FLUZÃO JUNTO COM CASTILHO.

    MAS DESDE QUE QUANDO ACOMPANHO O FLUZÃO CAVALIERI FOI O MELHOR GOLEIRO QUE VI JOGAR…FRIO, CALMO, ESPETACULAR MERECE A SELEÇÃO INDISCUTIVELMENTE, DESDE DE QUE ADIEM NOSSAS PARTIDAS EM QUE ELE NÃO ATUAR.

    PARABÉNS CAVALIERI, UMILDADE, PÉS NO CHÃO E RUMO AO TETRA…

    SAUDAÇÕES TRICOLORES!!!!!!

    1. Os goleiros que passaram pelo Flu entre o Paulo Vitor e o Cavallieri não deixaram muitas saudades. Alguns tiveram lampejos: FH na LA2008, Berna no fim do Brasileiro de 2010 e até o Ricardo Pinto em alguns jogos. Por outro lado, foram do nível dos times noas anos negros: Gabriel, Adilson, Ronaldo (ex-Corinthians) em final de Carreira, Zetti idem. E o Cava quase se queimou ao ser escalado precipitadamente pelo Muricy.

  2. Muito bom, Maurão!!!!

    lembro muito bem do Paulo Victor!!!! Foi o meu ídolo no gol quando moleque e jogava futebol nos clubes e na escola. Paulo Victor marcou tanto que oi o herói do meu irmão tb tricolor, o qual tb virou goleiro por causa do Paulo Victor. Nesta época, móravos ainda em Juiz de Fora e meu pai nos levava ao Rio para assistirmos aos jogos do FLUZÂO, eu para ver Romerito jogar, e meu irmão para ver o Paulo Victor defender tudo. Depois que viemos morar em Brasília, e descobrimos que Paulo Victor tb passou a morar um tempo aqui, fomos conhecê-lo na casa dele, em Sobradinho, onde ele nos recebeu muito bem num churrasco, sabia que 3 fãnzinhos tricolores iriam lá só para vê-lo. Fotos, videos, Paulo Victor fez a alegria dos meninos tricolores no ano de 1988.

    Depois da era dele, veio Ricardo Pinto. E claro, com o mesmo nome, meu irmão virou fã deste goleiro tricolor que tb nos deu muitas alegrias e muitas defesas espetaculares. A era Ricardo Pinto foi a era do goleiro tricolor que mais vivi. Tinha consciência que ali tinha uma muralha e a bola não entraria assim tão fácil. E agora, é a mesma coisa que sinto por Cavallieri. Pra fazer gols ali, atacantes adversários terão de suar muito. E finalmente, após o Ricardo Pinto, sinto confiança no gol do meu grande e eterno FLUZÃO!!!!!!!!

    1. Obrigado. Mesmo sempre jogando no gol, o meu maior ídolo foi o Edinho, depois o Romerito, depois o Conca. O PV vem depois desses. Assim como o PV, o Cavalieri acabou com aquela nossa longa insegurança com os goleiros fracos que passaram pelo Fluminense.

  3. Boa, Jácome! Até onde vai minha memória, lembro bem de Paulo Victor pra cá. Entre ele o Cavalieri tivemos bons goleiros, mas que alternavam fazes boas e ruins.

    Tivemos que esperar bastante, mas o dono do gol chegou e eu acho que ele usa a 12 pq vale por doze mesmo! Azar do Palmeiras que não quis colocar o Marcos no banco.

    ST!

    1. Obrigado. Além de mais fracos que o Cavalieri e o PV, os outros também sentiam a pressão pela fase negra e pela ansiedade da torcida, humilhada e carente de títulos.

  4. Bem lembrada essa leitura do passado no “ARCO TRICOLOR” ! Lembro-me muito do Félix ! sem dúvida um goleiraço ! Me lembrei do fato que meu pai, João Renato, ganhou no ano passado de presente do filho do Paulo Vitor, a camisa com que ele disputou e venceu o campeonato, desculpe agora, mas não me lembro do ano ! Baita presente não acha ? ele a colocou numa moldura.
    Por fim , fiquei rindo sozinho, pois fiquei pesnsando que com toda a euforia que todos os torcedores e jogadores do fluminense comemoraram, teve um que comemorou mais ! Sabe que foi ? Claro, que sabe ! é daquelas que o cara fecha os olhos e diz : … e agora, o que é que eu vou fazer ? KKKKKK ! esse cara é o nosso mestre em arrumar faltas fora da area, e que seguiu a risca as instruções do Abel Visionário ( vamos deixar ele quieto, pq senão o Celso Barros vai trazer o Renato gaúcho de volta ), ele não fez falta fora da area não foi ? Grande Diguinho ! KKKKK E desculpa prolongar o texto, mas a Av. Bruno tá brabo né ? Abs !

    1. Que presente! Nos anos negros, fizemos um encontro aqui em Brasília. Uns 300 tricolores. Churrasco, futebol, vídeos. O Paulo Vitor foi convidado e compareceu. Entregamos uma placa de prata a ele. Com relação a Diguinho não há problema em dispensá-lo. Tem outros. Quanto ao Bruno, o Flu tem que ir às compras. E logo antes que o mercado se esgote.

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