O futebol respira Fluminense (por Aloísio Senra)

Tricolores de sangue grená, futebol é mesmo um barato. Você tem os dois extremos da loucura dos deuses da bola. Um time pode sair atrás no marcador perdendo por três gols de diferença e, ainda assim, ganhar um jogo por 5 a 4 numa virada épica na casa do adversário, ou pode passar o jogo inteiro atacando seu adversário, dentro de casa, dominando-o e tendo a posse de bola, finalizar mais de 20 vezes e perder por 1 a 0, numa bola vadia. É isso que é tão apaixonante e nos deixa arrebatados ao fim dos 90 minutos e vidrados durante esse período de tempo. Também é maravilhoso por uma de suas principais características: a de queimar a nossa língua. Na última coluna, soltei os bichos pra cima do Diniz, já que sua formação com três volantes não descia pela minha garganta. Na partida contra o Grêmio, a mudança no intervalo foi preponderante para aquela épica vitória. Mesmo perdendo o clássico desse sábado, fomos superiores todo o tempo jogando com um só volante. Ele nos ouviu.

Mas – e sempre tem um “mas” – estamos pecando demais nas finalizações e, em vez de estarmos com uns nove pontos, estacionamos nos três. Perder as oportunidades que perdemos contra Goiás e Botafogo estão nos custando muito caro. Luciano, infelizmente, tem tido um protagonismo reverso nesse caso. Se dá pra absolvê-lo naquele gol perdido na Vila Belmiro quando o jogo ainda estava 0 a 0 porque a bola veio forte demais, o pênalti perdido contra o Esmeraldino e o passe que ele deixou de dar para Pedro nesse último sábado fizeram a diferença. Nos momentos em que tem que ser decisivo, está amarelando. E jogos difíceis se ganham no detalhe. A maioria das partidas do campeonato será como as partidas contra Goiás, Santos e Botafogo. O jogo contra o Grêmio foi uma exceção – maravilhosa, é claro, mas uma exceção ainda assim. Ditados como “a bola pune”, “quem não faz, leva” e outros do gênero, infelizmente acabam encontrando eco na realidade dos gramados. Não podemos dar mole.

Dito isto, há algo que precisamos, enquanto torcida, entender muito claramente: o projeto de Diniz vale o apoio. Se ele largar mão dessa ideia estúpida dos três volantes, já vemos que o time joga um futebol vistoso, redondinho, e que, sempre que perde (ou quase sempre), dá a impressão de que a derrota foi injusta. Este é um Fluminense que parte pra cima, não se omite, não se acomoda, mantém a ideia de jogo mesmo muito atrás no placar e, o principal de tudo, nunca desiste. Quando os guerreiros entram em campo, não tem diretoria, não tem salário atrasado, não tem posição na tabela, não tem extracampo. É como disse o Diniz, na preleção mais foda da história: “a cada segundo, a cada respiro, vitória”. Esse é o pensamento e esse é o foco. O Fluminense joga pra vencer, nunca pra empatar. Pode perder ou empatar, faz parte, já que futebol é bola na rede, mas lá nas quatro linhas não tem covarde, e sim um time “grande, grande pra caralho, muito grande”, parafraseando outro belo momento de nosso treinador.

O reconhecimento do trabalho do técnico e da aplicação tática dos jogadores vem também dos rivais e da mídia esportiva. Pela primeira vez em muito tempo, não somos chacota mesmo quando o resultado é adverso. Eles nos respeitam. Respeitam a ideia de jogo, o compromisso assumido pelos jogadores, a doação em campo e o fato de a torcida ter abraçado a ideia. As palmas ao fim da partida no Maracanã dizem muito. Ninguém aplaude canastrice, não se enganem. Seria ótimo vencer todas, mas isso é impossível. E é na derrota que os tricolores de verdade são forjados, pois é fácil ser tricolor quando se vence. O importante, na verdade, é entender que estamos vendo algo muito especial e único desfilar pelos gramados vestindo a nossa centenária camisa. Algo que vale a pena valorizar. Futebol ofensivo, corajoso, honrando a essência do esporte. Por isso, caros amigos, “não temam e não tenham dúvida”. Confiem nesse elenco. O futebol, mais uma vez, respira Fluminense.

Curtas:

– Laranjeiras terá jogo! Os 100 anos do mais importante estádio do Brasil (malz, Maraca) infelizmente foram comemorados de forma tímida, quase inexistente pela diretoria. Uma pena, realmente. O motivo maior de comemoração é o projeto capitaneado pelo grupo Laranjeiras XXI, coletivo apolítico de tricolores notáveis que se reuniu, desde 2018, para tocar a restauração das Laranjeiras aos moldes do que era em 1919, para 15.000 pessoas com conforto, atendendo a todas as exigências do Estatuto do Torcedor e, o melhor de tudo, a custo zero para o clube. Quem quiser mais detalhes, poderá acessar o canal do Caíque, um dos membros do grupo citado. Ele sempre faz vídeos com conteúdo voltado para a questão do projeto. Eis o link: CLIQUE AQUI

– Os moleques de Xerém acabaram de conquistar a Nike Premier Cup U15 (sub-15) em São Paulo. Com uma campanha de 4 vitórias, 1 empate e 1 derrota, a base tricolor faturou o principal torneio da categoria no Brasil. Parabéns!

– Kelvin, Guilherme e Ewandro são as caras novas no Fluminense. Difícil saber o que esperar deles, mas temos que dar um voto de confiança. Que sejam muito bem-sucedidos no Flu.

– Tá na hora de cobrar o Luciano por esses gols perdidos e por esse preciosismo. Ele tem que entender que nosso jogo é coletivo, em vez de querer se consagrar em todos os jogos. Estamos perdendo pontos e partidas por conta disso.

– Essa semana teremos dois “Fluminense x Cruzeiro” em sequência, um pela Copa do Brasil, outro pelo Brasileirão. O Cruzeiro é um baita time, mas vem numa descendente sinistra. Temos que aproveitar o mau momento do time celeste e cair dentro. Um bom resultado quarta e os três pontos no sábado são o que temos que almejar.

– Palpites para as partidas da semana: Fluminense 2 x 1 Cruzeiro; Fluminense 1 x 0 Cruzeiro.

O TRICOLOR – informação relevante.

Panorama Tricolor

@PanoramaTri

#credibilidade

2 Comments

  1. Vale lembrar que ficamos vários jogos sem marcar gol nas últimas rodadas do brasileirão 2018, e Luciano fazia parte do ataque…ele não é atacante para o fluminense, Pedro e Gonzalez são muito melhores.

  2. Acho que o problema do Luciano não é preciosismo, é displicência somado ao fato de ser muito fominha tb.
    Qd a jogada parece fácil ele é muito displicente, erra todas. Contra o Santa Cruz, nos dois jogos, foi assim tb.
    ST

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