Quatro nomes e nenhum segredo (por João Leonardo Medeiros)

João Leonardo

Deem quatro jogadores para o Levir e ele vai nos devolver o Campeonato Brasileiro. Precisamos de um grande meio-campista, do nível do Conca de 2010. Precisamos de dois grandes laterais, do nível do Mariano e do Carlinhos de 2010. Precisamos de um grande atacante, do nível do Maicon de 2009 ou do Wellington Nem de 2012. O resto a gente tem em casa.

Já sei o que vão dizer: falta grana. Ok, entendo, tem a tal da responsabilidade com as finanças e coisa e tal. Mas alguém sabe ou já calculou o quanto rende aos cofres do clube uma conquista de Brasileiro? Alguém já calculou o quanto rende uma participação em Libertadores? A gente está falando de bilheteria, patrocínio, cota de TV e eventualmente premiação. Não creio que seja pouca grana.

Como já disse muitas vezes: há uma diferença imensa entre desperdício, custo e investimento, incapaz de ser percebida no entendimento neoliberal, predominante no clube (e no Brasil) nos últimos anos. É o catecismo vigente há tempos: gastou é feio, poupou é bonito. Qualquer argumentação em contrário é acusada de irresponsável, embora só seja necessário um minuto de reflexão para perceber a diferença entre contratar o Giovanni no auge ou contratar alguém como o Conca no auge. No primeiro caso, não se trata sequer de custo. Trata-se, de fato, de desperdício, de jogar dinheiro fora, coisa que ninguém pode louvar, neoliberal ou não. No segundo, é investimento puro, que se demonstrou muito rentável no Flu e em qualquer lugar.

É claro que não dá para contratar um monte de bom jogador e entregar para o Drubsky treinar (ou para o Renatão, como comprova 2008). Mas agora a gente tem o Levir, um técnico que sabe o que fazer com o time. O momento é esse, o ano é esse. O Campeonato Brasileiro deste ano não tem nenhuma barbada, nem o Corinthians, que se renovou todo. Está mais ou menos como o de 2009, ganho pelo filhote. Só tem japonês. A gente tem uma base boa, tem um bom técnico, uma torcida ansiosa por empurrar o time adiante e teremos o CT para dar um fôlego extra. Falta desequilibrar tecnicamente.

O elenco do Flu ainda tem jogadores que podem ser envolvidos em negociação. Para dar um único exemplo, agora está pipocando a notícia de que há propostas por Marlon. Eu não pensaria duas vezes: venderia o menino com a condição de que viesse uma bolada, claro. Acho Marlon muito promissor mesmo, mas a verdade é que ele está muito distante de ser uma realidade. Ademais, e principalmente, acho que sua saída será inevitável, neste ano ou no outro. O Flu não tem ainda estofo para evitar uma venda dessas, infelizmente. Então que a gente pare de agir como se não soubéssemos que isso vai acontecer e aproveitemos a venda para reforçar o time (e meter uma graninha em Xerém e no CT, evidentemente). São poucas as peças necessárias. Dá para fazer.

Além da grana, tem um monte de gente que deve estar pensando: mas contratar quem? Quem está à disposição? Isso é assunto para o senhor Jorge Macedo, não? Ele é remunerado (muito bem, creio) exatamente para isso. Não é possível que um profissional do ramo não seja capaz de encontrar gente boa à disposição no mercado. Sempre há bons nomes, sempre. Se não há brasileiros a custo acessível, creio que possa haver estrangeiros, sobretudo da América do Sul. O Fluminense não tem uma lista? Pergunta ao Dedé, coautor do Gustavo Albuquerque (Flupress). Ele tem a lista prontinha.

Uma frase que sempre ouço no Fluminense é: temos de pensar grande. Temos mesmo, temos de pensar grande sempre. Quando a grana é pouca, temos de usar criatividade, negociações via troca, sei lá. O que não dá é para ter uma atitude conformista. Toda vez que a gente se conformou com a presumida relação entre aperto financeiro e time ruim, a gente entrou pelo cano. O time ruim minou as finanças do clube, aumentou o aperto financeiro, que obrigou a… piorar o time. Ou seja, entramos num círculo vicioso terrível.

Não podemos deixar isso acontecer justo agora que estamos próximos de ter um time de respeito. Não podemos nos render, não podemos deixar uma oportunidade como essa passar. Como disse, não tem bicho papão no campeonato brasileiro de 2016. Tem uns 4 ou 5 times bem arrumados, com bons técnicos, nada mais do que isso. Temos de ultrapassar esse nível e podemos fazê-lo. São apenas quatro nomes e nenhum segredo: vindo eles, seremos campeões brasileiros.

Panorama tricolor

@PanoramaTri

Imagem: JLM / PRA

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