Príncipes, heróis e corações tricolores (por Crys Bruno)

PARTE 1

Os deuses do futebol.

Oi, pessoal.

Quanto à mim, não resta mais dúvida: o Fla x Flu é o jogo de futebol preferido dos deuses. Não à toa Nelson Rodrigues, certamente endossado pelo irmão e rubro-negro Mário Filho, nos revelou que ele surgiu “há quarenta minutos antes do nada”.

O Fla x Flu transcende, é mítico e místico. Basta um encontro numa rodada valendo os três pontos e ele lhe dará uma história dramática e cativante, mas, numa final… “Ai, Jesus!” Numa final se prepare para testemunhar os deuses transformando um jogo de futebol numa experiência jamais sentida, na qual eles lhe farão levitar em ares e emoções que toca o que há de mais esplêndido entre o céu e a terra, entre nossas almas e o infinito.

O Fla x Flu é único. Ao contrário do trabalho midiático para que ele se torne apenas “charmoso”, muito pela antipatia gratuita ao Fluminense e pela ascensão do Vasco e o trabalho de torná-lo o “antagonista” principal da torcida mais popular, a ponto de classificar seu jogo como “O Clássico dos Milhões”, os deuses do futebol ressurgem para consertar a grosseria ensandecida e recalcada de quem ousa diminuir e transformar “O Clássico das Multidões”, sua denominação histórica, como apenas um “clássico charmoso.”

Longe de cometer a mesma grosseria ensandecida, todos os outros clássicos têm em comum a mesma emoção e atmosfera intensa e diferenciada, jogos protagonizados por clubes grandiosos em história e torcida.

Mas nenhum consegue se igualar ao Fla x Flu porque nenhum tem seus jogos escritos com tanto capricho e travessura, paixão e beleza, com igual e ou parecida frequência que os deuses fazem com este jogo imortal.

Sim, o Fla x Flu transcende. Sim, as provas são contundentes e irrefutáveis. Sim, o Fla x Flu é o clássico preferido dos deuses, esses nobres espíritos escolhidos por Deus, há 40 minutos antes do nada, quando Ele projetava a criação desse Universo infinito, criando também uma galáxia chamada futebol que arrebatou o Brasil da nossa Via Láctea de encantamento e emoções.

Sim, o Fla x Flu transcende. Obrigada, Flamengo, nosso Darth Vader. Cria da nossa costela, desertor que escolheu a vilania (risos), mas que nos inspira à superação de nos vencermos primeiro para derrotá-lo. Nem sempre conseguimos, claro. Mas sempre nos superamos.

Obrigada, Fluminense. Meu Deus, ou melhor, meus deuses, que clube é esse? Sem mídia no tempo que ela manda e desmanda. Com uma torcida qualitativa ignorada pela era da quantidade, sem sequer patrocinador, e olha você? Veja você! Sempre conseguindo se reerguer altivo e nobre.

Obrigada, Fluminense. Um dia quero ter em minha alma o que a sua possui. Até lá, obrigada, Fluminense. Eu amo o Rio, como pediu, mas é você que eu mais amo e que merece ser o mais amado.

PARTE 2

Os príncipes do Equador.

Para que nós, platéia de terráqueos, possamos visualizar as páginas escritas pelos deuses do futebol, é necessário usar… terráqueos, óbvio. Os escolhidos são conhecidos como jogadores de futebol.

Eles são os atores principais. Afundam ou soerguem um clube, ao lado do seu comandante, o treinador e o comando, a direção.

Após um 2016 medonho, o Fluminense iniciou 2017 que com as chegadas de dois novos reforços. Estou desde suas estreias, encantada. São semanas que desejo escrever só sobre eles.

Mas esse após esse Fla x Flu de 5 de março de 2017, não tenho mais o direito de postergar.

Jefferson Orejuela e Junior Sornoza, vocês já são dois dos dez mais talentosos jogadores que vi vestindo a camisa mais bonita do mundo.

Embora eu já estivesse conseguido identificar ao menos o nosso camisa 18 como príncipe, após esse Fla x Flu, decreto o dia da coroação:

Jefferson Orejuela é o príncipe Orê de Smaragdus – este é o nome em latim de uma das pedras mais preciosas do mundo, a esmeralda. Esmeraldas é a província equatoriana onde nasceu o atual melhor cabeça de área do futebol sul-americano.

Dia de coroar também, Junior Sornoza, como o príncipe Manabí. Sornoza, você é realmente um talento aborígene! Diferenciado. E como me lembra Dom Romero jogando!

Manabí é a província que nasceu nosso camisa 20. Vizinha da Esmeraldas. Ambas banhadas pelo Oceano Pacífico que agora me banha com os príncipes equatorianos, Orejuela e Sornoza: os jogadores que transformaram um time lento, apático, travado, sem repertório, na cara de um verdadeiro time tricolor – com talento, categoria e alma.

Começa um novo reinado, agora equatoriano, no mais importante reino de futebol de todas as galáxias: o Reino Verde, Branco e Grená.

Que continue sendo repleto de beleza e retumbante de glórias.

FINAL

Abel, Abad e os destaques do jogo.

– ABEL, que você é um ser humano maravilhoso, já sabia. Que você adora o Fluminense e nossa química é incontestável, também. E que apesar disso tudo, técnico tem prazo de validade nos clubes do mundo como até você tem no Tricolor, é fato.

Agora, que depois dos sessenta anos, com sua vida financeira tranqüila, graças a Deus, toda uma vida no futebol, você ainda se disponha a rever os conceitos que usava, e estudar sobre os que voltam a ser mais usados, é de uma grandeza de sabedoria, alma e paixão pelo que faz que realmente me impressionaram.

Sua renovação nos renovou, resgatando nossa essência. Obrigada. Admirável.

Por fim, as homenagens:

A Tropa que brilhou sob a partitura do Abelão e as batutas de Orejuela e Sornoza, merece menções e condecorações de honra ao mérito:

– Do erro ao heroísmo, Júlio César imperou. Prefiro ele errando de vez em quando, mas saindo do gol, agredindo a bola fora da pequena área, do que o Cavalieri, que é melhor, omisso, jogando como goleiro de Totó, preso no gol.

– Lucas, que quando chegou foi chamado de “grávido”, pela barriga, pariu uma das melhores atuações de um lateral que vi em nosso futebol ultimamente e foi premiado com um gol belíssimo. Que chute no ângulo, lindo!

– Henrique, soube que seu apelido é Thor. Bem, você pode não ser o Thor, mas sua atuação foi a de um super herói. Até com o bumbum você nos livrou de maiores perigos.

– E o que dizer sobre a atuação do meu camisa 11 preferido? Nas últimas semanas expliquei porque acho que Wellington Silva é insubstituível: ele é o cara da velocidade com o drible frontal. O que completa e encaixa o meio com o finalizador. Nem Marcos Jr. nem Richarlison têm esse drible e passe frontais dele. Que alegria vê-lo atuando conseguindo mostrar toda sua qualidade e importância para o time. Ele decidiu o jogo com o gol e uma assistência brilhantes.

Por mim, falaria desse épico jogo por mais mil parágrafos! Mas preciso encerrar me desculpando pelo longo texto, dessa vez, completamente necessário, risos.

Encerro então um registro e o que acho mais importante:

Presidente Pedro Abad, parabéns! O senhor agiu fiel à áurea nobre da nossa essência e história, no caso da luta pela presença da torcida do adversário. Obrigada.

Agora, o mais importante: não ganhamos nada. Embora não me importe porque desde escrevo sobre o Fluminense há oito anos, quero, peço, solicito e cobro um time como esse ano já temos: que jogue um futebol de qualidade técnica, seja intenso e agrida o oponente, por nós, torcedores, e para o mercado tão estreito do nosso futebol, onde o Tricolor jamais pode ter um papel que não seja de destaque. E só jogando assim se consegue.

O Corinthians ficou 24 anos sem ser campeão e sempre teve a maior torcida de São Paulo. Porque sempre teve times que jogavam com essa intensidade, qualidade, agredindo (ofensivamente), sem se acovardar.

O Fluminense precisa entender que seu rendimento, suas atuações, ele ser atração, é fundamental. E assim, mantendo-se em bom nível, títulos virão.

Que eles venham esse ano, claro! Afinal, quero ver essa minha molecada escrevendo uma história dos deuses no Fluminense, onde todos são príncipes e reis, princesas e rainhas, porque tricolores.

Panorama Tricolor

@PanoramaTri @CrysBrunoFlu

Imagem: buc

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