Prezados adversários (por João Leonardo Medeiros)

Bandeira tricolor fundo cinzaÉ de minha posição natural, de líder isolado do Campeonato Brasileiro, que lhes dirijo a palavra. Não tenho vocação para a arrogância, mas entendo perfeitamente o lugar que me cabe no cosmos futebolístico de nosso país: o topo, com todo respeito.

Hoje, encontro-me justamente por cima e isso certamente provocará as mais diversas e adversas reações. O motivo é um só: pavor. Quando o Figueirense, o Goiás ou mesmo o Atlético Mineiro e o Botafogo partem na frente, todos sabem que a tendência é a queda. No entender geral, parecem, os coirmãos mencionados, tartarugas no topo de um poste: ninguém sabe como foram parar lá, mas todo mundo sabe que vão cair. Agora, quando assumo a ponta, o temor generalizado se espalha. Não tenho fama nem histórico de coelho de maratona. Ao contrário, decidido que sou, quando parto na frente, em geral ninguém me pega.

No ano de 2014, tenho duas razões especiais para assentar-me prematuramente na primeira colocação. Em primeiro lugar, tenho respeito aos ídolos de meu país. Este ano fazem 20 anos da morte de Senna e, para homenageá-lo, decidi cumprir uma vitória com liderança de ponta a ponta, como ele costumava fazer em seus áureos tempos.

A segunda razão, menos importante, tem relação com meu péssimo último ano, em que descansei para dar chance aos rivais. Estes pensaram que eu tinha morrido (de novo) e saíram para celebrar e humilhar-me publicamente. Deixei que falassem e contei com minha torcida para me defender, coisa que ela fez com um misto de garra e elegância. De minha parte, preferi informar que estou vivo resgatando históricas atuações e cumprindo vitórias em série.

Não tenham inveja ou rancor, queridos adversários. Exerçam vocês sua humildade, como exerci a minha em todos os campeonatos que joguei, independente da série. Sempre reconheci o melhor, sempre dei mérito a quem me venceu e, quando fui injustiçado, não fiz da injustiça um eterno motivo de reclamação. Reclamei, mas não chorei, nem desmereci a vitória alheia.

São apenas duas rodadas. Até a última, ganharei muitas partidas. Perderei algumas, claro. Haverá erros de arbitragem que me prejudicarão e darão a vitória ao adversário. Outros erros me beneficiarão e, eventualmente, me darão a vitória. Terei sorte em algumas partidas, azar em outras. Celebrarei muito e lamentarei às vezes.

Agora, quando chegar ao fim, por favor lembrem-se destas primeiras duas vitórias, que ninguém contestou. Não terei sido campeão porque ganhei com erro da arbitragem ou porque dei sorte numa partida do fim do campeonato. Ganhei desde o início, desde a primeira rodada, que acumula três pontos como qualquer outra. Não desmereça minha conquista para camuflar sua própria incompetência.

Ao longo do campeonato, sei que tentarão me ofender. Já sei quais serão as ofensas e quão injustas elas serão. Já sabemos eu, meus jogadores, meu técnico e minha torcida. Vocês realmente creem que ganharão de mim desta maneira, pela pura ofensa e difamação? Não pensam que, com isso, unirão mais ainda meu time e minha torcida?

A cada cabeça, sua sentença, diz o ditado. Que vocês escolham as armas para me atacar. Mas saibam que não vou desarmado para o duelo. Vou com a fé em São Cristóvão, a armadura que representa minha linda camisa e o fervor emocionante de minha torcida. Ou seja, vou com tudo.

Saudações tricolores,

Fluminense Football Club

PS. Respeitem o regulamento e o tribunal, como sempre fiz e farei. Ao que parece, não dá mais para ganhar com um rugido de leão, na marra e na força da imprensa.

Panorama Tricolor

@PanoramaTri

Imagem: reprodução (editada)

9 Comments

  1. Acreditem: — o Fluminense começou a ser campeão muito antes. Sim, quando saiu do caos para a liderança. “Do caos para a liderança”, repito, foi a nossa viagem maravilhosa. Lembro-me do primeiro domingo em que ficamos sozinhos na ponta. As esquinas e os botecos faziam a piada cruel: — “Líder por uma semana”. Daí para a frente, o Fluminense era sempre o líder por uma semana.
    —-
    para ler a crônica completa:
    http://orgulhodesertricolor.blogspot.com.br/2010/12/chega-de-humildade.html

    1. Amigo Paulo, o Nelson é imbatível. Obrigado por lembrar de sua crônica neste momento.

      ST,
      João Leonardo

    1. Vamos ganhar mais este, Renan. Obrigado pelo comentário.

      ST,
      João Leonardo

  2. Ontem em um dos bate-bola da espn, o tal do João “Canalha” já chamou o FLUZÃO de a FENIX CARIOCA. Eles acham que mataram mas não conseguem

    1. Marcio, meu caro,

      nós temos de acostumar com isso. Só querem matar quem ameaça. Ninguém quer matar o Central de Caruaru, com todo respeito. Mas todo mundo quer nossa pele. Se não conseguiram em 97, vão conseguir agora. É ruim, hein!

      ST,
      João Leonardo

  3. Parabéns pelo belo texto, torço muito para que o Nosso Flusão cale a boca de todos o que falaram contra o nosso time e a torcida tem um papel fundamental nessa caminhada que começou a dois jogos atrás e vamos pra cima conquistar nossos pontos em casa!!!! Pra cima Flusão!!! rumo ao PENTA!!!!

  4. Gostei da homenagem ao Senna, da liderança de ponta a ponta. Estou sentindo que este será o título mais bonito de nossa história. Independente da pontuação, o estilo de jogo está encantador…

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