Predadores (por Mauro Jácome)

115 - 26112013 - Predadores

Geralmente, escrevo a coluna que será publicada na quarta-feira, na terça, à noite. Espero as últimas movimentações para, se importantes, incluir no texto. Desta vez resolvi escrever logo após o jogo de domingo. Reza o bom senso que é melhor deixar o sangue esfriar. Não quis. Estou revoltado. Minha vontade é segurar um a um pelo pescoço e apertar até onde a força permitir.

Tão grande quanto a revolta é o desânimo. O otimismo que as duas vitórias contra Náutico e São Paulo deram ficou lá no cimento das arquibancadas do estádio de Presidente Prudente. Palco, aliás, de boas lembranças para a torcida tricolor. Ganhamos do Palmeiras e levamos o título brasileiro de 2012.

A derrota para o Santos criou o pior cenário possível para o Fluminense: levar a decisão para a Fonte Nova. Não pensem que, se o Bahia ganhar do Cruzeiro e, consequentemente, se livrar do perigo do rebaixamento, nós teremos a vida facilitada. Nunca. O Brasil inteiro estará com olhos lá em Salvador, pois o rebaixamento do Fluminense interessa aos moralistas seletivos do futebol brasileiro, afinal, todos os outros pecados já tiveram, e têm, a sua justa penitência. Todos, né?

Voltemos ao nosso calvário. Quanto ao próximo jogo, há dois fatores que me preocupam. O primeiro refere-se ao time mineiro: acredito que será o último jogo com todos os titulares antes do embarque para o Marrocos. Vão se poupar? Em termos. Lógico que não vão se matar em campo, mas para ganhar do Fluminense, nem precisa tanto esforço. Também, depois da ressaca pela conquista da Libertadores, da saída de Bernard e da contusão de Ronaldinho, o Galo procurou formas para se ajeitar e o competente Cuca encontrou. Fernandinho encaixou-se como uma luva e substituiu Bernard muito bem, Tardelli voltou a jogar bem e o dentuço deve retornar nesse jogo.

O segundo fator é muito mais grave: a vontade de sair desta trágica situação. A vitória sobre o São Paulo, nos minutos finais, de certa forma, enganou a torcida. Por mais que tentemos vincular as dificuldades de 2013 com as de 2009, não há como comparar. Além do abismo técnico entre os elencos, aquele time se recusava a perder e o atual, pede.

O foco do meu pessimismo está aí: no conformismo do time. Proposital ou não, acho incompatível com algo que é alegado pelos próprios jogadores: profissionalismo. Palavra solta ao vento. Não vi isso lá em Presidente Prudente. Percebi que, mais do que com a fraqueza técnica, também conhecida como ruindade, a torcida se revoltou com o desinteresse em um jogo crucial para o momento. O time caiu sem lutar. Inadmissível. Será que os jogadores entraram achando que o Santos, por não ter mais nenhuma pretensão no campeonato, iria tornar as coisas fáceis? E olha que o Peixe, no segundo tempo, ao perceber que não tinha adversário, afrouxou a marcação! O Fluminense, com o espaço dado, tropeçou nas próprias pernas e não conseguiu concatenar três passes certos. Anderson, Digão, Igor Julião, Edinho, Rhayner, Wagner, Rafael Sóbis, Samuel, ao mesmo tempo, fizeram uma partida sofrível. Cavalieri evitou um placar elástico, mas não a derrota. Lutava contra 21 jogadores. Luta inglória.

Como diz o famoso clichê: com vontade, tira-se leite de pedra; sem, nem pedra de leite.

Panorama Tricolor

@PanoramaTri @MauroJacome

Imagem: Divulgação

Revisão preliminar: Rosa Jácome

Prezado (a) leitor (a), é sempre uma honra a tua presença aqui, bem como os comentários que podem ser tanto elogiosos quanto críticos ou divergentes – tudo altamente salutar. Contudo, atendendo aos procedimentos estabelecidos no PANORAMA em prol da excelência literária que marca este sítio, não serão publicados comentários ofensivos ou lesivos à imagem de terceiros sob qualquer espécie. O mesmo vale para comentários em caixa-alta. Os cronistas respondem juridicamente por suas publicações. Divergência nada tem a ver com estupidez e grosseria. Muito obrigado.

fiel 38 anos festa

2 Comments

  1. Estou bem pessimista. Mas, quem sabe, não tomam vergonha na cara e repetem
    o jogo contra o Sampa.
    O ‘problema’ é, mesmo que vençamos, decidiremos fora. E, esses caras, já
    demonstraram que fora de casa, são inúteis; Não são confiáveis!
    A bênção, João de Deus!!

  2. A coisa que mais me enojou nesse jogo foir assistir o Wagner caminhando praticamente com as mãos na cintura, por traz dos jogadores do Santos , enquanto Biro-Biro corria igual um louco com a bola e olhava de um lado para outro tentando achar alguem que se mexesse pra poder tocar a bola e o Wagner voltou andando inclusive em vários contra-ataques!!!Sinceramente esse cara pra mim é a pior espécie de jogador que existe, a espécie covarde que só joga bem quando o jogo tá propício.Rezemos todos!

Comments are closed.