Por Nosso Senhor do Bonfim (por Mauro Jácome)

Quarta-feira, 10/10, Salvador, 19:30. Complicadíssimo. O próximo jogo tem características diferentes dos quatro últimos, quando o Fluminense jogou “em casa”. O porquê das aspas: primeiro, os jogos contra Atlético-GO e Náutico foram em Volta Redonda e é um campo usado esporadicamente, que não o torna uma grande vantagem para o mandante. Segundo, os dois seguintes foram clássicos disputados em campo neutro, com torcida, teoricamente, dividida e contra adversários que, também, mandam seus jogos lá. Foram nove pontos conquistados em 12 possíveis, a manutenção da liderança e da distância de segurança para o Atlético.

Mas agora acabou a graça. Contra o Bahia, o jogo tende a ser diferente. O time de três cores de lá irá com tudo para cima, desde o começo do jogo, ao contrário dos quatro adversários anteriores, que, pelas circunstâncias, tinham como proposta um jogo mais cauteloso e, somente arriscariam tudo, se ficassem em desvantagem no marcador.

Provavelmente, a revelação Jorginho, técnico responsável pela bela arrancada do time baiano, armará seu time com as linhas bem avançadas, desde o começo, procurando sufocar a saída de bola do Fluminense. O Bahia conta com dois laterais rápidos e com atacantes que se movimentam muito. No jogo contra o Flamengo, chegava com muita facilidade no campo rubro-negro, aproveitando-se de trocas rápidas, deslocamentos e laterais atuando quase como pontas. Souza não deverá jogar, portanto, a bola no chão e com velocidade será a tônica. No Engenhão, o Bahia partia da sua intermediária para o ataque, em Pituaçu, o time deverá jogar mais no campo do Fluminense.

Duvido que o Fluminense vá com uma estratégia ofensiva. Não é o estilo do time. Acredito que tentarão segurar o ímpeto baiano e, após os 20 minutos, o time de Abel pensará em segurar a bola, trocar alguns passes, chamar os laterais para o jogo, principalmente o Carlinhos, e procurar o Fred para a finalização. Wellington Nem terá um papel fundamental para segurar os laterais. No entanto, o técnico tricolor tem que treinar alternativa para utilizar o baixinho rápido em outros espaços do campo. A insistência do lado direito já está manjada e, consequentemente, cada dia mais difícil.

Preparem-se. Esse será o jogo mais difícil do ano, mas os nove seguintes também serão…

Edinho

Da mesma forma que insisti na reclamação do cabeça-de-área por seguidas colunas, é justo elogiá-lo neste momento do Fluminense. Cresceu muito nos últimos jogos. Quase zerou aquelas falhas, ao sair driblando pelo meio ou invertendo o jogo nos pés do adversário.

Está com ótimo domínio de espaço à frente dos zagueiros, com perfeita sincronia com a dupla de zaga, ocupando a posição entre Gum e Digão/Leandro Euzébio nos momentos de maior pressão, e, ainda, fazendo a posição do Gum, liberando-o para a lateral direita. Por fim, quase não tem feito aquelas faltas bobas e perigosas na entrada da área.

Gum

Temos, também, que fazer referência ao zagueiro-guerreiro do Fluminense. Nos dois últimos jogos teve missões difíceis: marcar Vágner Love e Elkeson. Com muita precisão, não deu o menor espaço para ambos.

Lá no ataque, nas bolas paradas-em-movimento, tem feito a função daqueles jogadores de futebol americano, que ficam segurando o adversário para o corredor levar a bola. No caso do Fluminense, esse cara é o Fred. Enquanto Gum, Digão e outros ficam se agarrando com os zagueiros alheios, o Fred foge para concluir sem marcação.

Seleção de Thiago Neves

Que hora mais indevida para perder o Thiago Neves! E serão três jogos fora para que o Brasil pegue o Iraque e o Japão. Não consigo entender muito bem essa seleção da CBF, da Globo, da Nike e do Mano. Será que estão achando que estão fazendo uma boa preparação para as copas das Confederações e do Mundo?

É nítido o crescimento econômico do mercado do futebol brasileiro. Uma vitória na Copa do Mundo tende a acelerar esse processo. No entanto, uma derrota colocaria tudo a perder. Parece que não estão percebendo isso. Ou está tudo no caminho certo?

Um reserva para Fred

Obviamente, não é hora para trazer o assunto de contratações à tona. No entanto, sabendo como é a forma de trabalho do atual staff do presidente Peter, certamente estão observando alguns nomes para certas posições com carências no elenco do Fluminense.

Uma posição em que acho que o Fluminense precisa de reforço é a reserva de Fred. Samuel ou Michael, principalmente o segundo, pode ser esse nome, mas não para a Libertadores de 2013. Este Campeonato Brasileiro está apresentando poucas opções viáveis:

André – não gosto muito, mas é jovem e pode render, inclusive, atuando junto com o Fred. O Santos deve ficar fora da Libertadores e, além disso, o time paulista irá às compras e o Fluminense tem boas moedas de troca.

Kieza – já foi reserva de Fred. Eu gosto dele para a função. Acho que é um nome a se pensar.

Bruno Mineiro – Acredito que, daqui a pouco, acabarão seus 15 minutos de fama.

Aloísio – não gosto. Mais um que tem uns lampejos e depois desaparece.

Luís Fabiano, Leandro Damião, Barcos e Vágner Love não são jogadores viáveis. E fica por aí.

Mauro Jácome

Panorama Tricolor/ FluNews

@PanoramaTri

Imagem:baixaqui.com.br

Contato: Vitor Franklin

Revisão: Rosa Jácome

11 Comments

  1. Saudações Mauro,

    Perfeita sua análise. Muita cautela contra os baianos.

    STRI

  2. O jogo no Pituaçu vai ser difícil mesmo, mas como comentamos ontem na gravação do Panorama Tricolor (ainda hoje vai pro ar), o Bahia será um adversário franco e temos todas as qualidades para nos garantirmos na defesa.

    Minha previsão: gol de Fred e de Marcos Júnior (substituirá o Nem no finalzinho). 2×0

    Sobre a reserva do Fred concordo com você, pois por mais que nossa garotada seja excelente (e eu tb aposto no Michael), precisamos de alguém mais cascudo. Mas é um nome que ainda está pra aparecer.

    ST!

    1. O mercado sulamericano está escancarado para o Brasil. O Chile cresceu nos últimos anos. A Argentina, mesmo numa fase ruim em termos de revelações, sempre tem jogadores de qualidade. O Uruguai voltou a se desenvolver.

  3. Boa a análise Mauro. Creio que daqui pra frente teremos, sempre, verdadeiras pedreiras a serem ultrapassadas. Nenhum um único jogo será moleza.

    Quanto a reforços, também acredito muito no garoto Michael, apesar de gostar do Samuel.

    Mas, lendo as notícias dos últimos fatos envolvendo o Emerson Sheik… não sei não. Acredito que há cheiro no ar. Primeiro a notícia, há algum tempo atrás, de que Celso Barros estaria fazendo contato com ele. Depois, de que Fred e Sheik foram vistos na mesma balada… juntos?!?!?!?!? E, agora, já repararam como o Sheik está perturbando o Corinthians? Estaria forçando algo?

    Além do ataque, acredito que necessitamos de um lateral direito, pois, acho que o Wallace irá sair em janeiro e o Bruno é muito fraco. A opção pelo Cicinho da Ponte parece boa.

    Mas, precisamos de um lateral esquerdo, uma vez que o Carleto não existe e o Carlinhos, em que pese ter boa técnica, me passa a sensação de não ter muito compromisso com as coisas. Vive no mundo da Lua.

    Também acho que necessitamos de um zagueiro mais técnico para equilibrar a zaga. Um cara experiente.

    Além, é claro, da volta do Conca.

    Acho que assim estaríamos muito bem.

    ST, Luiz.

    1. Concordo com todas as carências citadas: zaga, laterais e centroavante. Como disse ao Rods, o mercado sulamericano pode ser explorado. O Brasil e, mais especificamente, o Fluminense são chamativos hoje em dia.

    1. Não tinha pensado. Você vai? Tem muita gente que depende de mim: mulher e filhas. Ir a um evento desses significa deixar todas de castigo até, no mínimo, às 21:30.

  4. Creio que um bom jogador pra ser reserva do Fred seria o Borges…Rápido, oportunista, experiente, inteligente, raçudo…Gosto dele.
    Concordando com o Luiz pereira, precisamos de um zagueiro….Lugano não está satisfeito no PSG…e pelo menos um lateral direito.
    Não sei se vale a intenção do Abel tentar a Jean na lateral direita e Wagner em seu lugar.

    abraço

    1. O Jean não funciona na lateral. Aliás, ele foi depreciado no SP por jogar na lateral e mal. Se não tivesse sido deslocado e, por isso queimado, o SP não o liberaria.

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