Poderia ter sido a noite perfeita para o Fluminense (por Marcelo Savioli)

Amigos, amigas, vamos começar pelo saldo.

Em virtude dos demais resultados, o Fluminense se isolou na quinta posição, dentro do G-6, e tem três confrontos até o final do turno, contra Ceará, Santos e Fortaleza.

Não devemos ter outro tipo de propósito que não seja buscar três vitórias nessas partidas. Seriam resultados que dificilmente não nos colocariam, ao final do turno, no G-4.

Não sei, evidentemente, se isso poderia significar uma aproximação da liderança, já que o Flamengo pode abrir nove pontos na nossa frente daqui a pouco, em partida contra o Bragantino no Maracanã.

Sei, no entanto, que Atlético-MG e Flamengo já se enfrentam na primeira rotada do returno. Se estivermos no retrovisor, pode ser uma chance. Mais à frente, caso tenhamos feito o dever de casa, vencendo Grêmio e Palmeiras, nas duas primeiras rodadas do returno, teremos um confronto direto com o Inter em Porto Alegre.

Vamos tentar clarear um pouco as coisas. O Campeonato Brasileiro tem um G-2 nesse momento: Flamengo e Atlético MG. Tem um G-4: Flamengo, Atlético MG, Inter e São Paulo. Ao final do campeonato, só algo surpreendente mudará isso.

O Inter subiu muito de produção nas últimas rodadas e vem jogando futebol de quem aspira ao título brasileiro. O São Paulo nem tanto, mas ainda tem muitos degraus possíveis a subir a partir do momento que Diniz conseguiu encontrar finalmente o seu time titular.

Abaixo desse G-4 o que temos é um ponto de interrogação. Os apressados diriam que o G-6 natural teria, além dos quatro já citados, Grêmio e Palmeiras. Eu não duvido que o Grêmio chegue nessa briga daqui a pouco, assim como não duvido do Palmeiras, que, depois de três derrotas seguidas, demitiu Vanderlei Luxemburgo. A mudança de técnico é uma oportunidade.

Tirando esses, no meu humilde entendimento, resta o Fluminense, que venho falando desde o começo que em um trabalho com conteúdo e não me parece efêmero. O Fluminense é o que é desde o começo da temporada. Um time que não abaixa a cabeça para ninguém, exceto quando encontra uma chance de ser eliminado numa competição de mata-mata.

Aliás, se foi eliminado na Sul Americana e na Copa do Brasil, é porque não estava focado nessas competições. Essa é a minha impressão. Então, amigas, amigos, como não tem eliminação no Campeonato Brasileiro e é a única competição que nos resta, eu acredito que Odair pode levar o Fluminense a briga onde quiser.

O jogo de quarta é um indicativo disso. Contra o temido Atlético-MG, de Sampaoli, Odair fez o óbvio. Tirou Nenê e Fred do time para colocar dois atacantes jovens e com capacidade de imposição física: Luis Henrique e Felipe Cardoso. É claro que Felipe Cardoso, tirando o papel tático no combate às linhas de transição do Atlético, foi praticamente improdutivo ofensivamente.

Diferentemente de Luis Henrique, que bateu um bolão e saiu no segundo tempo por cansaço. Luis Henrique fez toda a jogada do gol do Fluminense, deixando dois marcadores na saudade e servindo Caio Paulista no mano a mano com o defensor. Foi então que saiu aquele golaço, que nos arrancou um berro do peito.

Caio Paulista entrara no lugar de Pacheco, que conseguiu sofrer um estiramento quando arrancava em direção ao gol, deixando dois perseguidores para trás e deixando a defesa do Atlético no um contra dois. Isso, logo no início do jogo.

O Atlético, acostumado a jogar os adversários nas cordas, parecia baratinado no primeiro tempo, tanto quanto seu treinador, sem entender o que estava acontecendo. O Fluminense pressionava a bola a partir dos volantes do Atlético e era ali que fazia o desarme e deixava em pânico a lenta defesa adversária. Poderíamos ter fechado o primeiro tempo com 1 a 0.

Mas aí vem o segundo tempo e tem sempre aquele problema do Odair demorar a ler o que está acontecendo em campo. O Fluminense começou perdendo a luta pela intermediária e começou a dar ao Atlético o que ele gosta, que é desarmar a saída de bola adversária. Mesmo assim, ainda conseguíamos construir, mesmo antes do gol de empate, logo aos sete minutos, mas começou a aparecer a falta de técnica dos nossos atacantes para definir a jogada.

Era hora de reforçar o meio de campo, pois era ali que começávamos a perder o jogo. Um reforço como Ganso, por exemplo, para nos dar mais qualidade na posse de bola. O problema é que Luis Henrique cansou e nós também já não tínhamos jogadores com as mesmas características no banco, para atacar e defender o tempo todo, com grande desgaste físico.

Entrou Marcos Paulo, que até deu mais qualidade à nossa fase ofensiva. Muriel fez duas ou três defesas milagrosas lá atrás, o Atlético continuou pressionando, com o Fluminense iniciando bons contra-ataques e desperdiçando-os.

O balanço de campo é que Odair tem recursos intelectuais para levar o Fluminense longe. Só é preciso saber de onde vêm suas limitações nas escolhas. Deu para perceber que nem Nenê, tampouco Fred, podem ser intocáveis no time e podem ser questionadas suas titularidades.

O Fluminense, sem os “tios”, jogou sua melhor partida no segundo semestre, mesmo com alguns jogadores com notória deficiência técnica. Parece nítido que o grande desafio para o Fluminense achar seu caminho é Odair conseguir obter, ao mesmo tempo, imposição física e qualidade técnica.

É uma pena que não tenhamos um atacante com a imposição física de Felipe Cardoso, mas com técnica, como era Evanilson. Só vamos encontrar isso no Sub-20. Lucca? Quem sabe?

O que não resta dúvida é do quanto deixamos de evoluir em campo mantendo Nenê e Fred, ao mesmo tempo, como titulares. O jogo de ontem mostrou isso.

Ainda no aguardo da recuperação de Michel Araújo. Hudson nem foi tão mal ontem, mas parece que está guardando a vaga de Michel, que, fazendo dupla com Yago, com o apoio de Dodi, fará o Fluminense subir absurdamente de produção em sua faixa central de campo.

Tem muito assunto aqui, mesmo sem sair do campo e bola, mas vamos esperar o jogo de sábado. Há muita esperança no ar. A gente só precisa definir mais claramente de que.

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Dava para ter defendido o chute do Arana, mas Muriel recompensou com defesas salvadoras.

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Digão está há 180 minutos sem perder uma disputa de bola.

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Yago e Julião, se continuarem nesse caminho, não saem desse time nunca mais.

Julião, no apagar das luzes, faz jogada individual, se livra de três adversários e assiste… Egídio.

Apaga!

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Dodi primoroso e Luis Henrique pode ser ainda melhor se atuar mais perto do gol.

Saudações Tricolores!

Panorama Tricolor

@PanoramaTri @pauloandel

#credibilidade

2 Comments

  1. Vc como sempre muito lúcido. Odair não é o pica das galáxias, mas, me parece, um bom treinador. Me parece, também, muito estressado à beira do campo. Fico achando que ele tem medo de fazer as substituições e alguém se machucar e ficar com 1 a menos até o final do jogo. Ontem por exemplo teve que queimar uma mexida com 2 minutos; mas agora pode mudar 5; não mudou no intervalo porque o time estava bem; a minha solução seria tirar os 3 do ataque quando o Luiz Henrique pediu pra sair, colocando o…

  2. Colocando o Ganso, Marcos Paulo e o Lucca ou outro atacante, guardando a última substituição para uma eventual contusão. Outra coisa: não dá para ter Nenê e Fred juntos; Nenê no primeiro tempo e Fred no segundo; ainda fica com as 3 chances de fazer as 4 substituições restantes. Acho que dá pra brigar pelo G-4; e temos que torcer pra renovação do Dodi. ST

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