Já passou da hora (por Walace Cestari)

Inglória. Eta campanha de tensa. Não dá para tapar o sol com a peneira. Nem com toneladas de concreto. Estamos apreensivos. Já me chamaram histérico, como se o útero fosse necessário para parir preocupações. Há um fantasma a três pontos de nossos pés e, por mais que eu não creia em bruxas, que las hay, hay.

Isso não significa o fundo do poço ou mesmo um negativismo excessivo. Por outro lado, lembro-me de que matei minha Poliana na década de noventa. Assim, sem a implacável dureza das certezas, encontro-me atolado em dúvidas e sinto medo. Paúra, por assim dizer. Não fico calmo vendo a tabela. Muito menos assistindo ao time em campo.

O futebol rolado na verde grama carece de reentendimento, de ressignificação. O do começo do ano era tal vistoso que parecia fazer a confiança alugar nossos corações. Nossos volantes chegavam surprerosamente à área adversária, éramos rápidos e envolventes. Talvez fosse a paixão que de início nos envolve.

Como nos piores casamentos, a rotina foi nos deixando sem graça e previsíveis. As peças, de causadoras de sonho, passaram à saudade. Nossas esperanças passeiam por suspensões e contusões e não voltam mais. Hoje quem fazia diferença faz ausências. De corpo presente, Scarpa e Wendel não têm a vistosidade de outrora, Orejuela mostrou-se insosso à marcação dura. Wellington Silva contundiu-se na alma depois da viagem à Europa e não se acha mais nas quatro linhas.

Sejamos verdadeiros conosco: temos de nos preocupar. Nada de pedir cabeça de Abel, em quem confio, e quem penso ser o único capaz a nos escapar das garras dos fantasmas. Nosso goleiro não inspira convicção. Seu reserva, só vive das lembranças de atuações esquecidas. A zaga, de oscilante, passou a atuar com regularidade ímpar: não marcamos e sofremos muitos gols. Em termos de laterais é melhor ser direto: não há.

Queria dizer que os jogadores são um bando de mercenários e perdir-lhes a cabeça, trocando-os pelos juvenis. Entretanto, isso seria mentiroso: não parece faltar compromisso do time, ainda que vez em quando, padeçamos de força para virar situações adversas. Um time jovem, mas cujas consequências serão de gente grande.

Amarelo é a cor do sinal que deve estar piscando em Laranjeiras. Pelo menos eu torço para que assim o seja. Vejo no semblante de Abelão o olhar compartilhado das inquietudes da arquibancada. Não quero a cabeça de ninguém, pelo contrário, quero pernas e corações dando o máximo para alcançarmos uma posição mais confortável.

Temos o Grêmio lá na Arena de Porto Alegre e um clássico contra o Flamengo (em nada me importam os dois confrontos pela Sulamenricanja nesse momento). Estamos a três pontos do fantasma. Desesperados vão conseguindo pontos surpreendentes. Nosso luxo acabou. É hora de fazer algo a mais. Que sejamos mais guerreiros, que arranquemos pontos improváveis. Afinal, não somos o mais provável. Ainda dá, mas o tempo não perdoa os erros. Já passou da hora da resposta.

Panorama Tricolor

@PanoramaTri 

Imagem: wc

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