Panelaço tricolor (por Rods)

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Para o bem ou para o mal, as panelas estão em destaque no Brasil. Só não se esperava que elas fossem um problema no Fluminense a essa altura do campeonato. Neste momento de reconstrução. Noticiada desde segunda à noite e confirmada ontem à tarde, já não é novidade a saída repentina de Diego Souza do Fluminense. Ele quer voltar para o lugar onde se sente bem, quer voltar para o Sport e, para isso, aceita até uma redução salarial.

Vendo seus vídeos e declarações em redes sociais, fica até fácil aceitar seus motivos. Apesar de ser cria do Flu e de ter rodado o mundo – incluindo o outro período no Rio pelo Vasco –, fica óbvio que ele fez de Recife a sua casa. E quem não quer se sentir em casa? Isso não foi possível em sua volta às Laranjeiras. Alegou não ter encontrado clima que gostaria por aqui.

O dito acima nos leva a uma antiga informação dos bastidores tricolores: a panelinha do Fred. Ou, como intitulei esta coluna, o panelaço (tendo em vista sua longevidade e sua força). Obviamente, nada oficial. Mas com consequências bem visíveis durante os últimos anos. Buscando a história recente do Fluminense, basta lembrar a volta do Cícero ao time. Ele foi exilado e quase negociado até se encaixar no “esquema” bem diferente do que ele conhecia de 2008.

Isso me lembra de uma passagem do Túlio Maravilha pelo Corinthians.  Sim, poucos lembram, mas ele passou pelo Parque São Jorge em 1997 e tinha tudo para ter sucesso em terras paulistas. Até que, após um dos seus primeiros treinos, o goleiro Ronaldo e parte de sua panela chegou para enquadrar o artilheiro da seguinte forma: “Para jogar aqui no Corinthians, tem que mexer a bunda”.

Apesar de ter feito 14 gols em 33 jogos, uma ótima marca, ele não teve clima para continuar lá e se mandou pro Vitória no mesmo ano.

As panelinhas são normais em qualquer lugar de convívio. Mas, no caso do futebol, cabe ao técnico e aos dirigentes não permitir que isso afete o time. Tudo bem que o Levir Culpi não pareceu muito preocupado em segurar o Diego Souza, mas sua qualidade e poder de decisão poderiam ser muito importantes ao Fluminense.

Como escrevi há duas semanas, um dos desafios do Levir é enfrentar os jogadores que se sentem donos do time e colocá-los em seu devido lugar, fazê-los respeitar os outros jogadores e a instituição. Ninguém pede que sejam todos amigos, mas sim que se respeitem, que demonstrem profissionalismo e tenham em mente que é o Fluminense em primeiro lugar.

A ironia dessa situação, para mim, é que eu me preparava para escrever esta coluna dando boas vindas ao Flu 2016. Fiquei empolgado com o Fla-Flu porque finalmente vi um time no clássico do Pacaembu. Agora vejo essa notícia como um risco à integridade já quebradiça do nosso time. Hoje Diego Souza, amanhã Cícero novamente e depois mais quem? Que nosso técnico tenha toda a força e apoio para lidar com isso.

Diego Souza ainda divulgou um vídeo ontem à noite para explicar sua saída e negar qualquer problema de relacionamento. Pode ser verdade? Pode. Mas, como diz o dito popular castelhano: “No creo en brujas, pero que las hay, las hay”.

Enquanto isso, a 10 tricolor, que a tantos craques vestiu, segue sofrendo.

Primeira Liga

Hoje enfrentamos o Internacional em busca da vaga na final da Primeira Liga, um possível Fla-Flu (que seria um tapa na cara do Rubinho). Sem casa, levamos o jogo para Brasília, onde nossos jogadores parecem nunca querer jogar (dá-lhe Levir), mas o que me deixa ainda mais indignado é que jogaremos no infeliz horário de 19h15.

Quem me acompanha, sabe que sou de Brasília. O Mané Garrincha fica na região central de Brasília, colado no Eixo Monumental, via de muito trânsito, especialmente no horário definido. Ou seja, assim como acontece no Rio, será um festival de torcedores entrando durante o jogo. E, ainda, muitos de nós não conseguirão chegar em casa ou nos bares para pegar a saída de bola. A independência de horário, prometida no campeonato, foi jogada pelo ralo.

Bom, sobre o jogo, Levir treinou o time titular da seguinte forma: Cavalieri, Jonathan, Gum, Henrique, Wellington Silva; Pierre, Cícero, Gérson, Gustavo Scarpa; Osvaldo e Magno Alves.

O Internacional vive uma situação muito incômoda, com dificuldades de estruturar o time e longe de conseguir os resultados que a torcida colorada espera. Devem jogar sério e para vencer, pois uma derrota pode ser catastrófica para eles. Nós estamos ainda no início da nossa reconstrução, mas a classificação pode servir como um belo trampolim. Espero uma vitória magra, de um a zero ou dois a um.

ST!

Panorama Tricolor

@PanoramaTri @Rods_C

Imagem: Rods / PRA

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