OK Pablo (por Paulo-Roberto Andel)

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Muito obrigado por todo o apoio que você deu ao nosso PANORAMA, de coração. Outro dia mesmo falamos brevemente no Maracanã, num jogo desses em que o Flu não iria bem, e logo agora que as coisas pareciam ter melhorado…

Não consigo parar de pensar que você curtiu uma coluna nossa, acho que minha e eu, cansado, fui dormir cedo. Acordei às seis da manhã com um susto no Whatsapp, o Caldeira em estado de choque me dizendo o que teria ocorrido. Eu sempre olhava o teu nome nas curtidas porque é parecido com o meu e, instintivamente, chamava atenção.

Ele estava terrivelmente certo.

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Depois da mensagem do Caldeira, meu dia acabou.

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O que sei é que vi dezenas e dezenas de pessoas chorando muito, jovens, gente acostumada a sorrir na hora em que você trabalhava. Isso diz sobre o espaço que você representa no coração das pessoas, mais do que qualquer coisa, mesmo que o tempo tenha sido tão breve e abruptamente encerrado, muito antes do justo e razoável.

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Uma camisa do Fluminense, duas, cinco, dez, quinze. Uma bandeira estendida por cima de um rosto sereno.

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Homens e mulheres do samba em desolação. Jovens e idosos sob perplexidade, entre lágrimas e pequenos hinos sussurrados. Uma multidão fazendo da sua dor um abraço sincero, amigo, de irmãos.

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Num momento o turbilhão de gente parecia uma arquibancada. O réquiem se fez aplauso, tão forte e verdadeiro que na capela ao lado, humilde, com pessoas simples, umas dez saíram à porta e, mesmo diante da dor que era delas, aplaudiram também.

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Uma breve pausa e passa por nós um cordão de jovens humildes, vestindo camisas brancas onde se via no peito a foto de um jovem que se foi. Um homem negro, uma família de jovens negros, de mãos dadas, simbolizando provavelmente todo o horror que esta cidade alimenta diariamente com seus apartes.

Ali perto, uma bandeira do Fluminense abraçava um irmão de arquibancada em berço esplêndido, mas terrível porque nos mostra cruelmente como somos tão frágeis, como somos capazes de perder tempo com bobagens enquanto a vida é a brevidade de um sopro.

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O samba desfila seu manto sagrado de dor.

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Não há palavras para descrever este dia ao certo, mas há sentimentos, fraternidade, empatia, poesia. O samba mandou nos chamar para uma tarde de dor, uma sensação de vazio e uma bandeira estampada onde as três cores são nome, lágrima e saudade.

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A grande família partiu para a grande canção derradeira numa estrada de pedra. Homens, mulheres e crianças, olhos marejados, olhares incrédulos. Caldeira ficou estático, e aí senti o golpe.

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Tome estas linhas como um abraço. Espero que você possa lê-las de alguma forma, tal como sempre fez. Muito obrigado por nos apoiar. Hoje somos tristeza, mas o sol nascerá e teremos novas histórias a contar. Você está por perto.

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O Fluminense vai ganhar este jogo contra o Coritiba, é questão de honra em cordas e versos. A tua bandeira é a nossa bandeira.

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Um grande beijo para as tuas, os teus e as centenas de pessoas que agora choram, porque o samba está de luto. Hoje, as três cores são o nome da dor, hoje somos inconformismo. Tudo tem seu tempo, mas não era para ser assim.

A vida é um soco, mas também um abraço. O nosso Fluminense te abraça em missão de paz. Os queixos ainda doem, mas a gente vai se recuperar. O problema é a sodade, feito o canto de Cesária Évora.

Obrigado por tudo.

Canta com Deus.

Panorama Tricolor

@PanoramaTri @pauloandel

Imagem: rap

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