A canalhice, a vergonha e o empate na raça (por Marcus Vinicius Caldeira)

1.

Tudo bem! O time não é aquela constelação de 2012 que nos trouxe o tetra. Longe disso. Todos nós queríamos que sempre o time fosse formado por estrelas daquele naipe. O problema é que mecenato não dura para sempre. E não durou.

Este time gera muita desconfiança na torcida.

Normal!

Torcedor, naturalmente, só consegue enxergar que se faça bom futebol se o time for recheado de jogadores caros e tarimbados. Aliás, o mecenato por várias vezes o fez e o resultado não foi 2012 ou 2010, e sim cinco lutas contra rebaixamento. Uma delas, com rebaixamento efetuado, mesmo com Fred, Gum, Wagner, Jean, Cavalieri e outros no time.

Mas, uma coisa é inegável: este time transpira, luta, morde e briga o tempo todo. E isso contagia até os mais céticos. Onde esse time vai chegar não sabemos. Muitos dizem que é rebaixamento na certa. Eu não creio. Acho que é para meio de tabela. Mas, quem sabe possa voar mais alto. Futebol é imprevisível.

2.

Pegamos um começo de tabela, carne de pescoço como se diz no popular. Corinthians, Cruzeiro e São Paulo. O outro – mais ajudado do Brasil – pegou uma molezinha. Estávamos empatando com o Corinthians até o finalzinho. Contra o Cruzeiro, mesmo com um a menos desde os 15 do primeiro tempo, ganhamos o jogo.  E ontem, saímos em desvantagem e conseguimos o empate. Sempre na raça, na garra, na transpiração.

Gosto do Fluminense assim: comprometido, raçudo, que não se entrega. Mesmo com menos qualidade que os demais, busca resultados com muita luta. Assim construímos nossa história e a imprensa apelidou nossos times pejorativamente de timinhos.

E os timinhos iam lá, ganhavam e faturavam títulos.

3.

Sexta-feira, a canalhice que assola o país tomou de assalto o Fluminense.

Um site de notícias que se diz tricolor “recebeu por debaixo dos panos” o contrato entre o Fluminense e o patrocinador. Contrato este que estava assinado com cláusulas de sigilo (muito normal nesse tipo de contrato). E o publicou

Não dá para saber qual a canalhice maior: se de quem pegou o contrato (foi alguém do clube e tem de ser investigado) ou do site que publicou.

Ação totalmente prejudicial ao clube. Quem vai querer patrocinar um clube que tem seus contratos expostos desta forma?

Outro dia li uma entrevista de um CEO da Nissan que depois da experiência no Vasco, a empresa nunca mais investiria no futebol brasileiro.

O país vivendo um crise econômica e política sem fim, o mercado do futebol engessado e esses caras que se dizem tricolores ainda fazem mais uma dessa, sangrando o Fluminense.

Terrível.

4.

Para completar, uma meia dúzia de tricolores invade o campo em Laranjeiras para partirem para cima dos jogadores do sub-20 do Vasco, fazendo a mesma merda condenável que os torcedores vascaínos fizeram na semana passada em São Januário.

E no mesmo dia, ainda meia dúzia de tricolores (se não tiveram sido os mesmos) ficaram assediando uma funcionária do Vasco por ela ser mulher. Bizarro. Custa-me a crer que são tricolores.

Sociedade doente

Fim

Para esquecer estas coisas terríveis fora de campo que envolveram o Fluminense, sexta e sábado, vou dormir só com a lembrança do gol do Pedro e empate na raça deste time de operários.

E esquecer a canalhice e a vergonha alheia.

Panorama Tricolor

@PanoramaTri @mvinicaldeira

#JuntosPeloFlu

Imagem: mvc

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