Os analfabetos da purpurina (por Antonio Gonzalez)

Vamos lá, em plena segunda feira de Carnaval, com a cidade do Rio de Janeiro, vivendo a folia a pleno vapor, com as escolas de samba transformando o Sambódromo no maior palco do planeta terra.

Hoje tem São Clemente, é a escola do bairro que nasci, presidida pelo Renatinho, tão Luta Livre como eu, também da família do Mestre Hugo Duarte e com samba composto por dois Tricolores, o Luiz Carlos Máximo e o Gustavo Albuquerque. Com certeza terá a escola – cujas cores foram inspiradas na camisa do Peñarol de Montevideo, idéia advinda de mais uma Libertadores frustrada em pleno Maracanã, o antigo e único, do clube de REGATAS – a minha torcida.

Dito isso, vamos falar de Fluminense…

Nem antes de sábado éramos o dream team do futebol mundial, nem agora somos o Rosita Sofia que povoava as crônicas do mítico – e também único – João Saldanha.

Comentar jogo jogado é fácil, principalmente para os comodistas de plantão, em sua quase totalidade, uns 99% de não sócios do clube, que preferem a comodidade do sofá da casa, o ar condicionado impecável, a cerveja artesanal e o vinhozinho de prateleira de supermercado (somos o país dos “Mestres cervejeiros”, dos “Enólogos”, “Enófilos” e “Sommeliers”)…

Mas sair de casa às 11 da manhã, se dirigir para a distante Raiz da Serra, do calor que sufoca minhoca em beira de açude, em pleno Xerém do Zeca Pagodinho, para um jogo que começava às 16h30, isso é outra história…

Acaba o jogo, por sinal o nosso pior do ano, começam as enxurradas de críticas, os pseudo blogueiros Meia Hora, com o famoso “eu avisei que o time era uma merda”, e por aí vai o jogo… Normal quando se tem do outro lado analfabetos e imbecis que se pensaram superiores e decidiram apoiar o ex-funcionário Mario Bittencourt, pois lhes foi prometido trabalho seja no departamento de comunicação, seja na comissão técnica dos scouts, seja no futebol de base…

Basta conhecer com profundidade as Laranjeiras para afirmar que, ao fim e ao cabo, lá dentro tudo se sabe… Inclusive que tem gente, e não falo do antigo patrocinador, devendo MUITO dinheiro por causa da campanha passada… E esse povo, que jamais pensou que perderia a eleição, em realidade está desesperado… Imaginem o que passa na cabeça do blogueiro Meia Hora (aquele que não sabe o que é crase, nem concordância verbal, o típico “nós vai e a gente vamos”)? É óbvio que um misto de raiva e frustação… é só ver a trajetória curricular.

Voltando ao jogo que foi jogado em Los Larios, diante de pouco mais de 2 mil pessoas. O Fluminense esteve muito abaixo do que pode apresentar. Mas o diagnóstico é até simples…

O PC Gusmão, treinador do Madureira, deu um nó tático no nosso querido mito Abel Braga. E isso faz parte.

De saída ele neutralizou o nosso jogador mais importante na saída de bola, que é o Orejuela. E ao marcar o equatoriano, fez com que o nosso meio de campo não conseguisse se encontrar durante a partida, parco de idéias, sem conseguir colocar em prática o futebol até então apresentado, espesso de idéias e propostas.

Para quem não precisa de videotape para analisar o jogo, a fotografia era de fácil diagnóstico… Desde o jogo contra o Vasco, o nosso treinador havia optado pelo 4-1-4-1… os quatro zagueiros, o Orejuela, os quatro do meio (Scarpa, Sornoza, Douglas e Wellington) e na frente o limitadíssimo, entretanto esforçadíssimo, Henrique Dourado.

Mas ao cair na arapuca do PC Gusmão, que também povoou a área central do gramado, aquela que pensa, o Fluminense acabou sendo obrigado a procurar outra alternativa de jogo, onde, visto o primeiro match do ano, contra o Criciúma em Juiz de Fora (eu também estava lá), não traz comodidade à equipe… o famoso 4-2-3-1… colocando o Douglas ao lado do Orejuela.

E o que aconteceu?

O menino Douglas, outra belíssima produção da nossa base, não se encontrou na disputa, jogando em terra de ninguém, fazendo mais metros que os devidos, não gerando conteúdo, apenas luta que cegava a inspiração

É visível que o time de Conselheiro Galvão é muito mais forte fisicamente que o nosso… se você alia a isso o emprego de MUITA VIOLÊNCIA (na sua primeira jogada, o Dourado tomou um soco na cara, e o “Valderrama” do Douglas Lima deu carrinhos irresponsáveis ao longo da disputa, o que obrigou, depois de quase ter tido o tornozelo fraturado, ao Gustavo Scarpa, não poder regressar a campo para disputar a segunda metade).

E a da arbitragem? Não vi ninguém falando. O mais educado que consigo falar é que o árbitro veio para costurar o Fluminense. Só não perceberam isso os ANALFABETOS DA PURPURINA.

Ao não ter as laterais mais protegidas, as subidas ao ataque, principalmente as do Léo, ficaram tímidas, e o 2 contra 1, na linha de fundo adversária, pelo lado direito do campo, com o Lucas (umas das nossas melhores e efetivas jogadas) praticamente não existiu.

No dia em que a mente do Sornoza não entrou em campo, com o Orejuela marcado, com o Douglas sem saber qual era o seu papel, a única ponta de lucidez saia dos pés do Scarpa, mas sem encontrar coadjuvantes. E quando constatamos que a COVARDE e PORCA entrada do Douglas Lima (em qualquer competição séria da Europa, teria sido expulso e pegaria um gancho de uns 6 jogos por incitação à violência explícita) nos desfalca para todo o segundo tempo, estava na cara que iria ser um jogo dificílimo…

O nosso treinador, o Mito Abel Braga, deve ter pensado, uma vez alertado sobre o forte jogo aéreo do time da terra do samba (salve o Império Serrano e a Portela) que, ao escalar o Renato Chaves, a defesa ganharia pontos nesse quesito…

Como não escrevo debaixo de INTERESSES FINANCEIROS, me atrevo a discordar do Abel… Ao tirar o Nogueira, mesmo com menos experiência que o titular do sábado, nosso treinador permitiu que perdêssemos fortaleza física na defesa…

E vou ser mais ousado:

A bola aérea somente existiu porque o ainda enjoado Souza, um “Panzerkampfwagen” com ares de Rambo, ganhava fisicamente da nossa zaga.

Ou seja, os caras nos anularam e ditaram o ritmo. Mesmo não deixando de tentar atacar (por algumas vezes o Richarlison, que entrou no lugar do Wellington, não fez a melhor opção), o Fluminense sabia que o resultado inicial também servia, portanto em dia em que a técnica não marcou presença, a única arma que não podia faltar, vestiu a nossa camisa:

A da LUTA e a da ENTREGA!

Lutar e saber sofrer… Tudo o que faltou às gestões do Ricardo Tenório, do ex-empregado Mario Bittencourt e do ex-Presidente Peter Siemsen, quando estiveram no comando do futebol Tricolor (leia-se 2013, 2014, 2015 e 2016).

E isso, os vendilhões do templo não conseguem, por causa do ódio do bolso furado, enxergar.

Que conste: muitas das dores que a nossa torcida sofre são as minhas também.

Ou vocês acham que eu não sinto inveja dos atleticanos que estão se deliciando com os gols do Fred? É claro, da mesma forma que senti saudades do Flavio quando vestiu a camisa do Inter de Porto Alegre e foi campeão brasileiro, do Manfrini quando vestiu a do Botafogo, a do Edinho quando nos trocou pela Udinese, do Romerito quando jogou no Barcelona e, acima de tudo, do Rivellino quando foi para o Al Hilal da Arábia Saudita.

Mas ser FLUMINENSE é muito mais do que ser nostálgico.

É preciso saber que O CLUBE FICA e OS JOGADORES PASSAM.

Jamais coloquem um jogador acima do Fluminense.

Ou vocês acham que eu também não afirmo que o nosso time necessita de uns quatro reforços, entre eles um 9 de confiança e mais técnica?

Tão cristalino com o dizer que, no nosso time deste ano, não existem barangas de outras temporadas, onde o paraíso foi dos empresários e de jogadores pernetas.

Então, que tal deixarmos de conversas sem fim e propósito, quando temos que ir para a guerra, com a roupa que temos?!

Domingo, contra o Flamengo será uma guerra… e nessa batalha final tão importantes como os nossos jogadores, que a nossa Comissão Técnica, que a nossa diretoria, somos nós torcedores…

A nossa presença é FUNDAMENTAL. A minha, a sua, a de todos.

Mas é preciso falar do momento que vive a nossa torcida, tenho que ser cirúrgico, pretendo não ferir as suscetibilidades, mas como sempre TRANSPARENTE.

1. INFELIZMENTE as nossas Torcidas Organizadas, estão vivendo os seus últimos momentos. Depois do corte de ingressos por parte do clube, nunca encontraram o caminho. INFELIZMENTE a CULTURA DO INGRESSO, que durou mais de 20 anos, acabou sendo uma arma suicida. E o parecer é binário: ou se reinventam radicalmente voltando às origens dos anos 1970, ou desaparecerão definitivamente;

2. A Bravo 52, com o lance da terrível agressão cometida por elementos de uma torcida organizada do Vasco ao grande Pedro Scudieri, revelou um lado imaturo, o de não saber que o mundo não se resume a um parque de diversões. Espero que se reencontre ou que aprenda, também, com a voz da experiência;

3. O segundo tempo em Los Larios, com as baterias unidas e todos num só bloco, mostrou o caminho que eu sugiro, o da TORCIDA ÚNICA (uma só fortaleza, de corner a corner);

4. SOBRANADA – O movimento herdeiro dos trabalhos iniciados na década de 1980 na Zona Sul, hoje espalhado por toda cidade, tem que assumir o seu papel de locomotiva no processo. O Sobranada, que lançou uma linda camiseta neste jogo, tem de sobra, as condições de ser a GRANDE LIDERANÇA na UNIFICAÇÃO DA NOSSA ARQUIBANCADA. Faz-se necessário, para ontem!

Desde já, essa equipe do Flamengo, que leva dois anos sendo montada, é, como sempre nas finais, a franca favorita…

Só que eles não tem Nelson Rodrigues, nem Sobrenatural de Almeida, não tem o Careca, nem o Ximbica… Eles são MOLAMBOS e nós temos camisa…

Sim… NÓS TEMOS CAMISA. Portanto, façamos essa camisa jogar… JOGUEMOS JUNTOS.

E vou além… Ganhar a Taça Guanabara, não vai mudar um milímetro das minhas preocupações quanto ao futuro…

Da mesma forma que o GÊNIO Alfredo Di Stefano dizia que “os gols não se merecem… os gols se marcam”, eu me atrevo a vos dizer, uma vez que fui criado sobre o dogma que o Fluminense nasceu para DISPUTAR TÍTULOS, o meu pensamento:

TÍTULOS NÃO SE MERECEM… TÍTULOS SE CONQUISTAM!

Vem comigo… vamos jogar juntos! O FLUMINENSE CONTA COM A GENTE.

De resto… A poesia e a música de Aluísio Machado e Beto Sem Braço, da gigante Império Serrano, em 1982…

“Bumbum paticumbum prugurundum… O nosso samba minha gente é isso aí, é isso aí… Bumbum paticumbum prugurundum… Contagiando a Marquês de Sapucaí.

Enfeitei meu coração… De confete e serpentina… Minha mente se fez menina… Num mundo de recordação… Abracei a coroa imperial, fiz meu carnaval… Extravasando toda a minha emoção.

Óh, Praça Onze, tu és imortal… Teus braços embalaram o samba… A sua apoteose é triunfal… De uma barrica se fez uma cuíca… De outra barrica um surdo de marcação… Com reco-reco, pandeiro e tamborim… E lindas baianas o samba ficou assim

E passo a passo no compasso o samba cresceu… Na Candelária construiu seu apogeu… As BURRINHAS, que imagem, para os olhos um prazer… Pedem passagem pros moleques de Debret.

As africanas, que quadro original… Iemanjá, Iemanjá, enriquecendo o visual.

Vem, meu amor, manda a tristeza embora… É carnaval, é folia, neste dia ninguém chora…

Super Escolas de Samba S/A… Super-alegorias… Escondendo gente bamba… Que covardia!”.

https://youtu.be/Ye6xd8hD9xs

Qualquer semelhança não é mera coincidência!

Durante 1983, 1984 e 1985, aquela Fôrça Flu entoou nos estádios de todo o Brasil esse samba.

Bem, se a Dissidência escolheu ser REGATAS, nós optamos por ser a RESISTÊNCIA…

#SomosFluminense
#ForçaScudi
#DigaNãoAosAnalfabetosDaPurpurina
#UnidosPorUmFluForte

Panorama Tricolor

@PanoramaTri

Imagem: agon

4 Comments

  1. Parabéns Gonzalez! Texto espetacular com uma análise perfeita de quem conhece o futebol. E gosta do samba. Acho que deveria dispensar o epíteto do Mario Bettencourt. E viva o grande Império Serrano. ST

  2. Incrível a maturidade do Gonzales. Além de ser uma pessoa que sempre esteve caminhando ao lado do Fluminense, sendo ainda hoje presença marcante na nossa torcida, também sabe ver o que se passa dentro de campo.
    Grande time tem o Panorama.

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