Olhos de gorila (por João Marcelo Garcez)

Gorila

Não faz muito tempo – três ou quatro semanas, acredito –, li uma coluna na Folha de São Paulo que abordava a seriíssima questão animal, causa que defendo há anos. No texto, não me lembro por quem assinado (pelo que me desculpo), o cronista abordava nossa crença vã de superioridade ante às demais espécies. Citava, como exemplo, nossa reação quando diante de um gorila (no caso, enjaulado).

Seu olhar penetrante, instigante, idêntico ao nosso, causa-nos inquietude, perturbação, dizia. Temos plena consciência de que ele sabe e entende nossas percepções, sentimentos, intenções. Mas o egoísmo humano é grande demais para aceitar que um “reles” gorila seja capaz de nos tirar do eixo. Então, desviamos o olhar e o devolvemos rapidamente à sua condição de animal, como se com isso conseguíssemos abrandar a nossa culpa de privá-lo de seus direitos, opinava o colunista, se não exatamente igual, em palavras similares.

Num cenário comparativo, pela reação ostensiva da mídia e da opinião pública, vejo hoje o Fluminense como os olhos inquietantes do gorila. Parece-me considerarem ultrajante a presença do clube na elite do futebol brasileiro, mas não do ponto de vista da legalidade – uma vez que o Flu está legitimado, a despeito de ignorarem tal fato –, mas sim da irracionalidade, da paixão clubística, por ter sido o Tricolor o maior colecionador de títulos nacionais de 2007 para cá – três.

A supremacia do Fluminense no Brasil neste período, que deu ao clube, inclusive, a liderança do ranking da CBF em 2013, ofusca a tentativa de quem teve mais espaço no passado recuperar terreno no presente. Há de ser mesmo perturbador ver um clube tão vencedor embarreirando vitórias alheias, no palco onde ele se acostumou a triunfar e dar costumeiras voltas olímpicas – as quatro linhas (obviamente, que, do citado acima, este colunista excetua o terrível ano de 2013).

Tal como o gorila, enxergo hoje um Flu grande, imponente, inquietador. Pois só isso e sua mania de incomodar tanto explicaria tamanha agitação popular.

Gigante!

***

PgGostaria de aqui externar todo o meu prazer e alegria de ter escrito, com um timaço de primeira linha, “Pagar o quê? – Respostas à maior bravata da história do futebol brasileiro” (Editora Verve), livro-manifesto que, sem tirar nem pôr, expõe toda a realidade dos bastidores, desmentindo a pecha de virador de mesa que, por razões vis, o Fluminense adquiriu de uma imprensa pouco comprometida com suas obrigações morais e profissionais.

Além de mim, o mediador deste Panorama Tricolor, Paulo-Roberto Andel, o crítico Marcelo Janot, o escritor Valterson Botelho e os professores acadêmicos Luiz Alberto Couceiro e Cézar Santa Ana participam desta obra, que se tornará o documento oficial dos tricolores para rebater calúnias à mais tradicional agremiação do desporto nacional.

Imperdível!

***

Natal - CopiaAos amigos deste Panorama Tricolor, desejo um ano menos conturbado dentro de campo e, principalmente, fora dele. É tempo de canalizar forças para fazer do Fluminense o time a ser batido em 2014.

Boas festas!

João Marcelo Garcez (joaogarcez@yahoo.com.br) é jornalista, publicitário e escritor. Autor de quatro livros, já trabalhou em empresas como TV Globo, Jornal dos Sports, Globoesporte.com e DM9DDB. Atualmente na Editora 5W, Garcez escreve mensalmente ao site Panorama Tricolor.

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *

 caracteres