Acabou o ano ruim, ficou o ódio (por Paulo-Roberto Andel)

O ano acabou, o Fluminense decepcionou e nada sobrou além do ódio, ódio, mil vezes ódio.

O ano de 2017 teve tanta negatividade ao redor do clube que, a rigor, só houve um curto período de três ou quatro dias onde os tricolores se calaram diante de outros tricolores, declarados ‘inimigos’ porque não se alinham ao mar de infâmias dos milicianos das redes antissociais, que não fazem nada de graça. Um período de silêncio provocado pelo pior dos motivos: a trágica passagem do filho de Abel.

A máquina de propaganda nazifascista diária na internet foi tão lesiva ao Flu que, ao lado de outros fatores, contribuiu para que muitos tricolores simplesmente abandonassem o barco da arquibancada. Não foi somente a campanha medíocre, tão medíocre quanto em anos anteriores: as pessoas estão de saco cheio do ódio.

Obviamente o time ficou abaixo do esperado, tão abaixo que, mesmo com seus inúmeros problemas, ainda poderia ter brigado pela pré-Libertadores ou mais, não fossem cometidos pelo menos cinco erros capitais em 38 partidas: derrota para o Vasco aos 47 minutos do segundo tempo, com a bola nos pés; empates com Flamengo e Vitória no fim das partidas; empate com Bahia e derrota para o Sport em casa. Brincando, jogou uns oito ou nove pontos fora. Mas agora Inês é morta e a decepção é plena.

O Fluminense de 2018 precisa ser diferente. Recuperar seu ímpeto, sua ousadia, sua capacidade de desafiar definições. Para isso, o principal é o torcedor tricolor de boa intenção – 99,99% da amostra – cobrar melhorias da diretoria sim, mas também deixar de lado a mini milícia que prega o ‘quanto pior, melhor’ – aliás, jogá-la em seu devido lugar: o lixo. Esse é o primeiro passo.

Precisamos de militantes, não de milicianos. Precisamos de cobrança e atitude, não de sabotagem. Precisamos torcer pelo Fluminense, não contra ele. Para nos sabotar e vilipendiar diariamente, já temos a FlaPress, de modo que seus grotescos genéricos são dispensáveis.

É bom que se diga: nós, torcedores, temos pleno direito de reivindicar e protestar contra qualquer prejuízo do Flu, mas a lucidez recomenda que não nos prestemos ao papel de massa de manobra ignara. É preciso olhar ao redor, quem é quem, o que está por trás do “amor ao Tricolor”.

Todo torcedor nosso que não tem interesse econômico em jogo nesse mar de ódio – 99,99% – quer um time melhor, vencedor, competitivo, de acordo com as tradições tricolores, mas também sabe que o Fluminense não se limita ao campo.

A torcida é o maior patrimônio do clube, a razão de sua existência, a sua força motriz e não pode ser avariada por causa de meia dúzia de desocupados que veem no Flu a solução financeira de suas vidas vazias, ou a chance de autopromoção para finalidades escusas. De saco cheio de tanta politicagem, muitos torcedores estão se afastando do time, alguns de forma irreversível – o mais grave de tudo o que está acontecendo e, reitero, não é por causa da má temporada somente; se fosse, já não teríamos torcida no fim dos anos 1970…

Sim, os maus resultados aí estão e são incontestáveis. O Fluminense está mal e termina dezembro tão mal quanto em 2003, 2006, 2008, 2009, 2013, 2015 e agora em 2017. Em todos estes anos, ou na maioria deles, todos os agentes políticos do clube estiveram presentes no comando em algum momento, especialmente os hoje embalados como oposição. Como se vê, o problema é muito maior do que uma briguinha de merda entre tietes de Peter, Celso e Mário. E só terá uma solução decente se ela passar pelo extermínio do ódio entre tricolores.

A permanecer o mar de fel, o “quanto pior, melhor” e o Fluminense a ser tratado como algo menor do que seus candidatos eleitos ou derrotados, a eleição de 2019 não será mais para a presidência do clube mas, com todo respeito, para a do ‘novo’ America – ou o que tiver sobrado dele…

Vale a reflexão antes que seja tarde, tarde demais para resolver o problema com boquirrotagem de Facebook, logomarcas ou CNPJs.

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Muito obrigado a todos os que têm prestigiado este PANORAMA desde 2012. Independentemente do que aconteça daqui para a frente, registro aqui meu enorme orgulho por ter este blog que, dentre outras coisas, ajudou o Fluminense a se tornar a referência sul-americana de títulos literários. Aqui, reunimos a maior coleção de autores publicados de futebol sobre um clube no país, de forma voluntária, o que não é pouca coisa.

Nem precisamos ser os mais lidos ou colecionar likes pagos para ganharmos o respeito de milhares de tricolores. As pessoas reconhecem que, no PANORAMA, ninguém vende nem aluga suas opiniões. Não somos os mais lidos, os mais falados e nem passamos 24 horas em campanha enrustida de pré-candidatos nas redes sociais. Somos apenas a referência da literatura tricolor na internet. Para quem lê bem, é o que basta.

Entramos de férias na próxima quarta-feira e o PANORAMA volta na segunda quinzena de janeiro, com a força de sempre.

Muito obrigado.

Panorama Tricolor

@PanoramaTri @pauloandel

#JuntosPeloFlu

Foto: Carlos Martino Martins

Imagem: rap

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