O vento mudou de lado (por Walace Cestari)

Logo nos primeiros minutos do segundo tempo do jogo contra o campeão chileno, não havia alma entre os treze mil tricolores de corpo presente ao estádio que não antevisse o que aconteceria. Estava escrito há mais de mil anos em algum totem inca que não venceríamos aquele jogo.

Não que não houvesse merecimento – o Fluminense é sempre o merecedor da vitória, independentemente dos fatos que se sucedam na partida –, ocorreu uma verdadeira ofensiva de artilharia tricolor contra o gol da siderúrgica. Quando não era o pequeno arqueiro a estragar nossos planos – em que pese sua colaboração dantesca em nosso tento – era nossa pontaria que pouco teve de cirúrgica.

Paciência. Os resultados não são o acaso trabalhando incessantemente contra nós. Apesar da notícia de que Sobrenatural de Almeida voltou das férias que havia gozado por todo o ano passado. Entretanto, o revés também não deve cair na conta da falta de trabalho ou de empenho.

Os idiotas da objetividade que lotam as redações dos jornais esportivos (ou dos cadernos temáticos dos matutinos, que seja) querem fazer a torcida ir de encontro ao time. Querem a crise, pois é ela quem vende as edições. A derrota faz tanto o tricoleba ir à banca satisfazer sua febre amarga pela derrota, quanto o espectro dos adversários, sempre ávidos por tripudiar de nossos fracassos.

Jogamos no ano corrente o mesmo que no ano passado. Não pensem que não é verdade. Fomos campeões nacionais com rodadas de antecedência e tantos pontos de vantagem que a história passa a ser a mera análise dos números. Mas, não! Lembremos que as estatísticas – essa ciência de torturar números para que confessem o que queremos ouvir – fornecem a ilusão de que passeamos por bosques floridos. A verdade para todos nós é que sofremos em cada jogo. Levamos sufoco, tomamos pressão, demos chutões e botinadas. O sorriso dos números não esconderá jamais o suor e o sangue daquela conquista.

O fato é que o vento mudou de lado. Fazemos o mesmo. Marcamos e recuamos. A diferença é que no ano anterior as cabeçadas e os chutes adversários não entravam. Nossa zaga atrapalhava-se, mas nunca sobrava a chance para o oponente marcar seus tentos. Quando surgia a oportunidade, havia o milagre de Cavalieri, o pé de Gum, a trave ou as férias de Sobrenatural. Ao passo que nosso contra-ataque era mortal, nossa pontaria era como a de atiradores de elite. A nossa bola entrava. De todo o jeito. Sem querer, fracas, fortes, no canto, no meio. Gol.

O encanto quebrou-se. Por isso, mais do que nunca é hora de o Fluminense calçar suas velhas sandálias da humildade. Não pode haver acomodação pelo passado, esse já não mais alimenta o espírito. Este não é um time comum e não foi acostumado aos luminosos da Broadway. Fez-se o carnaval sobre nosso plantel. Mas agora, os fatos desafiam cada um de nossos guerreiros. Tricolores, abri vossos olhos! Era isso que nos faltava! Eles foram instigados. Provocados. É assim que retornaremos ao que sempre fomos.

Os artistas sairão de cartaz nos próximos jogos. Voltaremos a ter os operários. Os que se mexem por dentro, os que se incomodam com o revés e com as críticas. A casca grossa da equipe foi traspassada. A vaidade, ferida. Sabem que a desconfiança hoje é uma nuvem que paira sobre as Laranjeiras. E posso enxergar o sorriso de canto de boca que nossos guerreiros deixam escapar ao olhar para o céu. O desafio move a essência das três cores. Calar os críticos é mais que sina, é  a nossa tradição.

Não acredito em arte feliz. A arte deve ser uma experiência sofrida, Nelson também o dizia. É essa a marca que nos faz tricolores. Classificaremos. Seremos os campeões, escrevam, anotem e cobrem-me. Não ficaremos para a história como malabaristas. Fazemos arte com angústia. É a dor que traz a beleza às nossas vitórias. Por isso, saí do estádio na quarta-feira com a certeza de que estamos seguindo o oráculo que vaticinava há séculos: sofrerás e assim se agigantarás quando necessário. Seremos os campeões.

PS: Que o dia oito de março inspire a sociedade a respeitar verdadeiramente nossas guerreiras. A fragilidade é invenção machista e passa longe da força de nossas mulheres. Mais que elogios, respeito. Um país só se faz livre quando consegue tratar de forma justa as artífices da construção de sua grandeza.

Walace Cestari

Panorama Tricolor

@PanoramaTri

2 Comments

  1. FORA JACKSON VASCAÍNO!
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