O que tem pra hoje (por Caio Lima)

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Todo mundo fala “é o que tem pra hoje” com um quê de frustração. É aquela coisa de todo dia esperar dias melhores e os dias melhores são sempre empurrados para frente no calendário. E a cada dia a frase “é o que tem pra hoje” vai se tornando um estigma, uma aceitação de um destino escrito de forma torta em linhas retas. Com o passar do tempo, ficamos relegados às frustrações nossas de cada dia e, se não concordamos, aceitamos de bom grado o que nos é ofertado de forma medíocre.

Mesmo o mais jovem torcedor não precisa se esforçar muito para ver a gloriosa história do clube. Basta ir à nova sala de troféus para tomar conhecimento de times incríveis, quase imbatíveis, de conquistas esportivas maravilhosas e de um Fluminense como referência técnica, não só no futebol. E em contraponto à nossa gloriosa história, as últimas duas décadas e, posso falar com propriedade, os últimos anos foram muito à base do futebol com raça, com entrega e com superação.

O futebol brasileiro, de uma forma geral, vive disso hoje. Às vezes surgem alguns lampejos, mas eles logos são vendidos ou apagados. Nosso Fluminense está nesse bololô maldito de suor, grama e estouradas que fazem a torcida vibrar e a falta de jogadores que saibam ler o jogo, que compreendam o jogo não só tática, mas tecnicamente. Observando os jogos, não falta disciplina tática, como os comentaristas amam dizer. O que falta é técnica para ler de que lado o jogo está se desenvolvendo melhor, enfim, para avaliar situações simples de jogo.

E o “é o que tem pra hoje” dos últimos anos sempre foi muita transpiração e pouca inspiração, exceto raros momentos onde o time realmente acertou e jogou bom futebol (coloque raro nisso). Pintaram alguns resultados esportivos bons: uma copa do brasil, dois brasileiros, final de sul-americana e libertadores, estadual e a primeira liga. Mas em quantas dessas competições jogamos efetivamente um bom futebol? Futebol que sobrasse mesmo, de encher os olhos. Sem esse caô de time tático, à moda Tite.

Não podemos descartar as mudanças que o próprio esporte sofre através dos tempos, de forma alguma. Mas, peraí, não dá pra jogar futebol moderno e com excelência ao mesmo tempo? Não dá para investir na preparação do jogador de futebol como um atleta realmente capaz de enxergar o jogo sem que uma comissão inteira tenha de lhe dizer como o jogo está acontecendo, como um robozinho?

Daí chega um senhorzinho falastrão e, como quem não quer nada, rouba o cardápio do dia. Ninguém mais sabe o que tem pra hoje. Tudo revirado no Fluminense. No começo foi tenso, bem tenso. Apesar da conquista da Primeira Liga, as atuações não foram nada regulares. E, por mais incrível que pareça, as melhores atuações foram as que o time suava sangue e deixava o coração dentro de campo. Aliado a uma série de lesões e um elenco bem reduzido, o que tem pra hoje não animou nada a ponto do senhorzinho que queria dar uma cara de Fluminense para o Fluminense.

Mas daí o jogo começou a virar e o que tem pra hoje são reforços, visível melhora do futebol jogado, a segunda defesa menos vazada do campeonato e lampejos de um time que consegue a mostrar que ali há talento suficiente para que o time jogue futebol minimamente pensado. Os resultados ainda não empolgam, mas há um avanço de jogo evidente como há muito eu não via.

É isso aí, Levir! Futebol, como qualquer esporte, não é evolução pelos resultados. A evolução é dada pelo jogo em si. Resultados esportivos vão muito além de canecos na sala de troféus e o Fluminense sempre foi pioneiro no esporte e em conquistas. A Primeira Liga você já teve o gostinho de conquistar, agora continue fazendo esse time evoluir. É excelente saber que assistir a evolução desse Fluminense “é o que tem pra hoje”.

Panorama Tricolor

@PanoramaTri

Imagem: cali

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