O paradoxo defensivo de Braga (por Walace Cestari)

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Braga é uma cidade de história bimilenar localizada no norte de Portugal. Uma cidade que, se não resistiu às invasões romanas que lhe concederam o nome, foi fundamental para a reconquista portuguesa e um dos polos de resistência contra as invasões francesas na Guerra Peninsular. Uma cidade de bravura, astúcia e vigor.

Abel é Braga também. E parece gostar do provérbio que diz que a melhor defesa é o ataque. Montando um time ofensivo, rápido e vertical, passou um turno inteiro do carioquinha sem tomar sustos. A defesa, nosso pior pesadelo versão 2016, passou a ser pouco vazada, ganhou confiança e tornou-se um de nossos destaques.

A entrada de Renato Chaves e o crescimento técnico de Henrique deram tranquilidade à montagem de um esquema de proteção à área. Nossos laterais tem importante papel defensivo e a tática completa-se ocupação de espaços no meio campo: Orejuela é um pivô à frente da zaga e passa para uma linha de mais quatro homens que podem tanto compactar o meio-campo, quanto chegar avassaladoramente à frente.

É claro que não há ganho tático que não seja estudado pelos adversários e o carioquinha não é dos espaços mais confiáveis para testar a firmeza de um estilo de jogo. O Flu depende de ter a bola e controlar o jogo para evitar tomar pressão e alternar cadência e velocidade vertical. Abelão fez um trabalho fantástico montando um padrão reconhecível de jogo.

Quando pressionados ou diante de adversários mais qualificados, não há tanta facilidade de imposição deste estilo e ficamos vulneráveis. Partimos para um jogo franco e aberto, confiando nas qualidades de nosso ataque, na marcação alta e na qualidade do passe do trio SOS – Sornoza, Orejuela e Scarpa. Mas aí a violência tirou Scarpa do time.

Abel, cada vez mais Braga, corajoso como a resistente cidade portuguesa, ousado como seu coração manda ser, altera nosso 4-1-4-1 de ocupação total de espaços por um 4-3-3 veloz, voluntarioso e valente. E passamos a estar expostos. E batemos cabeça na zaga. Renato Chaves não é a nova versão do Thiago Silva. Henrique melhorou, mas não é Paolo Maldini. Mesmo falhando em um nível aceitável, o fantasma de 2016 assombra e temos medo da zaga.

É nítido que temos problemas com bolas aéreas em nossa área. A solução de Abel era evitar que o cruzamento acontecesse. Agora, mais abertos e mais ávidos pelo ataque, oferecem-se espaços ao adversário para que as bolas alçadas rondem nossa meta. Vivemos no fio da navalha quando estamos no 4-3-3.

É digno de elogios um treinador que, diante da perda de sua principal peça, altere o esquema para outro mais ofensivo. Abel assume riscos. Isso passa confiança para o grupo, mostra-lhes que são capazes. Por outro lado, é um frio infinito na espinha do torcedor.

Sem Scarpa, ou Abel revê o 4-3-3 para criar uma fortaleza inexpugnável à frente da área ou busca uma forma de recomposição mais rápida do time, conseguindo recriar a mesma compactação que apresentava no 4-1-4-1. Se o ataque é a melhor defesa, deve-se defender-se para poder atacar. Sem a bola, corremos atrás. Com ela, somos verticais e mortais.

Quando a dúvida pairar, lembrem-se: Abel é Braga. Bravura, astúcia e vigor não lhe faltarão jamais.

Panorama Tricolor

@PanoramaTri

Imagem: cw

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