Seu Ottavio, o jornaleiro tricolor (por Erica Matos)

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“Tenho saudade
De pessoas que fui conhecendo
lembranças que fui esquecendo
amigos que acabei perdendo
Mas continuo vivendo e aprendendo”
Martha Medeiros

Na noite da última terça-feira, dia 12 de maio de 2015, perdemos um grande tricolor.

Seu Ottavio Santoro, o italiano tricolor da banca do Largo da Carioca nos deixou.

Quem passava pelo coração do centro do Rio via uma banca de jornais que chamava a atenção pelas bandeiras e adornos do Fluminense.

Seu Ottavio veio de Roma há 53 anos atrás para residir e trabalhar no Rio de Janeiro. Escolheu o Fluminense como seu time do coração e fez do seu instrumento de trabalho, um ícone para os torcedores .

Por diversas vezes foram feitas comemorações de títulos no local de trabalho do jornaleiro e, se alguém quisesse notícias acerca do Tricolor das Laranjeiras, era só passar na banca do Ottavio.

Ao perguntar nos arredores do centro do Rio pelo nome “Ottavio”, não seria certo achá-lo. Mas ao se dizer do Jornaleiro Tricolor, era prontamente apontado por colegas e transeuntes, torcedores dos diversos times cariocas.

Quando passava pelo Largo da Carioca, as bandeiras me chamavam a atenção.

Pessoalmente, conheci o Sr. Ottavio Há sete anos atrás.

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Meu pai, que trabalhava perto do largo, me apresentou o tricolor apaixonado como “seu amigo”. Lembro com clareza, pois foi num pré-jogo de uma partida pela inigualável Copa Libertadores de 2008. Disse ao meu pai que ele me lembrava meu avô, pois cada senhorzinho apaixonado pelo Flu que conheço, me faz lembrar o meu querido “Vô Cazeca”.

Meu pai sempre teve bandeirinhas e brasões do Fluminense em sua mesa de trabalho, a maioria delas adquiridas na banca do Ottavio.

Ontem, dei-lhe a notícia da partida do querido tricolor. Ficou triste e repetiu a frase de quando nos apresentou :

– Ele era meu amigo. Só que o “é” virou “era”.

jornaleiro 3Era com alegria que fazia do seu ganha-pão, ponto de referencia do clube do seu coração.

Ouvi relatos de tricolores que disseram que o Sr. Ottavio era sempre otimista em relação ao Flusão. Mesmo nos muitos momentos de aflição tricolor, era ir à sua banca para sair cheio de esperança no verde, branco e grená.

Passei por lá outras vezes e comprei posters de alguns títulos. A banca parecia uma festa. Era bandeira, cartões postais, imãs de geladeiras, souvenirs, mascotes e faixas para tudo quanto era lado.

Sr. Ottavio fez de uma banca de jornal, local onde compramos revistas e noticiários impressos, uma espécie de loja que transbordava sentimento, alegria, otimismo, amizade e carinho pelo clube das três cores que traduzem tradição.

Quem viveu, viveu. Quem não viveu, ouvirá falar do querido tricolor que nos deixou essa semana. Seu filho continua lá, no legado com a banca e com a paixão pelo clube, que foi passado à toda a família pelo saudoso italiano.

Em nome do PANORAMA TRICOLOR, expresso meus sentimentos à família e afirmo que o Sr. Ottavio, essa figura emblemática, fará muita falta e será lembrado com muito carinho todas as vezes que passarmos pelo Largo da Carioca.

Grande Tricolor, obrigada por ter transbordado amor ao Fluminense e ter amado as cores do seu país, que nos remete às cores do nosso clube amado. Somos gratos por ter transformado o seu ganha-pão em um ícone do clube de nossa paixão. A banca do Largo da Carioca é eterna.

Panorama Tricolor

@PanoramaTri @erica_matos

Imagem: Ricardo La Torre Udine/guis saint-martin

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