O Fluminense é um cubo mágico (por Marcelo Savioli)

Amigos, amigas, aqueles que são um pouquinho mais antigos devem, pelo menos uma vez na vida, ter tentado a sorte com o cubo mágico. O cubo mágico é aquele brinquedo que desafia a nossa inteligência, perícia e paciência, que quase ninguém consegue montar.

Tem aquele filme, que muitos devem ter visto, cujo nome me escapa, em que o cara consegue montar o cubo mágico e aquilo abre uma nova perspectiva em sua vida. Ele conquista a admiração do dono da corretora de valores, ingressa no programa de treinees e, dali em diante, sai de um labirinto para a prosperidade.

Parece que o problema do Fluminense é muito parecido. Temos que resolver o problema do cubo mágico para abrir a janela para a prosperidade, que, no nosso caso, é a regularidade nas vitórias. Ao contrário, o que vemos é o Fluminense sendo derrotado pelo cubo mágico cada vez que parece que conseguiremos, finalmente, colocar os quadradinhos amarelos todos de um lado, os vermelhos todo de outro  e por aí em diante.

Quando eu uso a primeira pessoa do plural, quero dizer que o esforço para solucionar o enigma do cubo mágico é coletivo, não pode estar só nas mãos do Diniz. Envolve toda a cúpula do futebol e do clube.

Quanto à cúpula do clube, é preciso que se adote uma solução definitiva para a crise financeira. Não dá para resolver o problema sem que haja respaldo financeiro para a montagem e manutenção do elenco, e olha que não estou falando de contratações mirabolantes.

Se nós tentarmos montar o Fluminense no início do ano, teremos um time com: Rodolfo; Ezequiel, Digão, Ibañez e Mascarenhas; Aírton, Bruno Silva e Daniel; Luciano, Everaldo e Yony González.

Ainda que Aírton e Bruno Silva aprontassem das suas na saída de bola, tínhamos um modelo tático que funcionava. Aírton entrava no meio da zaga, Daniel recuava para ajudar na construção, Gilberto avançava até a ponta direita e Luciano fazia o centro, como um quarto homem de meio de campo. Com Everaldo e Yony, tínhamos um ataque veloz, que se movimentava muito e fazia bem o um contra um.

Perdemos, de cara, o Ibañez, que era o nosso melhor zagueiro. Logo depois, o Ezequiel, que não era lá essas coisas, pediu para ir embora. Digão se contundiu logo depois. Everaldo, já mais para frente, saiu. Luciano está de saída, Aírton fora de forma e Bruno Silva já não tem a simpatia da torcida. Rodolfo, todo mundo sabe o que aconteceu.

No jogo seguinte à saída de Everaldo, tivemos um time formado com: Rodolfo; Julião, Nino, Matheus Ferraz e Caio Henrique; Allan, Daniel, Paulo Henrique Ganso e Léo Artur; Luciano e Yony González.

Apesar do empate, foi naquele Fluminense e Cruzeiro que tivemos nossa apresentação mais consistente. O único chute a gol do Cruzeiro, todavia, acabou se transformando em gol, mostrando a fragilidade de nosso guarda-meta. Nos jogos seguintes, com o surgimento de João Pedro, goleamos Cruzeiro e Atlético Nacional. Todos pensávamos que estava tudo resolvido e tínhamos um dos melhores times do Brasil, mas o sonho durou pouco.

Desde então, Léo Artur sumiu, João Pedro vem sendo pouco efetivo, mesmo como titular, Matheus Ferraz sofreu lesão e só volta ano que vem. Luciano, como já dito, está de saída. Mesmo Marcos Paulo, que andou aparecendo bem, nunca mais fez uma boa atuação. Julião perdeu a vaga para Gilberto.

No jogo de sábado, contra o Vasco, tivemos uma mistura de tudo, que não deu em nada. Enquanto isso, temos um mar de atacantes e meias que não entram em campo: Zé Ricardo, Caio, Guilherme, Ewandro, Kelvin (alguém lembrava que ele existe?) e Pablo Diego. Ainda temos o Miguel Silveira, que parece prestigiado.

Quais são as nossas contratações? Nenê, Nem e Muriel. Muriel será titular mais cedo ou mais tarde. Está aí o Agenor que não nos deixe mentir. Nem e Nenê não são más contratações, vão dar experiência a um setor ofensivo que só tem garotos, mas e a lateral-esquerda? Com qual zaga entraremos em campo no jogo com o São Paulo, tendo Digão e Frazan suspensos?

Ninguém resolve o problema do cubo mágico com instinto. É preciso ter lógica. No Fluminense, a lógica segue ausente nas contratações há anos.

Não tenho muitas dúvidas de que teremos amanhã a nossa formação quase ideal, pelo menos com as peças que temos: Muriel; Gilberto, Nino, Digão e Caio Henrique; Allan, Daniel, Ganso, (enigma); Yony González e Pedro.

O enigma, levando em conta o que tenho visto, atenderia pelo nome de Léo Artur. É um meia com mobilidade, que chega na área, compõe o meio, chuta de fora da área e cai bem pelo lado esquerdo. Só que o Léo Artur, pelo que se sabe, não está nem inscrito na Copa Sul-Americana. Mesmo assim, temos as opções de Guilherme e Marcos Paulo, já que Miguel Silveira está com a seleção.

Independente de quem seja o escolhido, não vou me espantar se o Fluminense sair de Montevidéu com uma vitória. Nós estaremos prestes a solucionar o enigma do cubo mágico. Para aquelas três últimas posições, teremos Marcos Paulo, Nenê, Miguel Silveira, Léo Artur, Wellington Nem, João Pedro e Brenner. Ou seja, não temos problema ali.

Até tenho a impressão de que Gilberto voltará a fazer uma grande partida e não teremos  mais problemas com a lateral direita. Só que sempre fica faltando encaixar uma peça. No nosso caso, várias. O que acontece se não tivermos Caio Henrique? Como fica se perdermos Allan, Ganso ou Daniel? E a zaga? Enfrentaremos o São Paulo com quem? Nino e Yuri?

Vamos tratar caso a caso. Para mim, quando perdemos Allan, Daniel ou Ganso, há duas alternativas que eu acredito capazes de manter o nível de exibição: Caio Henrique e Léo Artur. Para preencher as vagas, mesmo sem manter o nível, temos Yuri, Aírton e Bruno Silva. O ideal, no entanto, é que Caio Henrique seja a primeira opção.

É o que nos leva ao outro problema: a lateral esquerda. Ora, se Caio Henrique vai substituir Daniel, Ganso ou Allan, quem joga na lateral esquerda? Julião? Então, para solucionar os dois problemas, da reposição no meio e na lateral-esquerda, nós precisamos contratar um lateral esquerdo, já que Mascarenhas só Deus sabe quando volta e Marlon está fora dos planos.

Então, amigos, amigas, reparem que com a contratação de um lateral-esquerdo nós resolvemos dois problemas.

Quanto à zaga, temos duas alternativas: contratamos um zagueiro para ser uma opção real para Fernando Diniz ou Diniz coloca Yuri como zagueiro. As duas melhores atuações de Yuri foram como zagueiro. Enfim, a melhor opção seria contratar um zagueiro.

Não obstante, amigas, amigos, o Fluminense contratou nos últimos dias dos jogadores para o setor ofensivo. Como eu disse, não se resolve o cubo mágico com arroubos, mas com lógica. Aonde está a lógica nisso?

Trouxemos dois jogadores que vão nos custar caro para posições em que temos fartura. Por que não investir para preencher as duas posições problemáticas? A constar, lateral esquerda e zaga.

Mesmo assim, vejo movimentações para acertar a questão financeira da forma como tem que ser feito. Tomara! Mas que isso venha acompanhado da contratação de um lateral-esquerdo e de um zagueiro de alto nível, mesmo que seja até o final do ano, já que, depois, teremos o retorno de Matheus Ferraz.

Sendo assim, para que consigamos resolver o problema, precisamos de quatro passos:

  • Muriel assumir a meta e acabar com essa peneira que acaba com nossa vontade de torcer;
  • Contratar um lateral-esquerdo capaz de ser titular quando Caio Henrique for para o meio de campo;
  • Contratar um zagueiro capaz de ser titular, para acabar com a precariedade no setor;
  • Ter uma segunda peça, além de Caio Henrique, para ser opção para o setor de criação, que está no elenco, seja Léo Artur, seja Zé Ricardo, seja o próprio Nenê, que não é muito do ramo, mas tem qualidade para isso.

Aliás, é bom lembrar. Nenê não joga na mesma posição de Ganso e os dois podem jogar juntos.

João Pedro e Pedro podem jogar juntos, mas é preciso que tenhamos dois alas que joguem avançados pelos lados e um meio que se aproxime do ataque. Ainda assim, eu prefiro Yony atuando como segundo atacante. Inclusive, o Nem pode disputar a posição com o colombiano.

Acredito que, com essas providências, resolveremos o problema do cubo mágico, ganharemos a Sul-Americana e ainda chegaremos no G-4 do Brasileiro.

Mas é lógica. Tem que ter lógica. E Diniz tem que fazer sua parte, que, em hipótese alguma, é ser demitido.

Saudações Tricolores!

Panorama Tricolor

@PanoramaTri

#credibilidade

 

3 Comments

  1. O Bittencourt nunca foi bom e lógico com contratações, basta ver o período dele com o Peter. Se empatarmos em Montevideo será um ótimo resultado. Não podemos achar que perder por um gol lá é um bom resultado, eles viriam fechadinhos para o jogo no Maracanã. E já sabemos das nossas dificuldades em jogar contra defesas fechadas.

  2. – Que nem no ano passado, contrataram mil jogadores ruins pro ataque pra ver se algum encaixava. O Nem, em forma, é melhor que todos eles. Ewandro foi um erro.

    – João Pedro e Pedro podem jogar juntos, não tem problema nenhum nisso. É só treinar direito. Podem, inclusive, jogar ambos enfiados na área. O Flamengo do Jesus fez isso contra o Goiás, e a cada bola na área tinha um centroavante ali pra marcar.

    – Daria uma bela ajuda nos problemas se o Yony soubesse chutar a gol.

    – Das últimas…

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