O Fluminense é nosso, não é da Unimed (por Marcus Vinicius Caldeira)

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A Unimed é a cocaína do torcedor do Fluminense.

O torcedor experimentou, gostou e não quer largar mais. No fundo até quer, mas, acha que não consegue. Como uma droga, ela traz muita euforia no começo e sensação de bem-estar. No fundo, ela está corroendo a saúde do usuário mas ele entende que ela faz bem. Depois de um tempo, ela traz depressão. O usuário quer largar. Mas a dependência já está consumada.

Não se assuste: eu também fui um adicto. Por treze anos defendi a parceria com unhas e dentes. Mas aí veio o ano de 2013. E a ferida foi exposta. Foi na marra, na porrada. Hoje me livrei da droga. Tenho plena certeza que o Fluminense pode caminhar sem a Unimed. E mais: que será benéfico este caminho.

A Unimed entrou em 1999 quando o Fluminense estava na m… Celso Barros teve uma visão do caramba. Sabia o que seria expor a marca no futebol e que, se o fizesse bem feito, levantaria sua marca. O Fluminense era um clube falido, pires na mão. No começo, a relação era tranquila. Aquisição de jogadores feita em conjunto ou até definida pelo Fluminense.

O negócio começa a degringolar quando o patrocinador traz Romário. Exposição total da marca. Mídia em cima. Um banquete para quem precisava massificar a marca Unimed. Depois, a la Kleber Leite resolveu reeditar “o maior ataque do mundo” rubro-negro com Romário, Edmundo, Roger e Ramon. Foi um desastre.

A relação começa a ficar mais promíscua quando o Fluminense toma um pancada na justiça sendo obrigado a estampar na camisa o nome de uma academia de ginástica pertecente à figura que ganhou o processo. A Unimed pagou o devido para que isso não acontecesse e o clube ficou mais dependente ainda. Celso Barros passa a dar as cartas no departamento de futebol.

A promiscuidade chega a níveis estratosféricos quando a Unimed deixa de ser apenas patrocinadora, colocando nome na camisa, e passa a ser investidora, comprando jogadores, inclusive na base. A partir daí e mesmo com dois títulos brasileiros tudo degringola.

Além dessa questão da relação promíscua, financeiramente falando, entre Unimed e Fluminense, há os sérios desvios de conduta do presidente da patrocinadora. Um fanfarrão – com classe, mas um fanfarrão!

O Fluminense é Fluminense desde 1902. Não preciso repetir sua história. A Unimed era uma medíocre cooperativa de médicos que ninguém havia escutado falar até estampar sua marca no clube. Hoje, é a maior do Rio com uma carteira de mais de 900.000 clientes e, no inconsciente coletivo, é a maior do país. A mais falada é com certeza. Queria ver ele alcançar esta marca expressiva se estivesse descolado de um clube como o Fluminense.

Não dá para saber o montante de dinheiro que a Unimed já despejou no clube, ou melhor, em salários de jogadores. Mas sabemos que desde 2010 a folha não é menor que 5 milhões. Fazendo uma conta rápida dá para ver que de 2010 pra cá foram quase 300 milhões. Falta contabilizar os outros 9 anos. Há de se imaginar que a conta tenha chegado a 500 milhões facilmente. Pois bem, com esse 500 milhões ganhamos apenas 2 brasileiros, uma Copa do Brasil e 3 cariocas e o dinheiro não permitiu a estruturação do clube. Foi bom, mas foi muito pouco resultado pela quantidade de dinheiro investido.

Além disso, disputamos rebaixamento em 5 oportunidades: 2003, 2006, 2008, 2009 e 2013. Em 2013 só não fomos rebaixados porque o Flamengo comprou a Portuguesa para se livrar da série B. A Unimed mandava literalmente no futebol do clube nesse ano.

Desde 2011, Peter entregou o departamento de futebol à Unimed para tocar a reestruturação do clube. Parecia ter encontrado a fórmula certa. Fomos terceiro no Brasileiro em 2011, campeões em 2012. Mas veio 2013 e a fórmula encontrada não se mostrou tão boa assim.

A história da Unimed no Fluminense é uma história de altos e baixos. Um ano se disputa título, no outro, rebaixamento. Mas para a Unimed é sempre uma história de altos. Ela sempre está por cima da carne seca. Na hora do título é doutor Celso Barros. Na hora do rebaixamento, é Peter.

De 2013 pra cá tivemos que assistir ao “dotô” caçar a cabeça do Abel, nos impor Luxemburgo, nos impor Renato Gaúcho (por R$ 550.000,00) e vir de onda querendo trazer de volta o rebaixado Rodrigo Caetano, numa demonstração de arrogância, prepotência e poder, humilhando o presidente do clube (que tem co-responsabilidade nisso) e toda a diretoria.

Pois bem: o amor acabou. É hora do Fluminense dar o seu grito de independência. Começar agora para que, em 2015, como o próprio Celso Barros falou, andemos com as nossas próprias pernas. Não queria isso. Dava para a parceria conviver em harmonia, com os dois lados ganhando. Mas, infelizmente, só um lado quer ganhar.

Ontem, vimos o presidente “cagar e andar” pro patrocinador, demitir Renato e trazer Cristóvão com recursos próprios do clube. O Fluminense voltou à Timemania. Falta liberar o dinheiro penhorado. Há luz no fim do túnel. Se eu fosse o presidente, faria uma chamada à torcida para se unir em prol do clube e encampar o Sócio-Futebol. Já estaria procurando novos patrocinadores, dispensando alguns jogadores da Unimed e contratando outros na nova realidade, para que tenhamos um deadline dessa “parceria de um lado só”!

O Fluminense construiu sua história de glórias e ajuda ao desporto nacional por 97 anos sem ajuda da Unimed. Pode fazê-lo por mais 500 anos sem esta ajuda.

Celso Barros, um toque de leve: daqui a 200 anos o Fluminense continuará sendo falado e idolatrado nessa cidade e pelo Brasil afora. Já da Unimed, ninguém terá escutado falar.

O Fluminense é infinitamente maior que a Unimed.

Doutor Celso Barros, muito obrigado, por tudo.

Mas, passar bem.

E até nunca mais.

Panorama Tricolor

@PanoramaTri @mvinicaldeira

Imagem: http://www.dailymail.co.uk/

21 Comments

  1. Obrigado pelo texto Caldeira. Esplêndido. Não sei por quê, aliás, sei sim, desde ontem de manhã estou com um puta orgulho de ser tricolor. Feliz da vida que a acabou de chegar a fatura de meu cartão com a mensalidade do sócio-futebol. Celso, tchau e boa sorte !!!

    ST !!!

    1. Ele já ganhou muito com o Fluminense!

      Não precisa mais do clube!

      Nós temos que achar o nosso caminho!

      Passou da hora!

  2. Perfeita a sua análise. Também já defendi a Unimed, mas essa relação já extrapolou o n ivel do bom senso. Fora Unimed!!!!

  3. Penso da mesma forma… Tenho certeza que o Flu ficará muito maior sem a ingerência da ‘pagadora de salários aos midiáticos’.. Abçs

    1. Foram R$ 550.000,00 ao Renato Gaúcho!

      E ainda tem gente que defende isso!

      Inacreditável!

  4. Caldeira, Belo comentário. Porém, sem querer ser arrogante, Estas falas devem ecoar nas reuniões do Conselho Deliberativo do Clube. E com relação a isso, tenho certeza que você esta fazendo. Nos represente bem. Contamos com você.
    ST4

    1. Ainda não aconteceram discussões como essa no conselho! Mas, a fratura foi exposta agora> Vou começar a bater isso nem que seja nos Assuntos gerais.

  5. Lavou minha alma Caldeira! Essa última de empurrar o Renato Gaucho goela abaixo e querer impor a volta do Rodrigo Caetano foram as duas gotas d’aguas! Não bastou o vexame do ano passado pra esse cara ter um pouco mais de consideração pelo clube que ele DIZ torcer! Está mais do que claro que, em primeiro lugar, estão os interesses, ou vontades, dele! O Fluminense vem depois, BEM depois! Tchau Celso Barros! Valeu por tudo, mas deu pra você!

  6. Boa velhinho!

    Ainda sofro dessa “dependência”, mas, eu sei que não existe almoço de graça e todos nós sabíamos, que o Celsão não estava fazendo caridade, inclusive, ele mesmo já falou isso.

    Que bom a UNIMED vai embora e acabamos com a zona, na qual se encontra o único tricolor do mundo.

    Sei que vc não faz parte dessa curriola, pois, te conheço há muito tempo…mas, aposto, que, ninguém tem uma solução possível para os problemas (sem utopias), o que eles querem é tomar o…

    1. Não disse que a Unimed vai embora!

      Não sei se essa gestão está optando pelo rompimento!

      Essa é apenas a minha opinião.

      Mas, ontem foi dado um passo importante para no mínimo dar um chega pra lá no Celso Barros.

      A seguirr cenas…

  7. Estamos nos tornando independentes novamente. Belo texto.
    Dessa não me lembro:
    “O Fluminense toma um pancada na justiça sendo obrigado a estampar na camisa o nome de uma academia de ginástica pertecente à figura que ganhou o processo”
    Pode me relembrar ?
    ST

  8. Fala Caldeira,

    É Isso Ai.
    A Comparação Com “Cocaína” Foi Perfeita.
    Sou Mais Um Tricolor Com O Mesmo Pensamento.

    Mas Analisando Friamente A Situação (Se É Que Seja Possível), Será Que Não Existe Uma “Reação Química” Que Seja Possível Transformar A “Cocaína” Em “Chocolate” Por Exemplo, Eliminando Todas As Toxinas E Mantendo As “Substancias” Que Fazem Bem?
    Ou Seja, Dar Adeus Para Celso Barros (E Seu Ego Inflado) E Continuarmos Com A Unimed?

    Como?
    Não Sei!
    Isto É Com Peter E…

    1. Em Relação A Celso Barros, Em Um Ponto Acho Que Todos Concordamos; Ele É Um Grande Empresário.

      Portanto Será Que Ele Colocaria Em Risco O Tamanho E O Prestígio Da Unimed, Além Do Seu Próprio Prestígio E Poder Dentro Da Empresa, Por Conta Do Seu Ego??

      Apesar De Ter Falado Hoje Um Monte De Besteiras E Provocações A Respeito Do Flu E De Peter, Será Que Não É Apenas Uma Reação Normal De Quem Se Acha O Maioral E Teve O Seu “Poder” Contestado E Desafiado?
      (Cont).

      1. Será Que Com Este “Freio De Arrumação” E Uma Campanha Boa No Brasileiro, O Fazem Repensar E De Repente No Fim Do Ano Aceitar Voltar Aos Moldes Do Patrocínio No Início Da Parceria?

        Realmente Fiz 218 Perguntas, Mas Não Sei A Resposta De Nenhuma.
        Mas Como Um Torcedor Fanático, Costumo Acreditar Que Sempre É Possível Reverter Um Resultado Adverso.
        Se Não For Possível, Paciência.

        A Única Certeza Desta História Toda, É Que O Fluminense É O Fluminense.

        Gosto Muito Dos Seus Comentários
        Sds…

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