“O Fluminense é foda!” (por Aloísio Senra)

Tricolores de sangue grená, as palavras de Abel Braga ao fim da entrevista coletiva que sucedeu a vitória sobre o Santos no domingo último não poderiam ser mais verdadeiras. Nosso mito expressou com precisão o sentimento de milhões de tricolores que, como ele, conhecem intimamente a maior instituição esportiva do mundo. O Fluminense é foda por inúmeras razões, que variam desde ser o time perseguido pela mídia e, ainda assim, vitorioso, passando pelo perrengue financeiro que não nos tem impedido de brilhar esse ano, até o fato de quase sempre precisarem da arbitragem para nos tirarem taças que, de outro modo, conquistaríamos.

Mas nesse domingo a razão pela qual o técnico campeão brasileiro jogou ao vivo a verdade que a Flapress não quer engolir é simples: mesmo vindo de três derrotas e um empate, o Fluminense se classificou nas duas competições em que disputava a vaga e, na única em que foi realmente eliminado, precisou ter o apito contra e ainda caiu de pé. E com todo o retrospecto contrário, venceu – e bem – um dos melhores times do Brasil na atualidade, que é o Santos de Dorival Jr., voltando a marcar muitos gols em uma só partida. O Fluminense é tão foda que tem o melhor ataque do Brasil com Henrique Dourado como centro-avante e artilheiro.

Engulam ou não, o Brasileirão começou no sábado e já estamos na ponta da tabela, temos o artilheiro da competição e se os fatos dizem que é apenas a primeira rodada, Nelson Rodrigues diria “pior para os fatos”. O Fluminense é tão, mas tão foda, que temos um elenco limitado, com vários garotos, alguns ainda verdes, um goleiro longe de sua melhor forma, uma zaga questionada pra caramba, um setor de criação com poucas peças de reposição e, ainda assim, os comentaristas de futebol SABEM (e nós também sabemos) que podemos chegar, que podemos surpreender, que podemos até buscar o penta, minha gente!

O Fluminense também é foda fora das quatro linhas. Hoje temos uma diretoria fazendo milagres com as parcas receitas que temos e, na arquibancada, uma torcida que convence pela presença, não pelos números. Só a torcida do Fluminense ocupa um quarto do Maracanã e canta como se ele estivesse cheio em dobro. Se pensarmos que a visão dos jogadores está comprometida com o jogo e só a audição interessa, fazemos mais diferença do que certos aglomerados de gente mal vestida (de vermelho e preto) que as câmeras de certas emissoras insistem em focar, exaltar, acompanhar.

Teremos nesta quarta um compromisso pela Copa do Brasil contra o Grêmio, fora de casa. Os gaúchos vêm motivados pela vitória conseguida sobre o Botafogo no fim-de-semana e farão de tudo para vencer. É preciso uma boa sequência, até para provar que o fiasco do Gauchão ficou para trás. Geralmente não levamos sorte contra eles em competições de mata-mata, mas em 2015 nós os eliminamos lá dentro da Arena do Grêmio. Desta vez, contudo, vamos decidir no Maracanã, contando com o apoio dos nossos fanáticos tricolores. No fim, é aquela velha história: Renato Gaúcho é copeiro, o Grêmio é copeiro, mas o Fluminense… já sabem, né?

Curtas:

– Não entendo o imbróglio envolvendo Calazans, mas seria de bom tom que houvesse um esclarecimento. Sempre que há desinformação, notícias começam a pulular de todos os lados, dando mil versões dos fatos. E esse tipo de situação merece ser tratada com seriedade, não através de opinião de quem escreve sobre ela.

– Preocupa-me a lesão de Wellington Silva. Púbis é uma região de difícil tratamento e para a qual a recuperação costuma ser longa. Que não tenha sido nada de mais grave e que ele possa voltar a campo o mais breve possível. Sua ausência será muito sentida.

– Foi emocionante ver o retorno de Scarpa, embora não tenha havido tempo para que ele demonstrasse seu futebol – ou sua condição física. Com a lesão de W. Silva, ele precisará recuperar ritmo de jogo o mais rápido possível, pois provavelmente o substituirá.

Panorama Tricolor

@PanoramaTri

Imagem: alo

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