O Flu e as pedras (por Walace Cestari)

Ah, o início dos campeonatos. O reencontro com o time. O correr da saudade. Novas caras, novas promessas e novas esperanças. O começo do ano é realmente uma época romântica para o futebol. Há de se ressalvar os amargos – sempre de plantão – que veem no Carioquinha a possibilidade de criticar o time, o esquema, os jogadores, as contratações e tudo o mais que houver.

Confesso não gostar dos estaduais. Desde a instituição de um campeonato nacional sério, os estaduais passaram a um papel secundário, acessório e, às vezes, incômodo. Deficitários ao extremo, esses torneios prejudicam – além dos cofres do clube – a preparação para uma longa e árdua temporada. Poucas semanas de preparação para entrar em campo e sujeitar os jogadores a contusões ou o clube a derrotas que serão lembradas pelos amargos do parágrafo anterior.

Não que defenda a extinção completa do Carioquinha. Sei da importância que tem para a sobrevivência dos clubes de menor investimento que, por vezes, não têm outro campeonato para jogar. É fato que é uma oportunidade para revelar jogadores. E, vá lá, tem seu charme o campeonato.

Entretanto, nada disso justifica o prejuízo imposto a um clube que investe seriamente, como é o caso de nosso Fluminense. Talvez uma mudança na fórmula e já teríamos melhorias. Menos clubes, menos jogos, partidas com maior importância e relevância. Talvez assim houvesse tempo para uma boa divulgação e montagem de uma infraestrutura digna da grandeza do futebol carioca. É impensável fazer altos investimentos em jogadores para expô-los ao risco de contusões em gramados repletos de buracos ou preenchidos com areia pintada.

Defendo um campeonato que reúna os clubes de menor investimento até meados de março, classificando quatro melhores para que se juntem aos quatro grandes em uma fase final. Dois grupos, com dois grandes e dois da chave de acesso, e a sequência de semifinal e final em jogos únicos. Cinco jogos, tudo resolvido. Cada jogo passa a ser importante, atraindo a torcida e conferindo a devida emoção ao certame.

Faz pouco que levantamos nossa última taça. E queremos mais, desejamos tudo o que estiver em disputa, afinal, somos o Fluminense. Mas tropeços virão e devemos ter atenção às prioridades. No ano passado, desfalques foram decisivos para nossa eliminação na Libertadores. Culpa de um calendário abarrotado de jogos – em sua maioria dispensáveis – que já se transforma em maratona logo nos primeiros meses do ano.

Da forma como está, o Carioquinha é briga com bêbado, na qual ninguém valoriza a vitória e, ansiosos, outros esperam o primeiro tropeço para apedrejar o planejamento de um ano inteiro. A sorte é que o Flu, por vocação, é bem maior que as pedras.

Amplexos,

Walace Cestari

Panorama Tricolor

@PanoramaTri

Contato: Vitor Franklin

“Duas vezes no céu – os campeões do Rio e do Brasil”, o novo livro de Paulo-Roberto Andel sobre o Fluminense em 2012 à venda:

http://www.travessa.com.br/DUAS_VEZES_NO_CEU_OS_CAMPEOES_DO_RIO_E_DO_BRASIL/artigo/40af87f6-9047-4c45-97e1-53ab8704b29e

5 Comments

  1. Um dos problema do campeonato carioca é que os times pequenos são muito fracos e não investem para crescer e ao menos disputar as séries C e B, como acontece com os pequenos paulistas. Essas estão repletas de times menores do sul, do nordeste, de SP do Centro Oeste, mas nada de cariocas. Assim, entendo que deveria haver um campeonato no RJ com os pequenos que os classificasse para essas séries. Aí talvez tivesse alguma atratividade e importância. Do jeito que está os pequenos são apenas párias dos grandes.

    1. Jorge,

      É isso aí. Cabe a nós sugerir e levantar as ideias. Quem sabe os clubes não conseguem um dia se libertar da escravização televisiva e propor algo nos termos que apresentei?

      O Peter vem trabalhando sério e imagino que, quando as coisas administrativas se assentarem de maneira confortável, ele esteja aberto a ideias para levar à Federação. Até lá fiquemos nos apequenando nos acanhados campos cariocas e removendo a importância de clássicos que não levam mais ninguém aos estádios.

      Amplexos,
      Walace

  2. Tive o prazer de conhecer o autor da crônica no treino de quinta feira, de luxo contra o fraquíssimo Olaria. Tão fraco que assistimos o jogo conversando e Caldeira twittando.
    Boa a idéia da formula sugerida pelo cronista. Eu apoio, mas enquanto os dirigentes forem como são, podemos esquecer.
    Os tricochatos, genéricos dos tricolebas, sempre vão existir, reclamam de tudo e de todos. N verdade devem ser pessoas mal resolvidas com a vida e chatos por natureza. Assim sendo, são malas também nos estádios. Infelizmente temos que conviver com eles.
    Abraços e até Domingo no Engenhão. Dessa vez nosso amigo Caldeira vai tricolebar…hehehehe

    1. O pior foi ter mudado de lugar por conta do corneteiro do Thiago Neves e, no segundo tempo, ter de aturar uma criança reclamando do time a plenos pulmões. Sério mesmo que já existem os tricolebas do futuro?

  3. Walace, é por aí mesmo, é necessário um qualyfing semelhante ao dos grande torneios de tênis, no caso específico do Carioca entram no máximo dois e juntam-se aos “quatro grandes”, acho que seis times é o suficiente, todos jogando contra todos na forma de pontos corridos, ou os dois mais bem posicionados fazem um jogo final apenas, é mais uma ideia para discutir, como está é que não dá mais, basta que os 4 grandes sentem e estabeleçam quais os verdadeiros interesses que estão em jogo, não podemos mais ficar no romantismo do passado, quando havia craques até no Bangu e no América; por exemplo, hoje, com um brasileiro disputadíssimo, Copa do Brasil, Sul-americana e Libertadores, há que se ter prioridades. STT, Waldir Barbosa Junior.

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